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O potencial autoritário da democracia

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Na década de 50, o filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969) uniu-se a um grupo de psicólogos sociais norte-americanos para desenvolver um estudo pioneiro sobre o potencial autoritário inerente a sociedades de democracia liberal, como os Estados Unidos.

O resultado foi, entre outras coisas, um conjunto de testes que permitiam produzir uma escala (conhecida como Escala F, de "fascismo") que visava medir as tendências autoritárias da personalidade individual.

Por mais que certas questões de método possam atualmente ser revistas, o projeto do qual Adorno fazia parte tinha o mérito de mostrar como vários traços do indivíduo liberal tinham profundo potencial autoritário.

O que explicava porque tais sociedades entravam periodicamente em ondas de histeria coletiva xenófoba, securitária e em perseguições contra minorias.

O que Adorno percebeu na sociedade norte-americana vale também para o Brasil. Na semana passada, esta Folha divulgou pesquisa mostrando como a grande maioria dos …

Da da da...

Para recordar que, há 30 anos, já havia um Michel Teló, só que alemão.

“Da da da” foi lançada em fevereiro de 1982 pela banda alemã “Provinzband Trio”, ou simplesmente Trio. O baterista era Peter Behrens (que parece ter frequentado só a primeira aula de bateria), o guitarrista Gerd Krawinkel (até faz uns solinhos diferenciados) e o vocalista Stephan Remmler (que reforça os instrumentos com um vagabundo tecladinho eletrônico de brinquedo da Casio, o Casio VL-1 Pocket Synthesizer).

A brincadeira virou sucesso gigante em mais de 30 países, inclusive no Brasil, e tocava tanto que a gente não se livrava dela nem mudando de estação. Parecia que as rádios estavam todas transmitindo em rede. Foi o único grande sucesso da banda, que torrou tudo em festas e muito luxo. Eles cantaram o “Da da da” tantas vezes em casas lotadas que esqueceram de ensaiar e produzir novos hits. A banda Trio literalmente ficou bêbada de sucesso e foi dissolvida dois anos depois.

Os pobres são mais solidários

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Dacher Keltner: Os pobres são mais solidários porque fazem mais experiências de ajuda mútua.

Um estudo do psicólogo americano Dacher Keltner, professor da Universidade da Califórnia, concluiu que pessoas de posses são menos solidárias do que as mais pobres. Antes de iniciar suas pesquisas ele partiu de material já existente, como uma pesquisa de entidades beneficentes americanas que revela que pessoas com renda anual de 25 mil dólares doam 4,2% de seus rendimentos, enquanto aquelas que ganham 100 mil dólares ao ano doam apenas 2,7% do que ganham. Pesquisadores de São Francisco analisaram as declarações de renda de americanos com menos de 35 anos e constataram que aqueles que ganham 200 mil dólares ao ano doaram 1,9% para obras de caridade, enquanto que os que declararam ganhar acima disso doaram somente meio por cento.

Ao iniciar seu trabalho, o psicólogo imaginava que os pobres provavelmente são mais religiosos ou provavelmente tenham uma visão política mais à esquerda. Mas ao final …

Solidariedade de fachada

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Debate acirrado no centro evangélico de Kronberg


Uma grande reportagem no semanário Die Zeit, de Hamburgo, causou alvoroço na cidade de Kronberg no Taunus, na Alemanha. O local está repleto de casarões. Gente rica mesmo, como banqueiros, executivos e industriais, e muitos milionários. Durante a terceira semana do Advento, o jornalista Hennig Sussebach disfarçou-se de sem-teto em companhia de uma atriz e ambos circularam pelas ruas da cidade durante alguns dias, colhendo impressões. O resultado do laboratório foi divulgado pontualmente no Natal, sob o título “Maria e José no gueto do dinheiro” (Leia a matéria em alemão, na íntegra, aqui. É um comovente relato do desprezo do luxo pelo lixo, uma matéria que desnuda o egoísmo e a falta de compaixão de modo cruel e definitivo). Entre outros citados, o próprio pastor luterano da cidade, Hans-Joachim Hackel, apareceu de modo pouco lisonjeiro na reportagem.

A repercussão da matéria levou o superior do Decanato de Kronberg, o decano Eberhard …

Vale é pior empresa do planeta

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Em disputa acirrada com a japonesa Tepco, responsável pelo desastre nuclear de Fukushima, a multinacional Empresa Vale do Rio Doce, a maior mineradora de ferro do mundo, presente em 38 países, venceu o Public Eye Awards, o “Nobel” da vergonha empresarial.

O prêmio, introduzido em 2000 pelo Greenpeace Suíça e Declaração de Berna, é concedido por voto popular a empresas que atentam contra cuidados ambientais, sociais e trabalhistas. A escolha acontece no período do Fórum Econômico Mundial, reunido na cidade suíça de Davos. Além da Tepco e da Vale, disputavam o prêmio as empresas Barclays, Freeport, Samsung e Syngenta.

A candidatura da Vale ao “prêmio” de pior empresa do planeta foi apresentada pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, representada pela brasileira Rede Justiça nos Trilhos.

A Vale tem três projetos de mineração dentro de Florestas Nacionais (Flonas, unidades de conservação que deveriam ser protegidas). O maior deles, em termos de investimentos, de 8 bilh…

Magia virtual e real

O tablet já é um produto que, por si só, parece mágico. Agora, imagine um vendedor de tablets que seja ele próprio um mágico. É a junção perfeita entre ilusionismo virtual e real. Além de divertido, o vídeo acima é simplesmente genial. Mesmo que você não entenda uma única palavra de alemão, a agilidade do vendedor-mágico impressiona.

O Santa presta um serviço inestimável ao Brasil

A série de reportagens do Santa (Jornal de Santa Catarina) sobre as pessoas do Vale que choram seus desaparecidos durante a repressão militar dos anos de chumbo no Brasil merece elogios (Aqui, aqui e aqui).

Em primeiro lugar, por trazer bem para perto de nós as razões que justificam a criação da Comissão da Verdade que, segundo muita gente aqui mesmo de Blumenau, não passa de um capricho revanchista.

Em segundo lugar, pela coragem de abordar um assunto que é um verdadeiro tabu entre nós. Ainda tem muita gente aqui no Vale que defende os militares como os salvadores da pátria na época, que livraram o Brasil do comunismo e agiram muito certo em prender, torturar e matar os guerrilheiros, terroristas e seqüestradores que agiram na época. Lamentam que não acabaram com todos, Dilma Roussef inclusive.

O Santa presta um magistral serviço à nossa memória histórica no Vale, com essas histórias emocionantes que está contando em suas páginas e na internet. Você pode ver os depoimentos dessa g…