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Mostrando postagens com o rótulo Teologia

Impiedosa superficialidade

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As pessoas têm uma facilidade impressionante em emitir juízos superficiais umas sobre as outras, sobre as idéias e projetos alheios, sobre livros, filmes, coisas que se diz e se faz. A superficialidade reina nessas análises. E elas costumam ser bem duras, impiedosas e quase sempre afiadas como lanças. Em nossa sociedade impera uma tendência de desfazer o outro, de reduzir a pó seus feitos, suas idéias e pensamentos, de bater sem piedade.

Essa tendência agravou-se ainda mais com a internet. As redes sociais são o verdadeiro paraíso do hábito de desfazer o que não foi construído por nossas próprias mãos. Estou pensando concretamente, por exemplo, no pastor da Assembléia de Deus Bethesda, Ricardo Gondim, que de tanto levar na cabeça e ver sua teologia e sua ideologia enxovalhadas por posts impiedosos, retirou-se das redes sociais. Ele faz falta. As suas mensagens diferenciadas, bem-fundamentadas e escritas com muita propriedade desapareceram. É uma pena. Conseguiram calar uma voz expres…

O estado laico deve ser ateu?

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A recente controvérsia sobre a presença de símbolos religiosos em repartições públicas dá muito pano para manga. Dizem aqueles que querem ver as assembleias legislativas, as câmaras de vereadores, os gabinetes das autoridades, os tribunais e toda e qualquer parede de repartição pública livre de crucifixos, que este é um imperativo constitucional de um Estado que se auto-define “laico”. As igrejas é que andam escandalizadas com isso.

Na verdade e a bem dela, essa onda nem deveria escandalizar tanto assim as igrejas. Quem tem memória, irá lembrar que no seu próprio seio houve e há movimentos que querem banir os crucifixos até das próprias igrejas e de seus altares. Os defensores dessa onda “anabatista” argumentam que o crucifixo remete ao Jesus morto, que não se encontra mais na cruz, uma vez que ressuscitou na Páscoa. Agora querem escandalizar-se porque a crescente secularização do mundo exige o fim da cruz nas paredes dos juízes?

Uma recente obra publicada na França sobre o tema – co…

Tributo a Milton Schwantes

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O autor do Tributo, Dr. Martin Dreher, ao lado de Milton Schwantes (sentado)

No momento em que nos despedimos de Milton Schwantes, vai uma homenagem. A América Latina (e não somente a IECLB) perdeu um de seus maiores estudiosos da Bíblia. O seu legado ecoará ainda por muito tempo. Ele não defendeu os fracos somente na teoria. Sua vida sempre foi um espelho de suas teses revolucionárias.

Por isso, hoje você precisa tomar um tempo e ler o magnífico relato historiográfico sobre Milton Schwantes, a sua época, o seu pensamento e o seu legado, construído por outro ícone da sua geração, o professor Dr. Martin Norberto Dreher. É um espetacular estudo sobre um tempo profíquo e rico da nossa teologia. Enquanto Milton nos deixa, a sua impressionante obra espalha a sua luminosidade sobre nós, os que permanecemos.

Leia o brilhante texto de Martin Dreher aqui.

Adeus, Milton

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Após dois meses de hospitalização, morreu na madrugada desta quinta-feira, 1º de março, o biblista e pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Dr. Milton Schwantes. Durante mais de uma década, Schwantes foi professor de Teologia da UMESP-Universidade Metodista de Sao Paulo. O sepultamento acontecerá no Cemitério da Paz, na região de Santo Amaro, distrito da zona sul da cidade de São Paulo, nesta tarde (17 horas).

Professor de Antigo Testamento na Faculdades EST entre o final dos anos 70 e início dos anos 80, o testemunho ecumênico de Schwantes extravasou os limites de atuação da IECLB, influenciando uma geração de biblistas brasileiros e latino-americanos.

“Voltado à leitura popular da Bíblia, Milton Schwantes foi um teólogo de vanguarda e um dos biblistas mais reconhecidos em todo o país, ao lado de Carlos Mesters e de todo o grupo do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI)”, afirmou o professor da EST, Dr. Roberto Zwetsch.

Ex-aluno de Schwantes na Faculdades ES…

Enamorada, noiva, casada e demitida

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Carmen quer ser pastora luterana, mas é casada com o muçulmano Monir...

A candidata ao pastorado Carmen Häcker, demitida da igreja luterana de Württemberg, na Alemanha, por conta de seu casamento com um muçulmano, foi acolhida em Berlim, onde poderá concluir seu vicariato. Ela concluirá seu período prático na área de Ensino Religioso Escolar, numa escola de Zehlendorf. A partir de março ela irá assumir funções pastorais na Comunidade de Paulo, no mesmo bairro berlinense.

Carmen Häcker casou-se com o muçulmano Monir Khan, de Bangladesh, em agosto do ano passado. Em vista disso, a direção da igreja de Württemberg a suspendeu de suas atividades ministeriais e a demitiu em 31 de dezembro.

A demissão causou comoção na Alemanha e foi recebida como um atentado à liberdade religiosa e atitude xenófoba. Carmen e seu relacionamento “proibido” viraram notícia na imprensa. Manchetes como “Enamorada, noiva, casada e demitida” pipocaram nas capas de jornais e revistas. Todos se indignaram que ela …

A Carlos Mesters, pelos 80 anos

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O holandês Carlos Mesters é um dos nomes mais conhecidos no meio cristão brasileiro. Com o nome de Jacobus Gerardus Hubertus Mesters, ele nasceu no dia 20 de outubro de 1931.

Vinte anos mais tarde, ao receber o hábito da Ordem Carmelita, já no Brasil (sua pátria definitiva desde 1949), foi rebatizado de Carlos: frei Carlos Mesters. E com este nome, sem estardalhaço, ele estampou o seu nome no cenário bíblico brasileiro, com suas poesias, textos inspirados e reflexões deslumbrantes que se espalharam como o bom perfume.

Estudou Filosofia em São Paulo e Teologia em Roma, São Paulo e Jerusalém. Foi professor de Curso Teológico dos Carmelitas, onde despertou grande interesse pela exegese bíblica, até então considerada uma matéria árida pelos estudantes. Também lecionou em Roma e em Belo Horizonte, onde envolveu-se no movimento contra o regime militar.

Atuou durante décadas como uma das mais destacadas lideranças do CEBI, o Centro de Estudos Bíblicos, como autor de textos, assessor e facil…

Típica confusão pentecostal

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A falta de conhecimento da história e a leitura fundamentalista das sagradas escrituras são uma combinação perfeita. O resultado, abaixo do traço, é a ignorância total. Um exemplo interessante vem da Guatemala, onde 300 evangélicos saíram às ruas da capital do país ontem, dia 5 de outubro, para criticar o apoio que o presidente da República, Alvaro Cólom, anunciou para a criação de um Estado palestino.

O objetivo do grupo, segundo Felipe Marroquin, um dos organizadores da passeata, é “expressar repúdio”. O apoio ao Estado palestino poderia converter-se numa maldição para a Guatemala, alegam os manifestantes, porque significa ir contra o povo eleito por Deus. “Tudo o que estiver na contramão disso será amaldiçoado”, disseram. Eles entregaram carta contendo o seu posicionamento à Embaixada de Israel e enviaram uma cópia ao primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu. (com informações de ALC)

Confundir o estado moderno de Israel com o povo de Deus na Bíblia é uma das mais graves r…

Steve Jobs, o homem que nos fez morder a maçã pela segunda vez

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Steve Jobs (1955-2011) se foi; depois de uma luta de sete anos contra o câncer, que não faz distinção entre pobres e ricos, gênios ou gente comum. Jobs é parte da geração que moldou o século 20 e ajudou a construir uma humanidade que, antes dessa geração, só podia ser vislumbrada em livros de ficção científica.

Se a humanidade antes de Jobs tinha um medo apocalíptico da tecnologia, dos computadores, dos robôs, depois dele criou uma relação visceral com essas coisas. O computador virou coisa tão indispensável que hoje se fala em “inclusão digital”. Quem não tem um, é visto como gente necessitada, na qual falta algo. Ter um computador é quase uma extensão da própria condição de ser humano. Devemos isso em grande parte ao Jobs, à Macintosh, à Apple.

A relação é tão profunda que sempre se diz que a Apple não tem clientes; a Apple tem seguidores. Ter um Macintosh, havia um tempo, era quase uma religião. Era quase a mesma diferença entre ter uma moto e ser proprietário de uma Harley David…

Qumran digitalizado pelo Google

O Google inova mais uma vez. Desta vez, digitalizou o mais importante documento arqueológico do século 20, os Manuscritos do Mar Morto, também conhecidos como os Manuscritos de Qumran. Nesta segunda-feira, em seu blog, o gigante das buscas anunciou a criação do Dead Sea Scrolls Online (Manuscritos do Mar Morto Online). Em linhas gerais, o projeto reúne os cinco manuscritos do Mar Morto digitalizados e acessíveis a qualquer pessoa na internet.

O site foi desenvolvido em parceria com o Museu de Israel, em Jerusalém, e seu lançamento marca também o início do novo calendário hebraico. De acordo com a AFP, o custo total do projeto foi de US$ 3,5 milhões financiados pela Autoridade de Antiguidades de Israel e pela divisão de pesquisa e desenvolvimento do Google local.

As fotografias dos pergaminhos em alta resolução, feitas por Ardon Bar-Hamma, têm até 1.200 megapixels, resultando em uma imagem até 200 vezes maior do que aquilo que se está acostumado a fazer com as câmeras amadoras. Tanta…

Se Jesus fosse neopentecostal

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Se Jesus fosse neopentecostal, não venceria satanás pela palavra, mas o teria repreendido, amarrado, mandado ajoelhar, dito que é derrotado, feito uma sessão de descarrego durante sete terças-feiras; aí sim ele sairia (Mt 4.1-11).
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria feito simplesmente o “sermão da montanha”, mas teria realizado o “Grande Congresso Galileu de Avivamento Fogo no Monte”, cuja entrada seria apenas 250 Dracmas divididas em 4 vezes sem juros (Mt 5:1-11).
Se Jesus fosse neopentecostal, jamais teria dito, no caso de alguém bater em uma de nossa face, para darmos a outra; Ele certamente teria mandado que pedíssemos fogo consumidor do céu sobre quem tivesse batido, pois “ai daquele que tocar no ungido do senhor” (Mt 5 :38-42).
Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado o servo do centurião de Cafarnaum à distância, mas o mandaria levar o tal servo em uma de suas reuniões de milagres e lhe daria uma toalhinha ungida para colocar sobre o seu servo durante sete semanas;…

Igreja movida a testosterona

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Algumas das pastoras e diáconas da IECLB que atuam em paróquias do Norte de Santa Catarina.

Ainda há muita coisa a ser feita no que diz respeito à liberação das mulheres e na conquista de igualdade de direitos em relação à metade de homens da humanidade. Enquanto para nós luteranos é normal ter bispas no mundo todo – já tivemos uma pastora sinodal aqui mesmo na IECLB – e temos pastoras atuando no ministério com ordenação em muitas de nossas paróquias, muitas igrejas irmãs têm uma verdadeira guerra em torno da implantação do sacerdócio feminino.

Nem falo da igreja católica romana, que deve levar ainda muitos anos – talvez décadas ou séculos – até livrar-se daquela monarquia de machos, com seu patriarcalismo arcaico. Com tristeza, olho para a nossa irmã luterana, a IELB, que encara a nossa abertura para o sacerdócio feminino como um excesso de liberdade luterana, sendo este um dos principais empecilhos para a comunhão luterana plena.

Mas recebi com profunda decepção a notícia de que os…

O blog que pode virar igreja

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Os brasileiros estão entre os povos que mais utilizam redes sociais como twitter e facebook. Mas um dia antes da realização do Eclesiocom, no dia 17 de agosto, os jornais publicaram a informação de que esse vigor todo está arrefecendo.

Ao lado dos russos, os brasileiros também estão entre os mais cansados das redes sociais. Um levantamento realizado pela consultoria Garner em 11 países aponta que no Brasil e na Rússia, 30% a 40% dos usuários usam menos esses sites agora do que quando se inscreveram.

A revista UMA, publicação feminina da Editora Escala, também destaca em sua edição de agosto o surgimento de um movimento contrário à onda virtual, com o surgimento de grupos de mulheres que buscam espaço em suas agendas para os contatos reais, organizando reuniões de bate-papo, meditação, estudo e até prática de tricô.

Na reportagem abaixo você vai conhecer a história de um blogueiro, pastor evangélico, que depois de arrebanhar um rebanho virtual está vendo o movimento se materializar…

Meio século de Ver-Julgar-Agir

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A encíclica Mater et Magistra, escrita pelo papa João XXIII, foi proposta durante uma audiência do arcebispo Joseph Cardijn (na foto com os jovens da JOC, que ele tanto amava) com o pontífice em março de 1960. Ele preparou um dossiê de 20 páginas com ideias e sugestões para a encíclica. Um ano depois, no dia 15 de maio de 1961, o Papa publicou a encíclica, que adotou especificamente o famoso método ver-julgar-agir que ele havia promovido durante toda a vida. Isso foi há 50 anos. Sempre fui adepto desse método como uma forma eficiente de trabalho e também como uma maneira de análise da realidade e de combate ao preconceito.

“Para levar a realizações concretas os princípios e as diretrizes sociais, passa-se ordinariamente por três fases”, escreveu o Papa João XXIII na encíclica. Primeiro, o “estudo da situação” concreta; segundo, a “apreciação da mesma à luz desses princípios e diretrizes”; terceiro, o “exame e determinação do que se pode e deve fazer para aplicar os princípios e as dire…

Divulgando meus textos

Já faz algum tempo que sinto vontade de divulgar alguns dos textos que andam guardados nos meus arquivos, prédicas que fiz e que gostei, artigos que foram publicados e outros materiais. Para isso, acabo de lançar um blog específico: http://reflexoesdopastorclovis.blogspot.com/. Espero que este material possa ser útil e que ajude no debate da teologia no confronto com a realidade em que vivemos, em meio à qual somos desafiados ao duro exercício do anúncio e da denúncia.