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Nosso amor pelos carros

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A reflexão sobre o que vamos fazer com relação à superpopulação de carros em nossas cidades é necessária e urgente. Porém, ainda vamos patinar muito na incoerência antes de encontrar uma saída razoável. O último dia sem carro se tornou um evento mundial e atinge até a indústria automobilística cada vez mais empenhada em criar novidades compatíveis com a nova onda preservacionista (combustíveis alternativos, eletricidade etc). Mas, confessemos, foi um fracasso! Em Blumenau havia 20 por cento mais carros nas ruas no dia sem carro do que em dias normais. Sim, choveu muito. Mas a chuva foi uma desculpa bem-vinda para o nosso comodismo, convenhamos.
A grande verdade é que temos uma relação doentia com essas carruagens. São construídas para as famílias, com quatro, cinco, sete e até nove lugares. Mas, a maioria deles anda por aí com um ocupante só; o seu orgulhoso dono.
No ano de 2009 estamos reproduzindo fielmente no Brasil o que acontecia nos anos 1940 e 1950 nos EUA, como mostra uma série …

Honduras, coturnos e democracia

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É muito impressionante ver como tem gente quieta no Brasil com essa história de Honduras. Não dizem nada. Nem um pio, para não revelar o que pensam realmente. Em seu íntimo, porém, estão batendo palmas para Micheletti e sua tropa, resvalando num indisfarçável saudosismo daqueles 20 anos de botautoritarismo que vivemos por aqui.
Na visão dessa horda de dissimulados adeptos da ditadura, os anos entre 1964 e 1985 foram a melhor coisa que aconteceu ao Brasil. Segundo eles, esse era um tempo de prosperidade, de ordem e de amor à pátria como nunca se viu, nem antes, nem depois.
Todo exército é absolutamente desnecessário. E falo do que eles sabem fazer – a guerra – e do que eles não sabem fazer – a política.
A humanidade não precisa da guerra e, por isso, não precisamos de soldados, de treinamento militar e de armas. A paz se constrói com pontes, não com armas. E construir pontes não é lição relevante na caserna, a não ser que seja para encurtar o caminho que conduz ao inimigo. O treinamento m…

Zukunftswerkstatt em busca do novo

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A Igreja Evangélica da Alemanha resolveu aplicar corajosamente a ideia da Oficina do Futuro (Zukunftswerksatt - veja post anterior) na própria casa. Passou o último final de semana (24 a 27 de setembro) reunida em Kassel, com mais de 1200 delegados de toda a Alemanha, em busca do sonho de uma igreja mais participativa. Na visão do presidente Wolfgang Huber, a Alemanha precisa ser re-evangelizada.
Há 20 anos, esta preocupação ainda era somente de humoristas e visionários, que não eram vistos como sérios o suficiente para serem considerados. Trago à memória o chargista e pastor Tiki, que publicou diversos materiais nos anos 80 antecipando a atual crise em seu traço sarcástico. Numa das charges que não me sai da cabeça, ele desenha a nave de uma enorme catedral cheia de bancos vazios e, dentro dela, uma pequena igrejinha de madeira repleta de fiéis, aos pés do majestoso altar da catedral. Diante deles, o pastor comemora: “Finalmente temos uma igreja lotada novamente!”. Em outras charges, …

Um método para exercitar a utopia

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Uma das mais admiráveis características do moderno povo alemão é a sua capacidade de planejamento. Impressiona a ausência quase absoluta do improviso, do jeitinho, da mudança de última hora. Antes da execução de qualquer projeto, ele foi exaustivamente estudado em todos os seus ângulos e nuances, no sentido de reduzir ao mínimo qualquer risco de surpresa ou falha.
Não só os grandes projetos são alvo de planejamento rigoroso. Cada passo do dia-a-dia é concretizado somente após o necessário tempo de preparo. Esse rigor no cuidado com o que se faz e as consequências de cada ato na vida pessoal e coletiva levou os alemães a desenvolver diversas teorias científicas que ajudam a planejar.
Uma dessas teorias, que me fascina, é a Zukunftswerkstatt (Oficina do Futuro), desenvolvida pelo futurólogo alemão Robert Jungk, com participação de Rüdigerr Lutz, Norbert R. Müllert e outros pesquisadores. Já no final dos anos 1980 eu participei de um seminário sobre o tema na Alemanha. Foi uma das melhores…

Ser vivo de estimação

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Uma experiência inusitada me fez refletir sobre um aspecto pouco considerado na nossa relação com os seres vivos que nos cercam. Aproveitando a bela manhã de sol, estávamos passeando no calçadão da beira-mar de Balneário Camboriú. Muita gente fazendo o mesmo, com a indisfarçada intenção de espantar o frio. Carrinhos de bebê das mais diversas grifes e cães… Cachorrinhos e cachorrões de todos os tamanhos eram solenemente conduzidos entre os humanos na calçada.
Ao chegar à Praça Central, um vendedor de orquídeas ainda organizava seus espécimes de uma das flores mais típicas do litoral brasileiro, embora nem prestemos tanta atenção nisso: a orquídea é nossa! E é de uma beleza tipicamente brasileira: quente e criativa. Ela se apresenta de tantas formas, cores e aromas diferentes que chega a confundir a gente. Desde muito pequeno admiro esta flor. Meu pai já tinha um orquidário e, quando tiver tempo, também vou ter o meu.
Minha esposa encantou-se com uma orquídea da terra, maravilhosa, cor de…

"Libertou-se o menino" em vídeo

O Williams e seu pessoal montaram um vídeo com o texto “Libertou-se o menino” e postaram no YouTube. Muito bacana! Veja você também. http://www.youtube.com/watch?v=0W0VUp_PeU0

Libertou-se o menino

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Livre. Finalmente o pequeno menino negro aprisionado no corpo do astro pop deformado e ensandecido pode voar para a sua Neverlândia imaginária, agora real. O pequeno prodígio havia sido aprisionado naquele corpo por causa do seu talento. Meio século de insuportável prisão. O ícone da pós-modernidade, rei do pop, o insuperável, inimitável e inatingível astro sufocou na angústia do seu pequeno ser, ainda tão inocente, tão bonito, tão angelical quanto antes.

Michael foi vitimado pela sua própria perfeição e morreu de fadiga, na insana tentativa de superar o insuperável, ou seja: ele mesmo. O pequeno príncipe havia sido engolido pelo próprio astro em que vivia.

Agora, está finalmente livre o menino. O que o mundo vela em Los Angeles é a fétida carcaça zumbi do rei do pop; do ídolo amalgamado pelas deformidades insanas da humanidade consumista. O menino não está mais lá. Jaz um corpo disforme, alvejado e plastificado pelo insaciável monstro capitalista, ele mesmo um zumbi que se nega a morre…