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A foto que matou o fotógrafo

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Todos os grandes ícones fotográficos acabam tendo um forte componente mitológico. Esta foto, que foi tirada em 1993, pelo fotógrafo sul-africano Kevin Carter, no Sudão, girou o mundo e soou como uma espécie de mau agouro. Todos se perguntavam por que o fotógrafo, em vez de tirar a foto da criança enquanto o abutre espera a sua morte, não ajudou a criança a sobreviver? O que ele queria, era denunciar a fome, a guerra e o sofrimento no Sudão, devastado por uma sangrenta guerra civil.

Na verdade, a imagem tão forte e chocante, tem esta configuração apenas por uma sobreposição de planos de perspectiva. Carter já havia tirado várias fotos, quando, antes de sair, viu uma criança faminta deitada na areia, no mesmo plano com um abutre mais ao fundo, e aproveitou para unir dois poderosos símbolos que representam a melhor metáfora para o que aconteceu naquele lugar naquele momento, representando o grande desastre humanitário do século 20.

Dias depois, a foto de Carter foi publicada no Times, e a …

O cerco se fecha

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O estrangulamento lento e seguro do site Wikileaks e das indiscreções de Julian Assange é fato quase consumado. Enquanto o site busca meios para sobreviver, hoje (24.02) um tribunal do sul de Londres autorizou a extradição de Assange. Ele vai recorrer a uma instância superior, mas a palhacada do seu julgamento vai levá-lo diante dos tribunais e, dali, às masmorras dos EUA. Ele é acusado de ter feito sexo consentido sem camisinha - que passou a ser sexo não consentido no meio da relação, e com uma mulher que tem fortes ligações com a CIA (coincidência isso, não?).

Para ajudar a manter o site no ar, seus apoiadores podem comprar, numa loja virtual (http://wikileaks.spreadshirt.com/), artigos inspirados na luta do Wikileaks e na imagem granjeada pelo seu fundador, o jornalista Julian Assange. Camisetas, bolsas, bottons, bonés, guarda-chuvas e cachecóis estão na lista de produtos com a marca e a luta do site. Há até uma camiseta em que Assange aparece com a famosa boina de Che Guevara.

Kadafi mata com o apoio dos EUA

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Kadafi: Vou exterminar os ratos e os mercenários

Bater na mesma tecla por muito tempo, para alguns, é uma coisa chata. Além de repetitivo, é desgastante. Vejo isso no teclado diante de mim, que a letra “M”, por exemplo, está completamente apagada. De tanto bater na mesma (duas vezes só agora!) tecla. Mas é necessário, para organizar o meu texto e para que você entenda o que escrevo.

Por isso, tomo a liberdade de bater numa outra “mesma tecla”. A tal tecla dos dois pesos e duas medidas que, há décadas, é o “modus operandi” da política externa norte-americana. Vamos lá.

O Kadafi é um dos mais sanguinários ditadores da atualidade. Se ele não consegue impor seus mirabolantes desejos à nação líbia pelo convencimento, ele mata. Não tem conversa. Isso é informação rasa para qualquer guri de ensino fundamental. Todo mundo sabe. Agora mesmo, quando se sente ameaçado, ele não demonstra o mínimo respeito por gente, por sua gente, e manda até a força aérea bombardear os que protestam contra o seu d…

Contrate um cego

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Este vídeo é uma das peças de uma campanha de conscientização lançada pela Associação Norueguesa de Cegos. A Noruega tem um contingente de trabalhadores deficientes visuais extremamente capacitados, capazes de exercer plenamente cerca de 100 diferentes funções. Ainda assim, entretanto, muitos deles continuam lutando para conseguir um emprego. O objetivo deste e de outros vídeos semelhantes é, por meio de bem-humoradas cenas, conscientizar e demonstrar que os deficientes visuais podem atuar plenamente nas empresas em funções para as quais estão formados e capacitados.
Os vídeos mostram situações engraçadas que dão a entender as “vantagens” de se ter um companheiro de trabalho deficiente visual. Este vídeo, por exemplo, diz que você pode “economizar luz ao contratar um deficiente visual”. O material foi desenvolvido pela agência norueguesa Try, de Oslo.

Moldando a vida

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Recebo dezenas de textos filosóficos, dicas e reflexões por e-mail todos os dias, do mesmo jeito que quase todo mundo. No meio de todo esse lixo, às vezes até pastoso, gorduroso e de aspecto patético, de vez em quando aparece alguma coisa que se salva. Recebi agora, pela manhã, este e-mail do Ingo, que me chamou a atenção. É uma bela reflexão sobre o que fazer da sua vida, que somente pode ser feita a partir do ângulo do final da mesma. A autora dá preciosas dicas de como levar a vida. Nos faz lembrar que a nossa vida é como um pote de barro que as nossas mãos modelam. Podemos dar-lhe as mais diversas formas. Com um pouco de cuidado, podemos elaborar uma obra de arte. Confira:

“Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi. Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo,…

Pena de morte? Não, obrigado!

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Esta peça integra campanha da Anistia Internacional contra a pena de morte.

Volta e meia se ouvem, também aqui no Brasil, acalorados debates em torno da necessidade de resolver problemas de segurança pública com duas medidas altamente polêmicas, atentatórias aos direitos humanos e que pouco resolverão a questão da violência: a redução da idade penal e a pena de morte. A favor da redução da idade penal há vozes como Alexandre Garcia e colunistas de Veja e do Estadão, entre outros. Também entre nossa gente há muitos que querem colocar nossos adolescentes infratores atrás das grades. Sofrem a influência do terror que a mídia faz em torno do tema segurança. Esquecem que colocar "crianças" na cadeia é assumir oficialmente que a sociedade falhou como instrumento de educação de seus jovens. E isso é uma vergonha.

Na verdade, a imprensa tem ajudado muito na publicação de notícias sensacionalistas sobre menores infratores, disseminando a idéia de que a bandidagem tem entre os jovens m…

Espere por sua alma

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“Quando se corre muito, há que parar e esperar pela alma”, diz um provérbio dos índios Guarany, antigos habitantes do Brasil meridional. Dá até a impressão de que os Guarany já anteviam a correria em que a humanidade se enfiou na atualidade. Se eles tinham sensibilidade para perceber quando a vida estava muito agitada, e tinham a sensação de estar ultrapassando suas próprias almas, o que nós vamos dizer?
A nossa alma come poeira desde a infância! Ja nos primeiros anos de vida, uma criança tem muitas tarefas para cumprir, em muitos casos já com compromisso como curso de línguas, atividades esportivas e outros. Na vida adulta, a impressão que se tem é que a alma já nem mais consegue alcançar a maioria das pessoas. Junto com a alma, ficaram para trás a capacidade de reflexão, de ter tempo para recuperar o fôlego e até mesmo de conseguir parar para apreciar algo marcante ou bonito, como uma abelha colhendo o néctar de uma flor.
Por isso, ainda hoje, procure dar um tempo. Pare por algum te…