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Estou rindo à toa!

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Há cerca de dois meses eu falava a quem quisesse ouvir: "Vocês vão ver! Não vai acontecer nada durante a Copa. Vai ser tudo redondinho e essa história de que 'Não Vai Ter Copa' é um discurso vazio, que não vai pegar!"
A minha vontade de rir à toa aumenta desmedidamente, quando leio o editorial da RBS de hoje: "Começam a se confirmar as previsões mais otimistas sobre o impacto da Copa na vida dos brasileiros e de estrangeiros que vieram participar da festa...", embarca a subsidiária da Globo no discurso quase inflamado de euforia pela beleza do espetáculo, pela simpatia do povo brasileiro, pelos poucos deslizes até agora ocorridos.
O editorial chama o Brasil de "anfitrião exemplar". Afirma que "obras atrasadas, questionamentos sobre prioridades, EVENTUAIS(!) falhas de planejamento e problemas PONTUAIS(!) de organização são DA NATUREZA DE ACONTECIMENTOS GRANDIOSOS(!)". Me digam (estou me beliscando!), tenho ou não motivo para rir à toa?
O …

As enchentes e "o outro lado do muro"

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Vista panorâmica da Barragem Norte, em José Boiteux.
"É de conhecimento e de angústia de todos a situação das nossas cidades frente às chuvas. Blumenau, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Rodeio, Corupá, Massaranduba, Schroeder, Gaspar... Desespero e incertezas novamente estão presentes, e em tão pouco tempo.
Eu gostaria de colocar nesta triste lista mais um nome e que por inúmeras vezes é ignorado, e que tem papel fundamental para que a tragédia não seja pior em nossas cidades: o outro lado do muro.
A Barragem Norte, localizada no Município de José Boiteux, é uma das comportas que controla o forte fluxo de água que entra no Rio Itajaí-Açu. Para minimizar a quantidade de água que chega em nossas cidades (imaginem se viesse mais água???), o que tem atrás deste muro precisa ficar submerso. E atrás deste muro têm pessoas, que vivem na Terra Indígena Xokleng-Laklãnõ.
Por estar trabalhando no COMIN (entidade que atua com os povos indígenas dentro da Terra Indígena Xokleng-Laklãnõ), recebi li…

Tentando voltar...

Ao abrir o meu blog, levei um susto. Faz um bocado de tempo que não ando postando nada por aqui. Vou me redimir daqui por diante. É que entrementes estive viajando, com um mês de ricas experiências na Alemanha. Nesse tempo, fiquei mais de duas semanas trabalhando intensamente sobre o tema sustentabilidade, ao lado de um precioso grupo de brasileiros e brasileiras, na Frísia do Norte, na Alemanha. Tem muitas experiências para compartilhar. Aguardem.

Conhecer o índio de carne e osso

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A professora Ingrid Lindner, da Escola Barão de Blumenau, minha amada esposa, iniciou no ano passado um trabalho cultural/social com a sua turma do quarto ano, voltado a desarmar preconceitos em relação a outros povos e culturas, especialmente em relação ao povo Xokleng que vive na Reserva Duque de Caxias. Graças a seu empenho, todas as turmas do quarto ano da Barão estão indo à Aldeia Bugio, em Dr. Pedrinho (SC), visitar a bela trilha que jovens indígenas organizaram na floresta, bem na nascente do Rio Benedito. É um lugar preservado que, entre outras espécies, tem centenas de exemplares do raríssimo xaxim-bugio - outrora dizimado para fazer potes para orquídeas, também impiedosamente arrancadas da nossa belíssima mata atlântica.

As visitas têm sido um banho de cultura e cidadania. A trilha montada pelos jovens indígenas se transformou numa fonte de renda para eles, e contribui para fixar os jovens na aldeia, além de ajudar no resgate da cultura do seu povo, que é mostrada num lindo m…

A barbárie diante da porta

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Cena 1: Jovem, 21 anos, carro na mão, madrugada, balada e festa... Pressa desnecessária, absurda, incompreensível... Encontra um veículo à sua frente, com um casal a bordo... Rua Tuiuti, na minha cidade natal, Rio do Sul... A moto é considerada um obstáculo a ser superado... como num videogame... O jovem arrogante encosta, ameaça passar por cima... O Casal protesta...

Cena 2: O jovem de 21 anos avança, encosta na moto e derruba co veículo com o casal a bordo... Em sua sanha, não se intimida. A mulher cai debaixo do seu veículo... Ele continua o seu glorioso passeio, com a mulher debaixo do seu carro... Por 100, 200, 300 metros... meio quilômetro... Um taxista o aborda para que pare. Perto dos 800 metros ele finalmente pára... Foge do local, o covarde.

Cena 3: A mulher embaixo do carro está milagrosamente viva... Mas o capacete desgastou-se até o forro (veja a foto)... Ela tem os dois seios seriamente mutilados, pelo atrito contra o asfalto. Ela está internada e seu estado é desconhecido…

A farsa dos dois demônios

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A nova investida do Dr. César Zillig no SANTA de hoje, 07 de abril, com sua absurda teoria do mal menor necessário para evitar que o Brasil virasse uma Cuba, defendendo o golpe militar de 1964, é um grito de uma parte da nossa sociedade que tenta justificar a qualquer custo aquelas barbaridades. Ela se baseia numa farsa histórica, segundo a qual havia dois demônios em batalha: o comunista e o verde-oliva. A teoria se destina a maquiar a história para justificar a violência dos coturnos e joga com a batida teoria do combate aos terroristas. A esmagadora maioria que estava contra o golpe NÃO ERA de terroristas. Eu era contra o regime militar e nunca fui terrorista. Aliás, odeio armas, nunca peguei em armas e, só por isso, a única cor verde-oliva que eu aprecio é a das azeitonas (adoro!).

Não vou mais argumentar. A gente cansa...

Sobre a farsa histórica dos dois demônios, prefiro deixar aqui as palavras de Breno Altmann. Confira.

1964, UM LAMENTO (Ridardo Gondim)

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CONTAGEM REGRESSIVA 0 – NUNCA MAIS

Hoje, há 50 anos, o Brasil entrava de cabeça no período mais terrível da sua história política. Foram 21 anos de cerceamento das liberdades individuais e políticas, em nome da falácia de combater o comunismo. Os partidos foram extintos, o congresso foi fechado, os opositores foram perseguidos, torturados e mortos, muitas vezes em processos kafkianos (Leia o livro "O Processo", de Franz Kafka). Quem ousava falar, insinuar ou até mesmo pensar diferente, vivia escondido pelos cantos...

Para este dia, um magistral texto do filho de preso político Ricardo Gondim. Ainda menino, ele viu o seu pai sendo preso no primeiro dia do golpe, 1 de abril de 1964. Além do texto abaixo, confira outras reflexões do pastor Da Assembleia de Deus Bethesda, contando sua saga pessoal com um regime que, em nome de sua ideologia torta e a serviço do Big Boss, voltou-se contra o seu próprio povo. Confira: 


Madrugada de 1 de abril de 1964. O sol, envergonhado, sujeita-se…