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Mostrando postagens com o rótulo Ciência

Nicolau Copérnico e a arrogância do conhecimento

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O pecado do excesso e a arrogância teórica

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Curiosidade porca

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A foto da sonda mostra onde Curiosity foi espalhando o lixo no solo marciano.

A foto tirada pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, que levou o robô Curiosity a Marte, provocou euforia na NASA e indignação nos defensores da natureza. Assim que chegou ao planeta vizinho, o jipe de uma tonelada começou a espalhar seus detritos por todos os lados, revelando que a humanidade não consegue fazer nada sem emporcalhar tudo em volta. Ao redor do jipe é possível identificar os detritos do complicado pouso em Marte e que agora não são mais úteis: a proteção contra calor está a um quilômetro, a cápsula e o paraquedas ficaram a 600 metros. O jipinho obviamente não vai recolher nada disso. Afinal, quando Curiosity terminar a sua missão, vai juntar-se aos outros equipamentos que já viraram sucata no planeta vermelho, tornando-se lixo também.

Deus virou partícula?

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O dia 4 de julho amanheceu com a notícia da maior descoberta científica dos últimos 30 anos. Os cientistas de Genebra anunciaram que comprovaram a existência da chamada “Partícula de Deus”, a partícula subatômica conhecida como Bóson de Higgs, fundamental para entender a formação do Universo. O acelerador de partículas construído nos Alpes – que os céticos classificaram como possível detonador do Apocalipse – foi o responsável pela quase comprovação. A descoberta anunciada hoje de madrugada tem uma chance em um milhão de não se confirmar, segundo os cientistas.

O bóson de Higgs foi vislumbrado na teoria pela primeira vez em 1964, pelo cientista escocês Peter Higgs, como uma hipotética partícula que dá massa à matéria. O nome Partícula de Deus refere-se à sua onipresença no Universo, tal qual Deus. A expressão foi usada pelo físico Leon Lederman em seu livro sobre a busca dessa evidência. O título original do livro era “The Goddamm Particle” (A Partícula Maldita), mas o editor, com me…

A Antártica e Brasília

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O incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz, no final de fevereiro, foi um duro golpe para os projetos científicos realizados pelo Brasil no continente. O principal problema é a descontinuidade das pesquisas que lá eram feitas. Muitas eram baseadas em séries históricas, ou seja, avaliadas ao longo do tempo. Com essa interrupção, parte do trabalho, ou mesmo trabalhos inteiros podem ser perdidos.

Backup é uma palavra bem comum entre os especialistas que lidam com dados. É um procedimento de segurança, que segue algumas regras, entre elas a de sempre ter uma cópia de tudo o que se faz e de nunca guardar tal cópia no mesmo lugar dos originais. Perguntinha que não quer calar: Os tarimbados cientistas e pesquisadores brasileiros na Antártica nunca fizeram backup de suas pesquisas?

Havia backup de uma parte dos materiais coletados nos últimos anos pelos pesquisadores, enquanto outras pesquisas estão sendo realizadas a bordo de navios na região e, portanto, não foram afetadas pela tra…

Patinhos amarelos

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No dia 10 de janeiro de 1992 o navio chinês “Tokio Express” deixou cair diversos contêineres no Pacífico Norte durante uma violenta tempestade. Num deles havia 28.800 patinhos de brinquedo, desses de usar durante o banho das crianças. Vinte anos depois eles ainda boiam pelos oceanos e, aqui e ali, chegam às praias, causando surpresa. Eles também tinham em sua companhia castores vermelhos, sapos verdes e tartarugas azuis.

Mas eles não despertam somente espanto quando chegam à praia. O oceanógrafo americano Curtis Ebbesmeyer não os perdeu de vista desde então e acompanhou a sua odisséia de duas décadas pelos oceanos, protocolando toda a viagem e descobriu muitas coisas sobre as correntes superficiais dos oceanos do Planeta Terra.

Isso parece muito romântico e até aventureiro. Mas é fácil esquecer que ainda há milhares de patinhos desbotados boiando nos mares, agredidos pelo sol e pela água salgada, mas que levarão séculos para serem totalmente absorvidos pela natureza. E eles não são o…

Pelos 70 anos de Stephen Hawking

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O físico britânico Stephen Hawking completa 70 anos hoje, dia 8 de janeiro. Ele é um ser humano impressionante, principalmente por dois motivos. Em primeiro lugar, por ser o mais brilhante cientista depois de Albert Einstein. Em segundo lugar, porque ele conseguiu isso somente com o seu cérebro brilhante. Literalmente, porque esta é a única parte de todo o seu corpo que ainda parece responder a estímulos. Os seus demais membros estão paralisados por conta da esclerose lateral amiotrófica.

Hawking é um exemplo do triunfo frente à adversidade. Ele recebeu o diagnóstico aos 21 anos. A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva. Os médicos chegaram a lhe dar apenas alguns anos de vida. Mas, apesar de ter perdido o movimento de suas extremidades e da musculatura, inclusive a força do pescoço para manter-se com a cabeça erguida, Hawking chega aos 70 anos como o cientista mais famoso do mundo. Ao lado do cientista Roger Penrose, Hawking mostrou que a Teoria da …

Aquele que "professa"

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Hoje é Dia do Professor e da Professora. Assim mesmo, com letra maiúscula. E quanto mais eu mergulho em pequenos e grandes lances do passado imigrante da nossa gente, mais me convenço de que esquecemos alguns dos principais valores de nossos antepassados. Um deles é o da valorização das pessoas que têm a tarefa de repassar as lições mais importantes às futuras gerações.

O professor tinha uma posição de reconhecido destaque nas nossas colônias de imigrantes e, em diversos anais da história está registrado que nessas colônias havia um professor bem antes de um pastor. Mais, em muitas delas era o professor que fazia as vezes do pastor, porque este era um profissional raro e caro. Muitos professores até foram nomeados curas nessas colônias do interior.

Esta é uma herança inconteste do pensamento do Reformador Martim Lutero, que deu aos mestres um destaque e valorização inéditos, elevando a educação a prioridade absoluta. A conta de Lutero era simples e direta: um povo ignorante e analf…

Somos incorrigivelmente vorazes

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No século 20, o ser humano conquistou o “impossível”. Sabemos voar como os pássaros, navegar sob as águas como os peixes, correr mais rápido do que os coelhos e somos capazes de nos comunicar a distâncias outrora inimagináveis. Somos a geração automotiva. O relógio mede cada segundo do nosso tempo, cavalos e carruagens cederam lugar a carros e aviões, trovadores invisíveis cantam através de nosso equipamento de som, arautos sem rosto divulgam os fatos pelo rádio, o circo e o teatro irrompem em nossa sala nas dimensões de uma pequena tela eletrônica.

Melhor do que dividir a história em antiga, medieval, moderna e contemporânea é distingui-la pelas eras. A era agrícola durou 10.000 anos; a industrial os últimos 100 anos; e agora a era cibernética.

Johannes Kepler, nascido na Alemanha em 1571, atraído pelo faro estético dos gregos – que acreditavam ter o Universo uma natural simetria – descobriu a arquitetura do sistema solar e levou quatro anos para calcular a órbita de Marte, uma eli…

Vivendo numa redoma 1

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Aquele meu colega que disse que a Igreja vive numa redoma, volta à carga. Desta vez, concordando com ele e pescando no aquário da Tribo de Jacob, publico esta deliciosa charge sobre a relação tumultuada da Cristandade com a ciência.

Além dos óbvios problemas com a ciência, que tem provocado diversos equívocos lastimáveis ao longo da história, que tiveram que ser reparados séculos depois com envergonhados desditos e pedidos de perdão, a charge mostra os constantes problemas da turma da redoma com a sexualidade humana. No passado, obras de arte tiveram genitais cobertos com panos, folhas e outros artifícios, confundindo anatomia com sexo e vice-versa.

Hoje a briga é com a genética, a ciência espacial, a física e, fudamentando preconceitos absurdos na área da sexualidade, com a velha afirmação de que alguns comportamentos sexuais são "opção" ou "fruto da educação" ou da "permissividade" da sociedade moderna.

Em meio a tanta estupidez provocada pela síndro…

O último pouso

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Guarde bem esta imagem. É a última de uma saga de 30 anos. Muitos defeitos, mortes, explosões e interrupções de última hora depois, os ônibus espaciais da NASA entram para a história da humanidade como um importante capítulo da aventura espacial humana. A nave Atlantis pousou hoje de manhã (6h57min), depois de sua última missão ao espaço. Era a última nave do tipo retornável em circulação. A última caravela do século 20 volta ao seu porto derradeiro. É quase como um velho ônibus urbano que, depois de décadas de transporte diário de passageiros, é estacionado na garagem em definitivo.

Os ônibus espaciais nos ajudaram a montar no espaço alguns óculos que nos ajudaram a ver mais longe... bem mais longe. Muitas fotos depois, ainda estamos sozinhos no universo conhecido. Descobrimos, sobretudo, que o nosso planeta, que parece tão gigante e inesgotável daqui do chão, na verdade não passa de uma pequena bola, frágil e delicada, visto da janela do ônibus espacial. E é assim que é a nossa Terra…

Animais também sentem

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Vivissecção é um palavrão. Esconde a barbárie atrás da sua erudição. Ela é a referência a uma prática que acontece todos os dias, agora mesmo, entre as assépticas quatro paredes dos laboratórios de pesquisas, em indústrias e universidades de todo o mundo. Em sentido amplo, refere-se ao uso de seres vivos para pesquisas e experimentos em laboratório ou para estudar anatomia e fisiologia. Para os animais, que são submetidos a verdadeiras sessões de tortura em nome da ciência, a vivissecção representa sofrimento e dor.

Experiências de toda ordem empregam mamíferos, de pequenos roedores a símios do tamanho de humanos, para testar medicamentos, produtos de beleza e reações aos mais diversos produtos. Eles sofrem amputações de membros sadios para testar próteses, recebem injeções de produtos tóxicos ou têm substâncias aplicadas sobre a pele para testar os seus efeitos, ou ainda, recebem implantes com aparelhos em seus órgãos internos para serem monitorados e diversas outras formas de atos in…

Três décadas de flagelo da AIDS

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O flagelo da AIDS completa 30 anos. O primeiro texto sobre a misteriosa doença foi publicado no dia 5 de junho de 1981, pelo médico Michael Gottlieb, do Centro Médico da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA). Em duas páginas ele falava da doença de cinco homossexuais que estavam com uma infecção rara nos pulmões. Eles foram tratados em três hospitais de Los Angeles sem sucesso, e dois deles já haviam morrido quando Gottlieb publicou o artigo.

Assim começou a história da contaminação do vírus HIV, causador da AIDS, uma doença que inicialmente colocou os homossexuais em pânico e que, em pouco tempo, mostrou que pode ir muito além dessa barreira sexual, atingindo inclusive donas de casa e idosos.

Desde então, em torno de 30 milhões de pessoas morreram de AIDS no mundo e mais de 60 milhões foram infectados. Três décadas depois do artigo de Gottlieb, a medicina ainda não tem perspectiva para uma futura vacina contra o mal, embora as pessoas portadoras de HIV hoje possam levar um…

Celulares estão na mira

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Os celulares estão na mira ultimamente. Há 20 dias, uma notícia no portal da Globo dava conta da influência dos sinais eletromagnéticos dos aparelhos celulares no desaparecimento das abelhas. Hoje, uma nova notícia no G1 afirma que a OMS descobriu que a sua radiação está associada à causa de um tipo de câncer no cérebro.

Segundo anúncio feito hoje 31 de maio na França, pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, um braço da Organização Mundial de Saúde (OMS), os pesquisadores colocaram a radiação dos telefones móveis no mesmo nível de perigo da emissão de gases de automóveis, como o chumbo e o clorofórmio, “possivelmente carcinogênicos para humanos”. A agência, no entanto, ressaltou que, até agora, não foram registrados casos de problemas de saúde ligados ao uso do aparelho, mas pode ocorrer no futuro. A conclusão é de 31 cientistas de 14 países, sobre a existência de mais de 5 bilhões de aparelhos celulares em operação no mundo.

A notícia veiculada n o site da Globo no dia 1…

Saída honrosa para o plástico?

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O plástico é um dos mais danosos vilões ambientais da civilização moderna. Cerca de 4% de todo o petróleo extraído no mundo é destinado à produção de plásticos, que são a matéria-prima da vida moderna. Desde os mais simples utencílios domésticos até aplicações industriais indispensáveis, a humanidade não pode mais viver sem esta invenção. O problema principal é que, além de levar décadas para decompor-se, a produção de cada quilo de plástico lança seis quilos de CO2 na atmosfera.

Nos últimos anos, entretanto, pesquisas vêm apresentando alternativas de substituição do plástico de petróleo pelo que se convencionou chamar de “plástico verde”. Eles são produzidos a partir de matéria-prima renovável. O Brasil é um dos expoentes nesta pesquisa, que vem dando destinação eficaz às sobras vegetais da indústria canavieira para gerar uma produção sustentável de bioplástico.

O bioplástico é composto de plantas como a cana-de-açúcar. Dificilmente pode-se encontrar algum utencílio doméstico para o qu…

NASA encontra 17 novas pirâmides enterradas no Egito

Uma equipe de arqueólogos descobriu 17 pirâmides enterradas no Egito com a ajuda de imagens de satélites da NASA, segundo um documentário da BBC que será transmitido na próxima segunda-feira. Liderada pela pesquisadora americana Sarah Parcak, da Universidade do Alabama em Birmingham, a equipe já confirmou a existência de duas das pirâmides por meio de escavações.

A BBC, que financiou a pesquisa, divulgou nesta semana as descobertas antes de ir ao ar o documentário intitulado "As Cidades perdidas do Egito", que descreve os resultados e as técnicas utilizadas. "Eu não podia acreditar na descoberta", disse Parack, citada pela BBC. "Escavar uma pirâmide é o sonho de todo arqueólogo", afirmou.

A equipe de pesquisa também encontrou mais de mil tumbas e três mil câmaras, segundo o relatório. Imagens em infravermelho captadas pelos satélites a 700 km de altura revelaram a presença das estruturas abaixo da terra. Os satélites utilizaram poderosas câmeras que podem &…

Somos todos reféns do petróleo

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O petróleo é o grande vilão ambiental. Ele e todos os seus derivados, que são tantos que não tenho certeza de conseguir enumerar ao menos a metade deles. Vivemos em plena era do petróleo, e somos tão dependentes dele que hoje absolutamente tudo o que manuseamos no nosso dia a dia tem a implacável presença do óleo negro que nos veio de herança de eras jurássicas. Tudo estava lá, soterrado, no fundo do planeta, e nós trouxemos à tona, à luz do dia, para o meio do mundo atual, a sobra de um mundo que mal sabemos como foi.

Atrás dele vamos cada vez mais fundo no planeta. Por causa dele vamos à guerra. Em nome dele construímos a nossa civilização. E a nossa civilização não sobrevive sem ele. Por mais que falemos em energias alternativas, o petróleo é tudo, está em tudo e nada lhe escapa. A humanidade é refém incontornável do óleo negro das profundezas. Sabemos o mal que ele causa, mas não sabemos mais viver sem ele. Como saúvas desesperadas, depois de cortarem todas as folhas do entorno do…

Meio século de corrida maluca

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Faz hoje 50 anos que o astronauta soviético Yuri Gagarin se tornou o primeiro ser humano a orbitar o planeta Terra. O famoso astronauta soviético completou a órbita no dia 12 de abril de 1961, na apertada cápsula espacial Wostok. O hoje celebrado como um herói nacional, mesmo depois do fim do império soviético que o popularizou, apostou literalmente a sua vida no projeto. Mantido em segredo até o momento da glória no espaço, o projeto contava com a própria morte de Gagarin durante os arriscados procedimentos de lançar um homem ao espaço.

De fato, um livro escrito 50 anos depois por Yuri Baturin revela documentos, até agora mantidos em segredo, que relatam inúmeras panes e acidentes graves que ocorreram até o dia do lançamento de Gagarin. O incrível lance de sorte colocaria os russos na vanguarda da estúpida e onerosa corrida espacial que marcou a guerra fria entre o ocidente e o oriente, nos anos 60. Para os dirigentes de ambos os lados a morte de um astronauta era o que menos importa…

De mouse pelo universo

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O sistema solar não é mais um grande mistério para os usuários da internet. O Solar System Scope (SSS), ou Telescópio do Sistema Solar, é um site criado por quatro fãs de astronomia eslovacos que mostra o espaço em uma animação em três dimensões. No site, o usuário pode mover o sistema solar e observá-lo de diferentes ângulos somente com o movimento do mouse. A ferramenta usou cálculos da NASA para posicionar precisamente todos os objetos celestiais. Segundo os desenvolvedores do site, a ideia foi fazer um modelo tão amigável que qualquer pessoa possa entender o movimento dos planetas e reconhecer as constelações. O site permite também que o usuário calcule a distância entre os planetas em determinado momento. “Nós estamos apenas começando, mas queremos melhorar o caráter educacional do projeto. Queremos popularizar a astronomia, especialmente entre os jovens”, afirmou Mito Sadlon, líder da equipe que administra o SSS. Mito promete uma versão do sistema em português em breve. O site …

Academia de falsos doutores

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Karl-Theodor zu Guttenberg perdeu o título de doutor e o cargo de ministro da defesa da Alemanha.

Eu sempre imaginei que a fraude científica fosse uma praga que se dá muito bem nas universidades brasileiras. Afinal, a nossa orgulhosa academia se move num planeta à parte, que é o Brasil. Neste mundo em particular, as falsidades mais óbvias são movidas pelas teclas control+C e control+V, que são o meio mais rápido, barato e fácil de construir trabalhos de conclusão de curso, dissertações de pós-graduação e até partes substanciais de teses de doutorado.

Num caso recente na USP, por exemplo, um conceituado professor foi sumariamente demitido do corpo docente da universidade simplesmente porque o seu doutorado, tão apreciado no mundo científico, havia sido construído sobre a movediça areia do plágio de textos de autoria alheia.

Também sempre imaginei que o nosso meio acadêmico fosse um dos poucos terrenos férteis em que proliferam ghostwriters de trabalhos acadêmicos. Eles são discretos. Mas …