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Mostrando postagens com o rótulo Indígenas

Índios sujos e fedidos?

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Cerca de 28 estudantes indígenas Kaiowá e Guarani da aldeia Campestre foram retirados de uma sala de aula de uma escola estadual em Antônio João (MS), sob a alegação de que eram sujos e fedidos. A denúncia foi realizada pelo conselho da Aty Guasu, grande assembleia Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul, no último dia 12, no Ministério Público Federal do estado, em Dourados, acusando os envolvidos de crime de racismo.

A reportagem é de Ruy Sposati e publicada pelo portal do Cimi, 18-03-2013.

Atualmente, a comunidade de Campestre tem acesso, no próprio tekoha (aldeia), ao ensino básico e fundamental. Para cursar o ensino médio, os estudantes precisam sair da aldeia e estudar em colégios no perímetro urbano do município.

Segundo a denúncia, no dia 27 de fevereiro, o grupo de indígenas foi expulso da sala de aula da turma do primeiro ano do ensino médio matutino da Escola Estadual Pantaleão Coelho Xavier pelo diretor do colégio, pressionado por professores e estudantes não-indígenas…

Fim do mundo ou um novo tempo?

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Veja desconstrói o Brasil que queremos

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O IBGE e os povos indígenas

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O Brasil tem uma população de 896 mil indígenas, 36,2% deles vivendo em área urbana e 63,8% em área rural. O Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detectou 505 terras indígenas, que representam 12,5% do território brasileiro, ou 106,7 milhões de hectares.
O Censo identificou 274 línguas indígenas usadas no país. A língua dos tikunas é a mais falada (34,1 mil pessoas). Dos 786,7 mil indígenas com 5 anos ou mais de idade, 37,4% (293,9 mil) falavam uma língua indígena e 76,9% (605,2 mil) falavam português.
Do total da população indígena, 6,72% não tinham nenhum tipo de registro de nascimento e 52,9% não declararam qualquer tipo de rendimento. Nos dados divulgados na semana passada, o IBGE alerta que vários fatores dificultam a obtenção de informações sobre o rendimento dos trabalhadores indígenas, porque muitos trabalhos são realizados coletivamente e lazer e trabalho não são facilmente separáveis.
No Brasil há 100,5 homens indígenas para cada 100 mulheres…

To be or not to be?

Este vídeo demonstra que a dúvida de Hamlet não é mera retórica de teatro. Os povos originários da Terra Brasilis estão sendo confrontados com a dúvida existencial do personagem de Shakespeare no confronto diário com a civilização. Discriminação na escola, no emprego, nas ruas, na vizinhança, nos círculos de amigos... Preconceito nos ambientes em que são identificados... Disfarçar a aparência de índio para fugir da dor da pecha... Um estigma escrito na pele, no cabelo liso, nos olhos puxados, na dificuldade com a língua portuguesa... O dedo apontado: "você é índio!"

Tudo isso contribui para a dúvida avassaladora, que dói no peito como uma flechada... Ser ou não ser? To be or not to be?

Na fuga desesperada da identidade marcada em cada detalhe, a pintura agora não é mais na pele, mas no disfarce da cor do cabelo, nas unhas com esmalte, na maquiagem para mudar o tom da pele, no corte de cabelo estilo Neymar, no brinco moderninho com jeito de surfista.

O preconceito se eterni…

Nada mudou em Potosi

Essa reportagem comovente do Domingo Espetacular (Record) de ontem, 25 de setembro, mostra que pouca coisa mudou na América Latina desde o imperialismo colonial. O cenário é o mesmo: Potosi (Bolívia), a cidade mais alta do mundo. Os protagonistas são, ainda, os mesmos: indígenas latino-americanos. A situação não mudou nada em séculos: escravidão. O remédio para suportar tudo é, ainda, o mesmo: a bochecha gorda escondendo o maço de folhas de coca para serem mascadas, ajudando a suportar o que não é suportável.

Quem quiser saber como tudo começou, precisa ler, da primeira à última página, o clássico dos clássicos sobre o imperialismo no nosso sofrido continente: As Veias Abertas da América Latina, do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Ele conta como uma montanha de prata foi reduzida a escombros, por mãos indígenas e bochechas recheadas de folha de coca, aí mesmo, em Potosi. Sem ler esta obra-prima acerca do nosso trágico destino, você não sabe nada sobre a América pobre, indígena, exp…

Homenagem aos povos indígenas

Hoje é o Dia Internacional dos Povos Indígenas, proclamado pela Organização das Nações Unidas. São os ancestrais da nossa terra, os irmãos primordiais, que ignoramos desde a conquista espanhola/portuguesa/inglesa no vasto continente americano. Dizimamos sua gente, seus territórios, suas culturas, suas crenças e costumes. Invadimos suas casas, suas terras, suas almas. Nos apossamos do que era deles e os expulsamos.

Hoje, eles vivem em cantões de terras pobres, inférteis e despeladas por nossas mãos. E mesmo nesses cantões são obrigados a lutar dia e noite para que sejam respeitados, que possam permanecer ali, que tenham ao menos uma "reserva" para viver. Terra virou sinônimo de "reserva".

Mesmo neste dia chuvoso, em Blumenau, depois de vários dias de chuva intensa em Santa Catarina, não respeitamos o povo Xokleng, por exemplo. Inundamos a reserva deles para que nossas cidades não sejam inundadas. Nossos governos prometeram e não cumpriram o que combinaram para po…

Machu Picchu 100 anos

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A cidadela de Machu Picchu, um santuário da civilização Inca construído no século XV pouco antes da chegada dos espanhóis, completou neste domingo 100 anos de sua descoberta por um explorador americano. A cidade, do sul do Peru, foi posta no mapa moderno por Hiram Bingham, que chegou a ela em 24 de julho de 1911, quando esta era coberta por uma selva de exuberante flora e fauna e a divulgou à comunidade arqueológica mundial. O lugar tornou-se um ícone do turismo mundial com mais de 700.000 visitas por ano e trouxe o desafio de conservação de suas construções. O governo peruano adiantou a celebração do aniversário para o dia 7 de julho, pois esta foi a data em que Machu Picchu foi reconhecida como uma das novas sete maravilhas do mundo moderno. A capital sagrada dos Incas foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade em 1983 pela Unesco, que vigia sua manutenção.

Flagrante de violação internacional

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No último dia 20 de julho ocorreu um grave fato de violação internacional, promovido pelos EUA (surpreso?). Um voo comercial regular da Aeromexico foi proibido de sobrevoar o espaço aéreo americano em direção a Barcelona só porque a CIA determinou.

Motivo? A bordo estava a socióloga Raquel Gutiérrez Aguilar, cidadã mexicana, ativista dos direitos indígenas da Bolívia e fichada pela CIA. Seu trabalho de defesa dos direitos dos indígenas da Bolívia por duas décadas fora o motivo da ficha suja. Ela não poderia sobrevoar os EUA e, enquanto ela estivesse dentro da aeronave, também o voo 033 com destino a Barcelona não o poderia fazer. Não haveria nenhuma escala em solo americano, e Raquel tampouco permaneceria em Barcelona, onde estaria em trânsito rumo a Roma, onde teria compromissos acadêmicos.

O avião retornou ao aeroporto de Monterrey, onde ela foi retirada do avião com toda a sua bagagem. Somente então o voo 033 pode retomar sua rota normal rumo a Barcelona.

Causa estupefação internacion…

A eterna Paixão dos indígenas

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Hoje é o dia do índio. Aliás, esta é uma semana em que todas as comemorações religiosas e históricas de abril se fundem, num feriadão que pode passar uma borracha sobre alguns fatos relevantes. É uma mistura de datas, todas elas claras histórias de paixão, sofrimento e sacrifício extremos.

Há a inconfidência mineira (dia 21), história em que o corpo esquartejado de Tiradentes lembra inequivocamente o sacrifício violento de Jesus na sexta-feira santa. Ele, um simples peão do tabuleiro do xadrez dos nobres que queriam o Brasil separado de Portugal, pagou o pato por todos os que não podiam ter seus nomes arrastados na lama.

Há a duvidosa história de Cabral (dia 22), revelando a existência do paraíso à Europa, mais belo que o bíblico – as fulgurantes palavras da carta de Caminha viraram o discurso de posse desse paraíso, que foi transformado em mina e ajudou a sustentar o renascimento e a industrialização do Velho Continente. Fizeram de conta que isso aqui era o ninho de Páscoa reservado p…

Tesouro inca é devolvido ao Peru

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Um primeiro lote de 363 peças de Machu Picchu chegou a Lima, vindas da universidade americana de Yale quase cem anos depois que foram retiradas pelo explorador Hiram Bingham da cidadela inca. Segundo o ministro da Cultura do Peru, Juan Ossio, até o final de 2012 Yale devolverá todas as 46.332 peças de Machu Picchu que foram retiradas por Bingham. Ele destacou o acordo entre a Universidade de Yale e a Universidade de San Antonio Abad, de Cuzco, para desenvolver pesquisas e trabalhar juntos.

As peças serão primeiramente expostas no Palácio do Governo e, em seguida, serão enviadas à Câmara Shell em Cuzco, onde permanecerão até a construção do Grande Museu do Tahuantinsuyo. O governo peruano e Yale fizeram um acordo no ano passado para que este primeiro lote de peças volte ao Peru, para comemorar o centenário da chegada de Bingham à cidade inca.

O acordo foi alcançado após negociações em meio a uma campanha internacional lançada pelas autoridades peruanas para obter o retorno total das 46.…

Espere por sua alma

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“Quando se corre muito, há que parar e esperar pela alma”, diz um provérbio dos índios Guarany, antigos habitantes do Brasil meridional. Dá até a impressão de que os Guarany já anteviam a correria em que a humanidade se enfiou na atualidade. Se eles tinham sensibilidade para perceber quando a vida estava muito agitada, e tinham a sensação de estar ultrapassando suas próprias almas, o que nós vamos dizer?
A nossa alma come poeira desde a infância! Ja nos primeiros anos de vida, uma criança tem muitas tarefas para cumprir, em muitos casos já com compromisso como curso de línguas, atividades esportivas e outros. Na vida adulta, a impressão que se tem é que a alma já nem mais consegue alcançar a maioria das pessoas. Junto com a alma, ficaram para trás a capacidade de reflexão, de ter tempo para recuperar o fôlego e até mesmo de conseguir parar para apreciar algo marcante ou bonito, como uma abelha colhendo o néctar de uma flor.
Por isso, ainda hoje, procure dar um tempo. Pare por algum te…

Evillution e resgate do Éden

Este vídeo, criado pelo estudante de cinema brasileiro Arthur Lobo para um trabalho na Escola de Cinema de Vancouver, dá bem a ideia do massacre cultural representado pela chegada da civilização ocidental-cristã-europeia sobre as culturas originais dos povos indígenas. O que parece ser um pesadelo é, na verdade, um prenúncio do que já está ocorrendo ao redor do aparentemente ainda intocado bioma em que vive o indígena protagonista do curta-metragem.

O pesadelo já se instalou até mesmo entre as remotas culturas indígenas ainda escondidas pelo que resta da Amazônia. Seus jardins do Éden são violados e destruídos, ao mesmo tempo em que eles são lançados para a escuridão e o terror do que os brancos chamam de civilização, desconstruindo de modo violento o que seus antepassados levaram milênios para construir: culturas que desaparecem da face da Terra sem deixar marca ou registro.

Por isso, o envolvimento da igreja luterana na missão indígena através do COMIN é plenamente justificada. Sem pr…

Uma carta de Manoel Kanamari

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Aldeia Kanamari, no Amazonas

O planeta está entrando na UTI. Enchentes na China e no Paquistão, incêndios incontroláveis na Rússia e no Brasil, um calor insuportável no verão europeu e norte-americano, umidade relativa do ar próxima de zero no centro-oeste brasileiro...

Enquanto isso, sucedem-se meetings, cumbres, cúpulas, protocolos e acordos que não chegam a acordo algum. Fala-se em mudanças para não ter que mudar nada. Divulgam-se aos quatro ventos centenas de experimentos com novos combustíveis, veículos com emissão zero e energia limpa, mas ao mercado continuam chegando bólidos com duzentos, trezentos e até quatrocentos cavalos sob o capô, que engolem mais gasolina do que poeira... Usinas hidroelétricas gigantescas continuam sendo construídas. A pesquisa nuclear continua a todo vapor. Ninguém vai parar a exploração de petróleo, em um único poço que seja, em qualquer parte do mundo. A economia sustentável é uma conversa fiada tão gigantesca quanto a poluição gerada pelo desenvolvime…