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Hora de solidariedade

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Uma multidão se reúne para identificar os corpos da tragédia.

Hoje o número de mortos na região serrana do Rio de Janeiro já ultrapassa quinhentas vítimas. É a maior tragédia ambiental da história do Brasil e uma das maiores do mundo. Atinge três grandes cidades da serra fluminense que, somadas, têm mais de meio milhão de habitantes. Inúmeras pequenas localidades periféricas foram totalmente varridas do mapa pelas avalanches de lama, árvores e pedras. Os restos das cidades mais altas foram se misturando aos das mais baixas, transformando tudo num amálgama com cheiro de morte e destruição.

Aos luteranos que visitam este blog, lembro que há duas paróquias da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil-IECLB no epicentro da tragédia. O pastor Odemir Simon atende a paróquia de Nova Friburgo e o pastor Elton Pothin atende a paróquia de Petrópolis. Lembro que o drama de comunidades como a do Baú e de Fidélis, em Blumenau, repetem-se aqui em dose dobrada. Isso cria um vínculo muito forte…

Avalanche repetitiva

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Uma repetição apavorante. Nós aqui, do Vale do Itajaí, sabemos bem o que é. Lama. Lama por todos os lados. Destruição. Destruição em qualquer direção que se olhe. É uma efetiva experiência de caos. Impotência. Impotência total e um caminhar sem direção. E morte. Morte cercando tudo, atingindo todos, ceifando famílias inteiras, penetrando nas casas com ainda mais força destrutiva do que a água e a lama. Ao povo desesperado de Teresópolis, Nova Iguaçú e Petrópolis as minhas orações, minha total solidariedade e empatia. Às vítimas das inundações em todo o Brasil, a minha solidariedade.

O Brasil e a guerra dos fundamentalismos

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Sarah Palin: A beleza americana tem alma fundamentalista

A realidade político-religiosa nos EUA sempre foi marcada pelo fundamentalismo e pelo extremismo exacerbado de direita. Fica até complicado para um brasileiro, como eu, entender a cabeça daquela gente. A base de tudo, ali, não é a política, mas o fundamentalismo religioso. Este é um complicador histórico e de difícil solução. Embora alguns segmentos mais radicais dos nossos partidos mais à direita tenham realizado um apagado movimento de jogar com argumentos religiosos numa campanha presidencial, no ano passado, nada faz sequer lembrar o que acontece neste campo escorregadio nos EUA. Não há nada parecido no ocidente.

Em poucas palavras, quem determina os movimentos decisivos no tabuleiro da política norte-americana é o fundamentalismo construído sobre os legados históricos do movimento evangelista, com destaque para Billy Graham e seus filhos, Jimmy Swaggart, Rex Humbard e muitos outros. Eles passaram a vida semeando o ideário no…

A Folha forçando a barra (de novo)

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A Folha de S. Paulo – a mesma que declarara seu voto em José Serra em um polêmico editorial durante as eleições – não perde a oportunidade de tentar denegrir a imagem da presidente recém-empossada. No último domingo (9 de janeiro), tentando mais uma vez criar conflito entre Dilma Roussef e os evangélicos, lascou a escandalosa manchete na capa: “Bíblia e crucifixo são retirados do gabinete de Dilma no Planalto”.

A matéria abaixo da manchete noticiava: “em sua primeira semana, Dilma Rousseff fez mudanças em seu gabinete. Substituiu um computador por um laptop e retirou a Bíblia da mesa e o crucifixo da parede. Durante a campanha eleitoral, a então candidata se declarou católica e foi atacada pelos adversários sob a acusação de ter mudado suas posições religiosas”.

O monstruoso factóide que o jornal paulista tentou passar não se sustentou por mais de alguns minutos. Mas, como sempre, desmentido nenhum foi publicado. Graças a quatro curtas mensagens no Twitter, a ministra Helena Chagas, da …

Chernobyl será aberta a visitação

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Elena no topo de um edifício abandonado na cidade fantasma.

No dia 26 de abril de 2011, o acidente nuclear de Chernobyl completa 25 anos. Naquele ano de 1986, foi um dos eventos mais terríveis da história moderna. As autoridades da então União Soviética fizeram de tudo para minimizar os fatos, distorcer as informações e esconder a realidade.

O acidente de Chernobyl foi o triste resultado de uma série de erros, descuidos com a segurança e negligências, que fizeram o reator número quatro da Usina Nuclear explodir. Aconteceu na União Soviética. Um trunfo para o ocidente, mas foi um mero acaso ter ocorrido ali e poderia ter sido em qualquer outro local servido por energia nuclear, inclusive nas usinas vaga-lume de Angra, verdadeiras bombas-relógio em pleno território tupiniquim. E, pior, pode repetir-se novamente, a qualquer momento.
Na verdade, até hoje não se sabe exatamente quanta gente aquele desastre nuclear, o maior da história, vitimou. Os dados “oficiais” falam em 3 mil pessoas. Para…

Ano novo, velhos preconceitos

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Chega o ano novo e, apesar de todas as nossas esperanças, os nossos bons desejos e renovadas vontades de mudar as coisas e de transformar o nosso velho mundo num lugar melhor, tudo continua exatamente como sempre foi. Um atentado numa igreja copta, no Egito, neste sábado de madrugada, cujo resultado são 21 mortos e maisde 50 feridos, é o primeiro exemplo dos muitos que virão na esteira do interminável preconceito que domina nossas almas qual inço que somos incapazes de eliminar.

Cristãos perseguidos no Oriente Médio e na Ásia, muçulmanos escanteados na Europa, minorias postas de lado em muitos lugares, latinos escorraçados nos EUA... Como já disse alguém: duas coisas me causam admiração; a inteligência dos animais e a barbárie dos humanos.

Ninguém se deu conta ainda, mas não estamos somente iniciando mais um novo ano. Com 2011, estamos dando início à segunda década do século 21. Ou seja, já se passaram dez anos desde 2001, o ano do inacreditável atentado de 11 de setembro, e nada conseg…

Morte junto ao rio

Minha biografia pessoal tem algumas marcas bem destacadas. Elas são como sulcos profundos na pele, que moldam não apenas a minha fisionomia, mas também o meu caráter e os próprios contornos e cores da minha alma. Boney M é uma dessas marcas. By the rivers of Babylon já foi até inspiração para uma prédica empolgadíssima, quando fui homenageado pelo Vocal Isaec com a gravação da minha Canção para a América Latina.

A impressionante história deste negro spiritual belíssimo, que conta a épica história do povo de Israel morrendo de saudades da pátria, no exílio, junto aos dois rios que cercam a Mesopotâmia, em referência ao salmo bíblico "como vamos cantar a canção do Senhor numa terra estranha?".

Letra magistral e um credo de confissão de esperança, virou um kitch romântico no Brasil, na pobre e vazia tradução cantada pela Perla (Rios da Babilônia), que falava de um romancezinho bobo, que em nada lembrava o belíssimo negro spiritual composto pelos escravos norte-americanos para tra…