Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Ecologia

A solidariedade afasta os abutres

Imagem
Com a marca da morte atingindo o nível de quase 700 pessoas e ainda incontáveis desaparecidas – sem levar em consideração os milhares de animais de todos os portes que morreram sob a lama e a água –, o cheiro de cadáver começa a tornar o ar insuportável na outrora bela serra do Rio de Janeiro.

Os abutres vivem da morte alheia, e esta condição lhes é natural e até necessária. Mas não são os abutres que estão aparecendo em grande quantidade naquele cenário de tragédia. Em meio à crescente horda de gente solidária e disposta a ajudar, infiltram-se os insensíveis que se aproveitam da desgraça alheia para se dar bem.

A primeira espécie desses abutres são os que se aproveitam do abandono dos lares e estabelecimentos comerciais atingidos para surrupiar objetos de valor. Aconteceu também aqui, em Blumenau. E não eram bandidos, no estrito sentido da palavra. Era gente comum, que nunca roubou, sem ficha corrida na polícia. Eles chegam como quem não quer nada, até ajudam quando solicitados, mas nã…

Chernobyl será aberta a visitação

Imagem
Elena no topo de um edifício abandonado na cidade fantasma.

No dia 26 de abril de 2011, o acidente nuclear de Chernobyl completa 25 anos. Naquele ano de 1986, foi um dos eventos mais terríveis da história moderna. As autoridades da então União Soviética fizeram de tudo para minimizar os fatos, distorcer as informações e esconder a realidade.

O acidente de Chernobyl foi o triste resultado de uma série de erros, descuidos com a segurança e negligências, que fizeram o reator número quatro da Usina Nuclear explodir. Aconteceu na União Soviética. Um trunfo para o ocidente, mas foi um mero acaso ter ocorrido ali e poderia ter sido em qualquer outro local servido por energia nuclear, inclusive nas usinas vaga-lume de Angra, verdadeiras bombas-relógio em pleno território tupiniquim. E, pior, pode repetir-se novamente, a qualquer momento.
Na verdade, até hoje não se sabe exatamente quanta gente aquele desastre nuclear, o maior da história, vitimou. Os dados “oficiais” falam em 3 mil pessoas. Para…

Papai Noel anti-ecológico

Imagem
Por Edelberto Behs

O planeta Terra terá que suportar demandas de matéria-prima extraídas da natureza para dar conta da produção dos presentes que serão distribuídos na festa do Papai Noel deste ano. Estudo da Worldwatch indica que o mundo extrai da Terra, a cada dia, o equivalente a 112 edifícios Empire State. Em 2006, mostra o estudo Estado do Mundo 2010, a humanidade gastou 30,5 trilhões de dólares em bens e serviços, seis vezes mais do que os 4,9 trilhões gastos em 1960.

Entre 1960 e 2005, a produção de metais cresceu seis vezes, a de petróleo oito e o consumo de gás natural 14 vezes. No total, 60 bilhões de toneladas de recursos são extraídos anualmente da natureza, cerca de 50% a mais do que há 30 anos. Só em 2008, pessoas adquiriram 68 milhões de veículos, 85 milhões de geladeiras, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de celulares.

O Indicador de Pegada Ecológica, que compara o impacto ecológico humano com a quantidade de terra produtiva e área marítima disponíveis para o abast…

Fazendas em prédios

Imagem
Usando a hidrocultura, o norte-americano Dickson Despommier pretende cultivar legumes, frutas e grãos em uma espécie de torre de estufas em forma de edifício nas grandes cidades. O microbiologista novaiorquino Despommier as chama de fazendas verticais.

Até agora, isso é só um projeto que ganha vida em gráficos de computador: arranha-céus de 30 andares que se erguem sobre cânions urbanos de uma megacidade. Pelo vidro das janelas, sobressai a cor verde das plantas em seu interior – trata-se de grandes estufas onde frutas, verduras e cereais são cultivados para milhares de pessoas. Nos diferentes andares das fazendas verticais, as plantações, por exemplo, de tomate, se alternam com a cultura de mandioca, terraços de arroz, campos de trigo, alfaces e batatas.
O visionário professor tem uma percepção detalhada de como a tal fazenda vertical deveria ser. As plantas cresceriam a partir do princípio da hidrocultura, em grãos de argila expandida. A luz para as plantas viria do Sol, através de um…

Vândalos do nosso próprio planeta

Imagem
O que você sente quando passa por um viaduto, um prédio, um muro, um monumento atacado pelos pichadores? Revolta? Indignação? Ou indiferença, simplesmente? Você é daqueles que aceita esse tipo de interferência, desde que não seja em algo de sua propriedade? Eu considero isso vandalismo. Não interessa, se a propriedade atacada é particular ou pública.

Mas existe um tipo de vandalismo que sempre ataca o que é de todos. Nossa indomável tendência de usar sem perguntar pelas consequências nos transforma em vândalos do nosso próprio planeta. Cada ato destrutivo, que danifica o ecossistema ao nosso redor, é vandalismo em alto grau.

E é muito pior do que aquele praticado pelos pichadores. Estes se esgueiram pela noite, atacam às escondidas, ferindo monumentos e obras públicas quando não são vistos. Lata de spray na mão, eles vão passando à altura das mãos ou escalando os edifícios em busca de mais visibilidade. Tudo para deixar a sua marca e provocar a indignação da sociedade.

O tipo de pichação…

Uma carta de Manoel Kanamari

Imagem
Aldeia Kanamari, no Amazonas

O planeta está entrando na UTI. Enchentes na China e no Paquistão, incêndios incontroláveis na Rússia e no Brasil, um calor insuportável no verão europeu e norte-americano, umidade relativa do ar próxima de zero no centro-oeste brasileiro...

Enquanto isso, sucedem-se meetings, cumbres, cúpulas, protocolos e acordos que não chegam a acordo algum. Fala-se em mudanças para não ter que mudar nada. Divulgam-se aos quatro ventos centenas de experimentos com novos combustíveis, veículos com emissão zero e energia limpa, mas ao mercado continuam chegando bólidos com duzentos, trezentos e até quatrocentos cavalos sob o capô, que engolem mais gasolina do que poeira... Usinas hidroelétricas gigantescas continuam sendo construídas. A pesquisa nuclear continua a todo vapor. Ninguém vai parar a exploração de petróleo, em um único poço que seja, em qualquer parte do mundo. A economia sustentável é uma conversa fiada tão gigantesca quanto a poluição gerada pelo desenvolvime…

A primeira tampa que "funciona"

Imagem
Fecha-se o vazamento no fundo do mar, canaliza-se o óleo mortal, para que seja jogado na atmosfera do planeta depois, por meio de milhões de outros pequenos vazamentos que movem a economia do mundo...
Na noite passada, uma primeira notícia positiva veio do Golfo do México. A empresa petrolífera britânica BP disse que conseguiu interromper temporariamente o vazamento de petróleo, depois de quase três meses de tentativas decepcionantes. O anúncio foi feito logo após engenheiros terem fechado a última das três válvulas de um dispositivo colocado sobre o poço, a 1.500 metros de profundidade. A fase de testes deve durar 48 horas, durante as quais os engenheiros medirão a pressão sob a tampa instalada sobre o poço. Alta pressão significa que o procedimento está funcionando. Baixa pressão indicaria a existência de um vazamento em outro ponto.

Se os resultados dos testes forem positivos, o sistema será conectado a dutos, que direcionarão o óleo para navios na superfície. O mecanismo é temporár…

Vida boa longe do problema

Imagem
Você pensa que os responsáveis pela maior lambança energética da história humana estão preocupados em resolver o problema? Enquanto a graxa grudenta sangra há dois meses do fundo da Terra, nas profundezas do Golfo do México, Tony Hayward pega o seu luxuoso iate e vai velejar. Ele quer de volta a doce vida do passado, longe dos problemas e bem pertinho do luxo e da felicidade.

Não que ele não tenha direito a isso, ou que devessemos invejá-lo ou amaldiçoá-lo por causa do seu desejo de paz e sossego. Ele tem muito dinheiro e pode comprar o que quiser, inclusive o direito de velejar num luxuoso iate, num mar azul e despoluído, longe daquela meleca grudenta que boia, impávida, empestiando as águas do Golfo do México.

O único problema de Hayward é ele ser quem é, ou seja, nada menos que o Diretor da Brittish Petroleum, a entrementes tristemente famosa BP, a incompetente companhia petrolífera britânica causadora do maior desastre com o ouro negro de que se tem notícia na história humana. A Cas…

Stammtisch, Lederhosen e Blasmusick

Imagem
O verdadeiro motivo para comemorar hoje não é a provável vitória do Brasil na Copa sobre a Coreia do Norte, mas a decisão do juiz Osmar Tomazoni, titular da Vara da Fazenda Pública, que concedeu liminar ontem à tarde, suspendendo a execução do contrato de privatização do tratamento de esgoto de Blumenau.

Tomazoni determinou a retirada imediata de todos os funcionários da empresa Foz do Brasil (que nome, hein? Vocês têm que ouvir a Voz do Brasil!) das instalações do Samae e o cancelamento das suas senhas no sistema da prefeitura. Ou seja, a empresa é privada, mas eles estão nos quadros do funcionalismo público.
Comemoro também a ação do promotor Gustavo Ruiz Diaz, do Ministério Público Estadual, autor da ação civil pública que levou à decisão do juiz. Eternos e audaciosos vigilantes, esses promotores percebem quando o povo está sendo ludibriado e a lei tratada como pano de chão.
Não se pode esquecer também do empenho do coordenador jurídico do Comitê Contra a Privatização do Esgoto, o ad…

Quem é culpado pela lambança?

Imagem
A catástrofe interminável; assim já é conhecida, entrementes, a maior tragédia da história humana da exploração de petróleo. No início ela foi comparada ao desastre do petroleiro Exxon Valdez, em 1989.

Mas, aos poucos, depois de 40 dias de óleo jorrando do fundo do mar, a referência é outra. Cada vez mais especialistas não têm dúvida: em termos de desastres motivados por causa da sede humana por todo tipo de energia, o parâmetro agora é Chernobyl. Quem se lembra da explosão da usina atômica na Ucrânia?

Bem, isso foi em 1986. Quem nasceu naquele ano, já tem 24 anos. Mas, para quem nunca viu, pode fazer uma viagem virtual pela “Terra dos Lobos” e conhecer as cidades fantasmas da região (http://www.kiddofspeed.com/chernobyl-land-of-the-wolves/author.html). Elas estão lá, como um mórbido museu da maior tragédia atômica depois de Hiroshima e Nagasaki.

Agora o cenário mórbido se repete num jorro interminável, em milhões de fotos que nos vêm da região do desastre no Delta do Mississipi. Pássar…

Pedido irrecusável

Imagem
“Pare de usar lâmpadas incandescentes que nós paramos de fazer cartazes como este”. Cartaz da Y&R Dubai para Ecobility.

Hidro-pirataria na foz do Rio Amazonas

Imagem
Já começou. No século em que a maior disputa não será por petróleo mas por água potável, navios-tanque estrangeiros estão fazendo um despudorado tráfico de água doce captada no Brasil.

A denúncia está na revista jurídica Consulex 310, de dezembro de 2009, num texto sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o mercado internacional de água. Segundo a revista, “navios-tanque estão retirando sorrateiramente água do Rio Amazonas”. Empresas transnacionais, como a Nordic Water Supply Co., da Noruega, já firmou contrato de exportação de água para a Grécia, Oriente Médio, Madeira e Caribe.

A água é captada na foz do rio, onde cada embarcação é abastecida com 250 milhões de litros de água doce a ser engarrafada na Europa e Oriente Médio. O interesse pela água farta do Brasil é grande, uma vez que é mais barato tratar águas usurpadas (US$ 0,80 o metro cúbico) do que realizar a dessalinização das águas oceânicas (US$ 1,50).

A prática já vem ocorrendo há algum tempo e foi denunciada pela Agênci…