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Mostrando postagens com o rótulo Reflexão

Quaresma, tempo de abstinência

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O ator Charlie Sheen lança fora a sua vida, enquanto o pai tenta desesperadamente salvá-lo.

Nesta quarta-feira de cinzas inicia o período da Quaresma, um período do ano destinado à abstinência e à penitência. Está aí algo que está fora de moda. Ninguém mais quer abster-se de nada. Vivemos na época do gozo pleno, do consumo sem limites, do prazer a qualquer custo. A abstinência não tem espaço.

Hoje, no princípio da Quaresma, vem à minha mente a imagem de algumas pessoas que viveram a vida intensamente, sem qualquer controle, sem abrir mão de nada, de absolutamente nenhum prazer. Poder-se-ia citar uma lista enorme de nomes. Mas o que me vem à mente como o exemplo mais forte do momento, é o do ator Charlie Sheen. Famoso e premiado, já habituado ao mundo da fama como filho de ator (seu pai é o ator Martin Sheen), Charlie perdeu de tal maneira o controle sobre a sua vida depois de envolver-se com diversos tipos de drogas que está entrando num buraco sem fundo. Ontem mesmo (8 de março), ele f…

Moldando a vida

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Recebo dezenas de textos filosóficos, dicas e reflexões por e-mail todos os dias, do mesmo jeito que quase todo mundo. No meio de todo esse lixo, às vezes até pastoso, gorduroso e de aspecto patético, de vez em quando aparece alguma coisa que se salva. Recebi agora, pela manhã, este e-mail do Ingo, que me chamou a atenção. É uma bela reflexão sobre o que fazer da sua vida, que somente pode ser feita a partir do ângulo do final da mesma. A autora dá preciosas dicas de como levar a vida. Nos faz lembrar que a nossa vida é como um pote de barro que as nossas mãos modelam. Podemos dar-lhe as mais diversas formas. Com um pouco de cuidado, podemos elaborar uma obra de arte. Confira:

“Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi. Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo,…

Espere por sua alma

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“Quando se corre muito, há que parar e esperar pela alma”, diz um provérbio dos índios Guarany, antigos habitantes do Brasil meridional. Dá até a impressão de que os Guarany já anteviam a correria em que a humanidade se enfiou na atualidade. Se eles tinham sensibilidade para perceber quando a vida estava muito agitada, e tinham a sensação de estar ultrapassando suas próprias almas, o que nós vamos dizer?
A nossa alma come poeira desde a infância! Ja nos primeiros anos de vida, uma criança tem muitas tarefas para cumprir, em muitos casos já com compromisso como curso de línguas, atividades esportivas e outros. Na vida adulta, a impressão que se tem é que a alma já nem mais consegue alcançar a maioria das pessoas. Junto com a alma, ficaram para trás a capacidade de reflexão, de ter tempo para recuperar o fôlego e até mesmo de conseguir parar para apreciar algo marcante ou bonito, como uma abelha colhendo o néctar de uma flor.
Por isso, ainda hoje, procure dar um tempo. Pare por algum te…

Dietrich Bonhoeffer

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No dia 4 de fevereiro de 1906 nascia o pastor e teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer. Pendurar este homem numa forca como inimigo pessoal do Führer foi um dos últimos atos de Hitler, pouco antes de ele mesmo acabar com a sua miserável vida. Mais que o espião ousado e o integrante de um grupo que planejou eliminar o ditador alemão, Bonhoeffer entrou para a história como um ser humano de extraordinária reflexão e fé, mesmo diante da iminência da morte, em 4 de abril de 1945, no campo de concentração de Flossenbürg. A sua angústia enquanto esperava pelo fim iminente foi traduzida em poesia e lirismo fascinantes. Esta canção, "Von guten Mächten wunderbar geborgen", é o melhor exemplo do que eu digo. Ouça, atentamente, o texto de Bonhoeffer no original. Para os que não entendem de alemão, abaixo uma tentativa de tradução:

Maravilhosamente protegidos por bons poderes,
consolados, aguardamos o que vier:
Deus está conosco à noite e pela manhã
e com certeza a cada novo dia.

Quando o silênci…

A lição de Paderewski

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Desejando encorajar seu filho para tocar piano, uma mãe o levou a um concerto de Ignacy Jan Paderewski. Após se sentarem, a mãe viu uma amiga na platéia e foi até ela para saudá-la. Livre para explorar as maravilhas do teatro, o menino levantou-se e suas explorações o levaram a uma porta em que se lia “Entrada Proibida”.

Quando as luzes do teatro foram reduzidas para que o concerto pudesse começar, a mãe retornou ao seu lugar e descobriu que seu filho havia desaparecido. Nisso, as cortinas se abriram e as luzes caíram sobre um impressionante piano Steinway, no centro do palco. Horrorizada, a mãe viu seu filho sentado ao teclado, inocentemente catando as notas de “Cai, cai, balão...”.

Nesse momento, o grande mestre do piano fez sua entrada. Rapidamente foi ao piano e sussurrou ao ouvido do menino: “Não pare. Continue tocando”. Então, debruçando-se sobre o garoto, Paderewski estendeu a mão esquerda e começou a preencher a parte do baixo. Logo, colocou a mão direita em torno do menino e im…

Morte junto ao rio

Minha biografia pessoal tem algumas marcas bem destacadas. Elas são como sulcos profundos na pele, que moldam não apenas a minha fisionomia, mas também o meu caráter e os próprios contornos e cores da minha alma. Boney M é uma dessas marcas. By the rivers of Babylon já foi até inspiração para uma prédica empolgadíssima, quando fui homenageado pelo Vocal Isaec com a gravação da minha Canção para a América Latina.

A impressionante história deste negro spiritual belíssimo, que conta a épica história do povo de Israel morrendo de saudades da pátria, no exílio, junto aos dois rios que cercam a Mesopotâmia, em referência ao salmo bíblico "como vamos cantar a canção do Senhor numa terra estranha?".

Letra magistral e um credo de confissão de esperança, virou um kitch romântico no Brasil, na pobre e vazia tradução cantada pela Perla (Rios da Babilônia), que falava de um romancezinho bobo, que em nada lembrava o belíssimo negro spiritual composto pelos escravos norte-americanos para tra…

O Natal do burrico

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Nesta noite de véspera de Natal, li para os meus a história de um livro natalino da Editora Sinodal, que narra a visão do burrico do espetacular acontecimento na noite de Belém. "Eu estava lá", diz o animal, que protesta por confundirem o seu nome com falta de inteligência. "Eu estava lá, enquanto animais como o leão, o rei da selva, o condor, o rei dos ares, e o tubarão, o rei dos mares, não estavam lá."

Ver o cenário do nascimento de Jesus do ângulo de visão do burro é muito interessante. E revelador. Mostra a extrema humildade da vida do maior rei de todos os tempos. E nós, seres humanos, tão apegados às pompas do poder e dos poderosos, não nos conformamos com tanta simplicidade e tamanho desprendimento.

Acostumados à ostentação, em nossa visão este rei maior deveria vir com a escolta de mil Harley-Davidson, confortavelmente acomodado no banco traseiro de uma reluzente Rolls-Royce. Ele deveria ser seguido de um gigantesco séquito de puxa-sacos com títulos de nobre…

Passeio amoroso virtual

Esta impressionante produção levou dois anos para ficar pronta. É comovente ver como este homem constrói um mundo holográfico em 3D para a sua amada, que está em coma. Com um ship acoplado à cabeça dela, ele consegue transmitir-lhe todas as sensações de um passeio real por uma cidade deslumbrante, em cujo jardim ele planta uma flor. O filme impressiona pela genial composição, mas também pelo alto grau de sensibilidade humana embutido no enredo.

Será que um dia poderemos ter tal interatividade com os computadores que seremos capazes de despertar as sensações do real a partir do virtual? Eu não duvido.

Entretanto, na minha caminhada de vida até aqui com pessoas em coma ou em fase terminal de vida, percebi que, mesmo ausentes, elas estão presentes. O coma dá a impressão de total paralização; um stand by biológico e emocional. Mesmo neste estado letárgico agudo, o doente sente, percebe, ouve e entende o que é dito em sua presença. Ele não pode reagir, mas registra, se emociona ou se apavora…

Nosso poder destrutivo e o tempo

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O poder de destruição da espécie humana é impressionante. Que o diga esta obra de arte (clique sobre a imagem para ampliar), que compara o tempo geológico com o tempo de existência da humanidade sobre o planeta. A Terra, segundo os cientistas, tem a idade de 4 a 5 bilhões de anos. Já o ser humano, desde que é homo sapiens, tem em torno de 200 mil anos. Mas o período conhecido, registrado da história humana sobre a face do nosso planeta, tem somente cerca de 5 mil anos.

Na escala do tempo desta espiral, que leva em conta os 4 a 5 bilhões de anos e as diferentes eras geológicas, passando pelo surgimento dos primeiros organismos vivos, pela evolução até a origem dos mamíferos, passando pelos dinossauros, a história da humanidade representa somente um curto trechinho de menos de um centímetro nesta quilométrica espiral do tempo.

Se pegássemos esse trechinho de um centímetro que representa a história da presença humana sobre a terra e o dividíssemos num dia de 12 horas, o período com registr…

Baruleira dentro da cabeça

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Ao dar uma passada habitual no blog do meu amigo Marcelo, encontrei um post que é uma obra-prima de texto. Não resisti. Control C + Control V nele, para que você também tenha acesso ao mergulho de Marcelo em seu mundo mais íntimo. É pura sensibilidade com a vida; emoção vertendo pelos poros. Aprecie sem moderação:

Foi perto das quatro da manhã. Acordei de repente. Achei que iria dormir profundamente a noite toda, como havia acontecido na noite anterior. Que nada. Lá estava eu, de olhos esbugalhados, no escuro do quarto, olhando para os números verdes do mostrador digital da tevê. Silêncio absoluto.

É impressionante a barulheira que se ouve na nossa cabeça num momento de insônia como esse. Parece que os problemas, as preocupações, as ansiedades, medos e esperanças têm voz e estão todos falando ao mesmo tempo. É como se todos saíssem da toca quando notam que a gente dormiu.

Acordar no meio da madrugada é como flagrar os assuntos na nossa cabeça batendo papo animadamente, como se estivessem…

70 anos de Taizé

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Os jovens são atraídos de modo especial pela comunidade
No dia 20 de Agosto de 1940, em meio à II Guerra Mundial, o irmão Roger chegou a Taizé, com o projeto de fundar uma comunidade. Morreu a 16 de Agosto de 2005, assassinado por uma senhora bem no meio da oração comunitária da noite, diante dos celebrantes. Lembro hoje este duplo aniversário, dos 70 anos da fundação da Comunidade e dos cinco da morte do irmão Roger.

Segundo o secretário-geral da Federação Luterana Mundial, Ishmael Noko, “Não podemos lembrar-nos da violenta morte do irmão Roger sem estarmos ainda mais conscientes de que ele foi testemunha de uma outra visão de vida. O empenho de Taizé pela reconciliação, a paz e a unidade da humanidade é mais atual do que nunca.”

Segundo o secretário-geral do Conselho Mundial das Igrejas, Olav Fykse-Tveit, “A ‘parábola da comunidade’ foi um serviço pioneiro: inspirou Igrejas do mundo inteiro e é um modelo para estas atenderem às necessidades espirituais e materiais do povo de Deus e, ma…

A arrogância leva ao desastre

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O diálogo a seguir é verídico. Ele aconteceu em outubro de 1995, entre o comandante de um porta-aviões da Marinha Americana e as autoridades costeiras do Canadá, próximo ao litoral de Newfoundland.

Os americanos começaram calmos, transmitindo pelo rádio:
– Favor alterar seu curso 15 graus para norte, para evitar a colisão com a nossa embarcação. Câmbio.

A resposta dos canadenses foi imediata:
– Recomendo mudar o seu curso 15 graus para sul. Câmbio.

A resposta já veio repleta de irritação, denotando empáfia e autoritarismo:
– Aqui é o capitão de um navio da Marinha Americana. Repito, mude o seu curso!

Mas o canadense insistiu:
– Senhor capitão. É altamente recomendável que mudem o seu curso atual.

A caldo começou a engrossar, com o capitão americano berrando ao microfone:
– Este é o porta-aviões USS Lincoln, o segundo maior navio da frota americana no Atlântico! Estamos acompanhados de três Destroyers, três fragatas e numerosos navios de suporte! Eu exijo que mudem o curso em 15 graus para norte…

A impressão que deixamos é única

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Cada um de nós tem um modelo único de minúsculas linhas nos dedos, que nos diferenciam uns dos outros de maneira inconfundível. Não há possibilidade de que tais linhas se repitam em outra pessoa, mesmo daqueles que já morreram ou dos que ainda irão nascer. Todas as pessoas podem ser diferenciadas umas das outras por meio da sua impressão digital. Nem mesmo uma cicatriz pode alterar a configuração original da identificação exclusiva de cada um.

Essa intuição já existia no século 14, na Pérsia, onde já havia papéis que tinham a assinatura e a impressão digital como forma de identificação. Mas o dia 28 de julho de 1858 ficou marcado no calendário como o dia em que um funcionário britânico adotou o método pela primeira vez para identificar os funcionários de uma empresa em Calcutá, na Índia. Era sir William Herschel, que já não suportava mais ter mais funcionários na fila do pagamento do que a empresa tinha nos registros. Todos os meses era o mesmo suplício. Com a identificação pela impres…

Le Ballon Rouge

Albert Lamorisse «Le Ballon Rouge» (1956) from radioelectron on Vimeo.
Esse filme de cerca de 30 minutos ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1956. O diretor é Albert Lamorisse, que conta a história de um menino que "liberta" e cativa afetivamente um balão vermelho nas ruas de Paris. Cinema puro, quase sem palavras. Lindo.

Em nome de Deus?

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O filósofo judeu Martin Buber, na versão de Andy Warhol

“Deus é a palavra mais vilipendiada de todas as palavras humanas. Nenhuma tem sido tão manchada, tão mutilada... As gerações humanas têm feito rodar sobre esta palavra o peso de sua vida angustiada, e a têm espremido contra o solo. Jaz no pó e suporta o peso de todas elas. As gerações humanas, com seus partidarismos religiosos, têm desgarrado esta palavra. A têm matado e se deixado matar por ela. Esta palavra leva suas impressões digitais e seu sangue... Os homens vestem um manequim e escrevem debaixo dele a palavra ‘Deus’. Assassinam-se uns aos outros e dizem: ‘o fazemos em nome de Deus’... Devemos respeitar os que proíbem esta palavra, porque se rebelam contra a injustiça e os excessos que com tanta facilidade se cometem com uma suposta autorização de ‘Deus’.”

Este desabafo de Martin Buber me faz pensar que o recém-falecido escritor José Saramago tinha razão na sua ácida crítica às religiões. Nós, em nossas instituições, templos …

Os morangos que não cabiam

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Durante muito tempo, a cristandade tem enfatizado que o ser humano é o ápice da Criação. Segundo o Gênesis – que não é, não deve e não pode ser encarado como um relato científico da origem das coisas, mas como um credo primitivo de que Deus criou tudo! –, Deus concluiu a sua criação moldando um boneco de barro à sua imagem e semelhaça e soprando o fôlego da vida em suas narinas. Este último ato da criação foi uma espécie de morango no topo do seu bolo criativo.
Mas o tempo provou o contrário. No seu íntimo, Deus deve ter se arrependido sinceramente do seu exagero criativo. Um arroubo criativo final, que poderia ter ficado de fora. Não fazia falta alguma. Tudo era perfeito naquele bolo. O problema eram os morangos. Não cabiam.
Não é de hoje que se pensa assim. Encontrei uma verdadeira pérola do padre António Vieira (1608-1697) sobre este tema. António veio de portugal aos seis anos e aqui tornou-se padre jesuíta. Foi um incansável defensor dos direitos humanos dos povos indígenas, indig…

A traça e a ferrugem

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Tanto cuidado e amor pelas coisas Tanto apego e desejo de possuir Sonho que maltrata que é concretizado logo se transforma em desejo do passado. Quantos truques e segredos para manter a jovialidade, o brilho... Um pequeno lapso de tempo transforma tudo em ferrugem. Nossos objetos do desejo, nossos sonhos e anelos, a nossa própria vida enferrujada e sem sentido, qual carro outrora belo e imponente, transforma-se também em sucata soterrada pelo tempo.

O Palhaço de Kierkegaard

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Em sua obra “Either/Or” (Ou isso, ou aquilo), o filósofo e teólogo Soren Kierkegaard (1813-1855), o pai do existencialismo, conta uma história emblemática sobre um palhaço que tem a tarefa de anunciar à plateia que o circo está pegando fogo. Vejam a história (acima, em destaque, na página do livro em inglês, e a seguir, em tradução livre):

“Deflagrou um incêndio nos bastidores de um teatro. O palhaço apresentou-se para dizê-lo aos espectadores. Estes julgaram tratar-se de uma piada e aplaudiram. Ele falou-lhes novamente, e eles acharam ainda mais engraçado. É desta forma, penso eu, que o mundo será destruído – entre a universal hilaridade de avisos e acenos que são encarados como piada.”

A desnecessária repetição da crucificação

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Filipina católica Mary-Jane Mamangun é pregado numa cruz como uma reencenação da crucificação de Cristo, na aldeia de San Juan, ao norte de Manila, nas Filipinas, em 02 de abril de 2010. (Getty Images)

Nas Filipinas atos de crucificação real transformaram-se em ritual santo e atração turística ao mesmo tempo. Em vista disso, as igrejas católica e protestante conclamaram o povo a abandonar esta prática e a expressar sua fé e sua penitência de outra maneira durante a semana santa.

“Se Jesus estivesse vendo aqueles que se auto-flagelam ou se crucificam a si mesmos, perguntaria a si mesmo ‘por que eles precisam fazer todas essas coisas se eu próprio já fui crucificado e morri pelo mundo e por toda a humanidade?’”, disse o rev. Rex Reyes, secretário-geral do Conselho Nacional de Igrejas nas Filipinas.

Ele se pronunciou depois que 27 penitentes, entre eles duas mulheres, se deixaram pregar em cruzes, em Manila, na quinta-feira santa. Segundo a polícia, cerca de 50 mil pessoas, turistas estrang…

O sofrimento que produz salvação

A Sexta-feira Santa é um dia de luto para a cristandade, que rememora a morte e o sofrimento de Jesus. Embora uma minoria de cristãos pleiteie a cruz vazia como símbolo máximo da fé cristã – sem o corpo de Jesus a cruz remete para a Páscoa e a ressurreição –, ainda é o corpo sofrido de Cristo, pendurado no madeiro, que mais impressiona e mexe com a fé de milhões de adeptos em todo o mundo.

Numa sociedade que se afasta sistematicamente da morte e recusa contato com ela, não deixa de impressionar este laço afetivo tão forte com o Jesus Morto. Embora para muitos a alegria da Páscoa seja mais celebrada do que a visão da dor da Paixão sextafeirina, não é possível alegrar-se sem ter a cruz, o sangue, a coroa de espinhos, a sepultura, a dor das Marias, a insegurança angustiada dos discípulos, o sadismo dos soldados romanos e a covardia ambígua de Pilatos como panos de fundo.

É um velório anual repleto de luto, dor e estupefação. Não aceitamos a crueldade humana contra o filho de Deus. Repudiam…