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Mostrando postagens com o rótulo Eleições

Presidente tem que ser crente?

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Carta pastoral sobre eleições

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Xenofobia dividindo poderes

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Derrotada já no primeiro turno, Marine (comemorando o resultado nas urnas com o pai e mentor da extrema direita francesa, Jean Marie Le Pen) é a grande vitoriosa das eleições francesas de 2012.

As eleições francesas e gregas representam mais um passo firme numa direção temerosa no continente europeu. Não por causa da vitória da esquerda na França com François Hollande, que até representa um bom sinal à primeira vista. O que preocupa realmente são os desdobramentos que se desenrolaram nos bastidores das campanhas eleitorais e os resultados que emergiram das urnas.

No parlamento grego a xenofobia conquistou representação significativa e, com isso, um espaço na mesa de negociações do futuro da sociedade que inventou a democracia e pode pagar caro por isso em breve.

Já na França, o país que deu origem à moderna democracia através da Revolução Francesa (Liberté – Egalité – Fraternité), a fraternidade foi lançada na crescente fogueira da xenofobia. A igualdade tem pretensões de exclusão p…

A democracia dá um show

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A Argentina acaba de dar um show de democracia e civismo. A reeleição da Presidenta Cristina Kirchner, que amealhou impressionantes 53,7% dos votos válidos na eleição majoritária do último final de semana, liquidando a fatura de modo incontestável no primeiro turno, foi simplesmente um espetáculo. Seu maior adversário na disputa ficou com uma sonora minoria de 17% do total dos votos dos argentinos.

É uma mensagem clara, avassaladora, de que a presidenta é a apaixonada opção dos argentinos. Para Cristina, foi sdimplesmente o maior triunfo eleitoral desde a volta da democracia, depois do sangrento regime militar terminado em 1983. Para a elite argentina e latino-americana, um osso duro de engolir. Para a democracia, um espetáculo que poucos países são capazes de dar. Parabéns aos argentinos. Parabéns a Cristina.

Voto feminino para inglês ver

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Definitivamente, vivemos num mundo do faz-de-conta. Quando se quer dar uma determinada impressão, vale até simular, disfarçar, mentir abertamente ou simplesmente manter as aparências.

A tática foi usada no início desta semana pelo ancião que reina todo-poderoso sobre a Arábia Saudita. Abdullah Bin Abd AL-Asis, 87 anos, num ato surpreendente e que foi notícia em todos os recantos do planeta, autorizou as mulheres a exercer pela primeira vez seu direito de voto e de candidatura numa eleição no país.

Alguns festejaram. Infelizmente, crendo tratar-se de uma abertura real. Mas, em lugar de ser um reconhecimento tardio de um direito há muito conquistado pelas mulheres no ocidente, o ato do rei saudita não passa de uma esperteza política. Afinal, a monarquia saudita sempre primou pelo forte conservadorismo islâmico ao longo de seus 80 anos de existência.

Não seria agora, em plena ventania democratizante do chifre africano, que a abertura chegaria com força ao regime. E as mulheres foram, a…

Pirataria no parlamento

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Você concorda que nem todo mundo que baixa uma música ou um filme da internet é pirata? Pois na Europa existe um partido político que pensa exatamente assim. Surgido na Suécia em 2006, esse partido popularizou-se rapidamente, principalmente por conta de sua familiaridade com a internet. E eis que, no domingo passado, 18 de setembro, a Piraten Partei fez quase 9% dos votos nas eleições parlamentares e consegue, pela primeira vez, representação num parlamento estadual na Alemanha. Eles vão compor a bancada estadual no estado de Berlim.

Fundado na Alemanha também em 2006, o Partido Pirata cresceu rapidamente e já conta com 13 mil membros em todo o país. Os membros do partido argumentam que nem todos que baixam músicas e filmes do site Pirate Bay deveriam ser considerados criminosos. O paradigma da era digital não é mais a posse, mas o acesso, argumentam piratas em todo mundo.

Além da questão da internet, um dos principais pontos do programa do Partido Pirata é a tentativa de estabelecer…

Água mole em pedra dura...

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Eles insistem, insistem e, quem sabe, um dia, conseguem. Como se não bastasse o avanço da extrema-direita em todo o continente europeu, vazou ontem (5 de abril) a iniciativa do partido italiano Povo da Liberdade (PDL), legenda do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, de apresentar ao Senado da Itália um projeto de lei que busca revogar a proibição do fascismo no país.

O vazamento da informação provocou grande polêmica entre a oposição, que se mostrou surpresa e espantada com a iniciativa.

O projeto de lei apresentado é intitulado “Derrogação da 12ª disposição transitória e final da Constituição”, em referência à parte da Carta Magna de 1948 que indica que fica “proibida a reorganização, sob qualquer forma, do dissolvido Partido Fascista”.

A iniciativa do PDL foi qualificada de muito grave e ofensiva para a história do país e da república e para a democracia, e qualificado de um ato de provocação insuportável.

O Brasil e a guerra dos fundamentalismos

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Sarah Palin: A beleza americana tem alma fundamentalista

A realidade político-religiosa nos EUA sempre foi marcada pelo fundamentalismo e pelo extremismo exacerbado de direita. Fica até complicado para um brasileiro, como eu, entender a cabeça daquela gente. A base de tudo, ali, não é a política, mas o fundamentalismo religioso. Este é um complicador histórico e de difícil solução. Embora alguns segmentos mais radicais dos nossos partidos mais à direita tenham realizado um apagado movimento de jogar com argumentos religiosos numa campanha presidencial, no ano passado, nada faz sequer lembrar o que acontece neste campo escorregadio nos EUA. Não há nada parecido no ocidente.

Em poucas palavras, quem determina os movimentos decisivos no tabuleiro da política norte-americana é o fundamentalismo construído sobre os legados históricos do movimento evangelista, com destaque para Billy Graham e seus filhos, Jimmy Swaggart, Rex Humbard e muitos outros. Eles passaram a vida semeando o ideário no…

A Folha forçando a barra (de novo)

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A Folha de S. Paulo – a mesma que declarara seu voto em José Serra em um polêmico editorial durante as eleições – não perde a oportunidade de tentar denegrir a imagem da presidente recém-empossada. No último domingo (9 de janeiro), tentando mais uma vez criar conflito entre Dilma Roussef e os evangélicos, lascou a escandalosa manchete na capa: “Bíblia e crucifixo são retirados do gabinete de Dilma no Planalto”.

A matéria abaixo da manchete noticiava: “em sua primeira semana, Dilma Rousseff fez mudanças em seu gabinete. Substituiu um computador por um laptop e retirou a Bíblia da mesa e o crucifixo da parede. Durante a campanha eleitoral, a então candidata se declarou católica e foi atacada pelos adversários sob a acusação de ter mudado suas posições religiosas”.

O monstruoso factóide que o jornal paulista tentou passar não se sustentou por mais de alguns minutos. Mas, como sempre, desmentido nenhum foi publicado. Graças a quatro curtas mensagens no Twitter, a ministra Helena Chagas, da …

Baixaria em campanha é isso!

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Se você achou a campanha presidencial brasileira uma das campanhas de mais baixo nível da história, então precisa ver o que está acontecendo nos EUA. A um mês e meio das eleições para o novo congresso americano, a ultra-direita conservadora extravasou toda sorte de impropérios sobre o presidente Barak Obama, deixando claro que detesta o atual ocupante da Casa Branca. É uma gama quase infindável de criatividade. Não faltou nem mesmo o bigodinho de Hitler no rosto do presidente. A idéia é protestar contra o que os extremistas consideram o fim: os Estados Unidos perderam o respeito do mundo e estão falidos. Culpa de Obama.
Um ataque fundamentalista a Obama: „Não é o meu Deus”, insinuando que o presidente lê e rege algumas de suas decisões pela obra de Karl Marx.

A saudade de um tempo em que se tinha bem claro quem é quem. Este militante não esqueceu o extinto inimigo do lado de lá da Guerra Fria, e deixa bem claro: o presidente Obama é um comunista! Cuidado com ele!

O bótom da militante é…

O aborto e as eleições

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Dom José Cardoso Sobrinho excomungou a menina de 9 anos que abortou em 2009. Agora, o Brasil diz que ele é do bem e agiu corretamente.

No ano passado uma menina de 9 anos, grávida de gêmeos após abusos do padrasto, realizou o aborto legal na cidade do Recife. Na época, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, excomungou a garota, a mãe e os médicos que realizaram o procedimento na menina. O estuprador não foi excomungado, embora tivesse nome e endereço e, com certeza, registro de membro na igreja católica.

Agora, o tema do aborto voltou à discussão no Brasil por uma via absolutamente torta e questionável: é usado como golpe abaixo da linha de cintura para derrubar o adversário numa eleição presidencial. Tenta-se ganhar votos com argumentos pseudo-religiosos.
Ou são muito burros ou realmente usam de tacanha má fé para não esclarecer a flagrante diferença que há entre apoiar o aborto como meio de controle do crescimento populacional – o que seria criminoso e perfeitame…

Guerra suja na Wikipedia

A versão em português da enciclopédia eletrônica Wikipedia decidiu suspender ontem, quarta-feira (13), a possibilidade de alterar informações relacionadas aos verbetes Dilma Rousseff e José Serra. O objetivo é barrar o número excessivo de edições que ocorreram nas últimas semanas. Os verbetes não poderão ser alterados até o próximo dia 31, dia da votação do 2º turno das eleições. A informação é do Portal Imprensa.

O segundo turno da campanha presidencial, com toda a sua baixaria e guerra desmedida de bastidores, chegou à Wikipedia. Enquanto a internet foi decisiva para ajudar o eleitor americano a eleger seu presidente nas últimas eleições nos EUA, aqui ela está sendo usada para o achincalhe, o deboche, o ataque rasteiro, a difamação, e tudo o que há de mais desprezível numa campanha sem nível. Ainda precisamos amadurecer muito a nossa democracia, para que sejamos capazes de realizar uma campanha eleitoral civilizada, cidadã e, sobretudo, edificada sobre o respeito mútuo.

Um show de democracia

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As urnas eletrônicas chegaram aos lugares mais remotos de uma das mais populosas democracias do mundo, numa demonstração de competência e organização.

Um domingo festivo, sem nenhum incidente digno de nota, em que milhões de eleitores e eleitoras foram às urnas para eleições majoritárias, limpas e democráticas. Um espetáculo que se vê em poucos lugares. Nem mesmo em países do chamado primeiro mundo as eleições são tão ordeiras. Você poderia supor que estou falando da Alemanha, dos EUA, da França ou da Inglaterra. Não, estou falando do Brasil.
E o show de democracia e transparência seguiu durante a apuração. Sem incidentes, os resultados das urnas eletrônicas de todo este imenso país-continente estavam quase 100% apuradas meras cinco horas depois (eu disse horas, e não dias!). Além de um show de democracia, um espetáculo de competência e tecnologia, que dá um baile nas grandes e orgulhosas nações da Europa e da América do Norte.
Ah, você poderia dizer, mas esta grande nação democrática e …

A fome dos Silva é a de todos nós

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Marina Silva quando foi eleita senadora pelo Acre, em 1994.

Reproduzo abaixo um texto maravilhoso, que recebi do Antonio Carlos Ribeiro. “A Fome de Marina” foi escrito pelo professor José Ribamar Bessa Freire. Seu principal mérito não está na defesa da candidata Marina Silva, mas na defesa dos Silva e de seu direito a participar dos destinos desta nação. A biografia/trajetória de Marina Silva é a trajetória de milhões de brasileiros e brasileiras. O mínimo que tais heróis merecem é o respeito de quem não tem o peito de viver e de lutar do mesmo jeito. As “fomes” de Marina são também as mesmas de milhões de concidadãos. São fomes legítimas e que, antes de mais nada, merecem a nossa mais profunda admiração.
Caetano, meu caro, você vive pisando na bola e já estamos acostumados. Mas Rita, minha musa do rock, você também? Em gentil protesto contra os comentários pouco dignos de vocês dois, publico o texto de Bessa Freire aqui. Para além do protesto, porém, o publico para registrar minha adm…

E a turma mostra a que veio

Finalmente o Estadão sai do armário e assume que não está fazendo jornalismo, mas campanha aberta, com opção clara para um determinado candidato. No editorial de ontem, 26 de setembro, intitulado “O mal a evitar”, O Estado de S. Paulo declarou seu apoio à candidatura de José Serra, um candidato de “currículo exemplar”, em condições de “evitar um grande mal ao País”.

O Estadão assume assim, em definitivo, que é tendencioso, que tem um interesse bem claro com as manchetes que estampa em suas capas diárias e que está no jogo da política como um partido e não como um órgão de imprensa. Lula tinha toda razão no seu desabafo, portanto.

O Estadão ratifica, ainda, seu viés ideológico típico de classificar tudo o que vem do povo, da vontade do povo, como “facção”, coisa perigosa, de gente de menor valor, que não tem o direito de eleger quem quer que seja para colocar no palácio. O palácio é, para o Estadão, um lugar nobre demais para que uma nação de miseráveis vote com o estômago, com o bolso, …

Uma análise realista de 2010

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Dilma no estilo de Andy Warhol
Já faz algum tempo que estão me provocando para que diga a minha opinião sobre o andamento da atual campanha eleitoral e o desfecho que se aproxima, em 3 de outubro. Assino embaixo do que o presidente do Instituto Vox Populi, o sociólogo Marcos Coimbra, escreve a seguir. É uma análise sóbria, madura e realista do que esta campanha presidencial está mostrando. Será uma bela tese de doutorado debruçar-se sobre a montanha de asneiras e falsas opiniões travestidas de “a verdade” que tentaram jogar sobre o povo brasileiro nestes dias de 2010. Analisando friamente, o cenário político atual lembra um jogo de futebol de várzea. Estão perdendo o jogo de goleada e o time perdedor está tentando armar um barraco danado para acabar com a partida antes do apito final. É um vale-tudo que deixa qualquer um de queixo caído. Mas é melhor deixar este tipo de análise para depois. Vai ser mais divertido ainda... Ao texto de Marcos Coimbra. Boa leitura:

Quando, no futuro, for e…

Sabedoria anciã

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“A lei da ficha limpa coloca em risco o estado de direito no Brasil.”

A frase é do ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau, aposentado no último dia 2 de agosto. Ela confirma o que eu disse aqui (http://clovishl.blogspot.com/2010/05/para-refletir-durante-o-final-de-semana.html), citando Marcos Rolim e Aurélio Weissheimer. Eu afirmei que ela pode ser um instrumento muito eficiente para tirar adversários políticos do caminho. Citei como exemplo Nelson Mandela, o grande conciliador que construiu a moderna África do Sul livre do apartheid, depois de ter passado duas décadas preso em Roben Island, com condenação de prisão perpétua. Se lá houvesse uma lei como a nossa da Ficha Limpa, ele não teria sido candidato a presidente da África do Sul. E tudo o que fez, não teria feito.

Não sou contra a moralização nos meios políticos. Muito pelo contrário. Chega de safadeza, corrupção e descaso com o povo entre os responsáveis pela administração da coisa pública. Mas me parece perigoso apostar…

Para refletir durante o final de semana

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O Brasil inteiro está aplaudindo o projeto “Ficha Limpa”. Pouca gente parou para pensar no que isso pode dar. Em meio a essa guerra suja que é a política brasileira, quantos adversários políticos serão simplesmente removidos da corrida eleitoral por meio de estratégias montadas por advogados inescrupulosos? Bem, para refletir sobre o assunto, uma reflexão de Marcos Rolim a respeito, que dá o que pensar:
“Muitos dos corruptos brasileiros possuem 'ficha limpa' – especialmente os mais espertos, que não deixam rastros. Por outro lado, uma lei do tipo na África do Sul não teria permitido a eleição de Nelson Mandela, cuja “ficha suja” envolvia condenação por 'terrorismo'. Várias lideranças sindicais brasileiras possuem condenações em segunda instância por 'crimes' que envolveram participação em greves ou em lutas populares; devemos impedir que se candidatem?”
Vamos pensar. Só pensar. Isso é bom para o nosso País...
Para o Editor da revista Carta Capital, Aurélio Weisshe…