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Os primeiros passos da cruzada da intolerância

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Numa decisão política surpreendente, os suíços votaram – em um plebiscito realizado neste domingo (29/11) – pela proibição da construção de minaretes no país. A iniciativa de políticos populistas de direita conquistou o apoio de 57,5% dos eleitores. Além de ter obtido 5 milhões de votos, a proposta de proibição foi aprovada pela maioria necessária de 26 dos 30 cantões da Suíça.
O sociólogo suíço Jean Ziegler advertiu sobre o surgimento de uma “atmosfera de pogrom” no país. Para ele, o plebiscito sobre a proibição de minaretes é, na verdade, um referendo sobre o islamismo. “Muitos muçulmanos temem atentados, violência e estigmatização”, explica o ex-deputado social-democrata. “Inicialmente só havia um pequeno grupo dentro do Partido Popular Suíço, beirando ao fascismo, que exigia que se proibisse a construção de minaretes.” E esse grupo acabou iniciando uma campanha gigantesca, que levou à vitória deste domingo.
A decisão é um revoltante ato de regressão, que abre caminho para a volta de…

A execução de Jesus

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Como uma crítica à onipresente imagem de Mao Tsé-tung (1893-1976) por toda a China, os Irmãos Gao resolveram tematizar este culto em sua arte. Os Irmãos Gao estão entre os mais célebres artistas plásticos chineses. Em sua arte, o culto à personalidade do líder comunista ganha tons iconoclastas e sombrios. Obviamente, a dupla não consegue exibir grande parte de seus trabalhos na China.
A Execução de Jesus é a mais recente obra dos Irmãos Gao. Na obra, seis figuras de Mao Tsé-tung empunham baionetas contra um Jesus indefeso, enquanto uma sétima, também com o rosto de Mao, segura a arma ao fundo. A obra só pode ser vista no estúdio dos artistas, no Distrito 789, uma espécie de território livre da arte contemporânea chinesa. Os artistas estão negociando sua apresentação em 2010 no Kemper Museum of Contemporary Art, em Kansas-EUA.
Gao Zhen (53) estudou Pintura Chinesa Clássica na universidade, enquanto seu irmão Gao Qiang (47) optou por Literatura. Na metade dos anos 80, os dois começaram a …

Um debate com cheiro de pólvora

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O debate em torno da questão das armas, nos últimos dias, atingiu níveis que só podem ser lamentados. O cheiro de cartuchos detonados já impregna o ar. O tema é sério, é preocupante, é digno de uma reflexão mais isenta e mais respeitosa. Entretanto, nem todos os debatedores aplicaram esta regra.
Entre os muitos argumentos de franco ataque à defesa da paz desarmada, faço questão de citar somente um, mormente por sua origem. É uma manifestação que veio de ninguém menos do que Bene Barbosa, o presidente do Movimento Viva Brasil – entidade que foi constituída em 2005 com o único propósito de vencer o referendo que queria o desarmamento da população civil.
Está óbvio que conseguiram o seu intento. Está óbvio que o resultado de 76,64% dos votos a favor das armas foi fruto do seu trabalho, amealhando votos de uma população desinformada e que sequer tem dinheiro para comprar uma arma. Mas não é este o problema.
Ao conquistarem o direito de ter armas através do referendo, eles imaginam que o res…

The boy who harnessed the wind

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O jovem William Kamkwamba, hoje com 22 anos de idade, viu uma oportunidade de ouro num lugar em que mal conseguiríamos sobreviver. Ele vive no interior do Malauí, um paupérrimo país perdido no meio da África, que faz fronteira com Moçambique. Seu pai é agricultor em Wimbe, uma pequena vila do interior, praticando agricultura de sobrevivência num lugar inóspito, de colheitas reduzidas e secas periódicas terríveis.
Com dois livros de física elementar, um monte de lixo e vento, William criou eletricidade em meio ao nada, abrindo caminho para a luz e para o bombeamento da água do poço, permitindo irrigação da roça e duas colheitas por ano ao seu pai. De quebra, os vizinhos podem abastecer seus celulares.
A ousadia de Kamkwamba chegou ao canal de TV local e correu o mundo. Hoje sua história virou livro, com o título deste post (O menino que domou o vento). Seu sucesso surgiu em meio a miséria, dedicação, senso de oportunidade e muito lixo. Segundo William, na seca de 2000 a sua família e tod…

Uma visita indesejada

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Uma carta do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs-CONIC ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assinada pelo presidente, o pastor da IECLB Carlos Möller, e pelo secretário-geral, rev. Luiz Alberto Barbosa, critica a visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na semana que vem. Segundo a carta, as importantes relações comerciais entre Brasil e Irã não podem ser a única motivação para recebê-lo.

Os direitos humanos são o pomo de discórdia. “Como cidadãos brasileiros, ficamos extremamente preocupados ao testemunhar a aproximação do nosso país com um regime autoritário e perpetuador de graves violações dos direitos humanos, como o dirigido pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad”, diz o texto do CONIC.

A violação sistemática dos direitos humanos tem sido a regra no Irã, inclusive no campo religioso. “É um regime de profunda intolerância religiosa, em que cristãos, judeus e os seguidores da fé Baha’i, dentre outros, sofrem perseguições diárias, inclusive com ameaças …

Os 40 anos do milésimo

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Hoje é um dia muito especial. No dia 19 de novembro de 1969, diante do Maracanã lotado, Pelé marcava, de pênalti contra o Vasco, o milésimo gol oficial de sua carreira. Quarenta anos depois, nem o próprio Rei do Futebol consegue esquecer que as suas pernas tremeram naquela noite.
Não é pelo gol, não é pela figura única de Pelé como o atleta mais admirado de todos os tempos, em todo o Planeta. É como lembrança de um futebol de outros tempos, com outra índole e uma certa inocência perdida. O que Pelé ganhou ao longo de sua vida, é uma merreca diante do que ganham Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Cristiano Ronaldo e outros. O dinheiro acabou com o futebol-arte. O dinheiro acabou com os craques. O dinheiro acaba com tudo.
Pelé, que o seu gol continue indelével em nossa memória por muito tempo. Aos que não se contentam com a imagem acima, um link para rever um pouco das peripécias do artista máximo da bola: http://www.youtube.com/watch?v=8QEmnP48PEc&feature=related.

Hyperphotos de Rauzier

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O fotógrafo francês Jean-Francois Rauzier inaugura este mês em Londres a exposição "Hyperphotos". Em suas obras, Rauzier mistura sonho e realidade em composições fotográficas manipuladas no Photoshop. Dando atenção minimalista aos detalhes, o artista monta imagens que parecem reais, mas surpreendem pelos elementos nada convencionais. "Durante longas horas, dias e noites, eu trabalho nas imagens e algumas vezes chego a dormir na frente do computador", disse ele ao jornal britânico The Independent. Rauzier junta no Photoshop algo entre 600 e 3,5 mil fotografias em close de inúmeros detalhes da imagem representada. A costura entre as imagens é tão precisa que mal dá para perceber, mantendo forma e foco nos menores detalhes. A alta definição das imagens, que mantém a mesma qualidade mesmo quando ampliadas mais de 50 metros, também se destaca. Se você quer ver o impressionante trabalho do artista, não precisa ir até Londres. Entre no site http://www.rauzier-hyperphoto.c…