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Alcantaro, segurança e confiança

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A morte de Alcantaro Correa mexeu comigo. Conheci o homem pessoalmente, quando ele era o diretor presidente da Electro Aço Altona. Eu, com um orgulho enorme, tinha esta empresa na minha carteira de clientes, nos primeiros anos da Mythos Comunicação e, mensalmente, sentava com o RH da empresa para montar o informativo que ia para os mil e poucos funcionários da maior fundição do Vale do Itajaí. Falei pessoalmente com ele na grande festa dos 80 anos da Altona. Era um homem simples, correto, e extremamente competente. Alcantaro Correa tirou a Altona de uma difícil situação nos anos 80 e a projetou internacionalmente nos anos 90. Lembro de algumas fotos publicadas no informativo da empresa, de enormes turbinas que saíam de lá de madrugada, sobre carretas com dezenas de rodados. Foi naquele tempo que eu tive contatos em 3D com as regras da gestão empresarial séria, internacionalmente regulada pelas rígidas normas ISO. Aquela enorme fundição, que no passado já era um verdadeiro caos mistura…

O medo primordial

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Estou impressionado! Alguns dias de Guarda Municipal de Blumenau apontando o radar móvel para as belas curvas da Rua das Missões/Dois de Setembro, e uma deliciosa ordem se instalou. A velocidade máxima no trecho entre a rodoviária e a ponte de ferro reduziu, milagrosamente, de 100 Km/h para 70 Km/h. E a velocidade média, pasmem vocês, está dentro do limite da via, que é de 60 Km/h! Não é fantástico isso? Só um rígido controlador externo para por ordem na nossa incontrolável propensão à desobediência. A lei, os guardas e, mais, o medo das consequências - a multa que vem pelo Correio e os pontos na Habilitação - inibem a infantil peraltice desobediente dentro das pessoas. Tem a ver com um medo primordial. O medo do castigo eterno pelo pecado; de um Deus de barba branca e olhos de cyborg (lembra, do tutututututu e a visão ampliada de Steve Austin, o Homem de Seis Milhões de Dólares?)... Na infância, a gente tinha certeza de alguém aí em cima, nos vigiando o tempo todo, não é? E é este me…

A tragédia do amianto. Santa Catarina participa.

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A insistência da indústria brasileira com o amianto é uma tragédia e uma vergonha mundial. O jornal The Guardian divulgou um vídeo mostrando que mais de 15 mil brasileiros morrem todos os anos por conta de doenças provocadas pelo amianto. Isso é três vezes o número de pessoas que morreram de ebola na África e representa dez por cento do total mundial de vítimas. Mesmo assim, a indústria brasileira do amianto, seguindo na contramão do mundo inteiro, trava uma luta feroz na justiça contra as multas que deve pagar às famílias das vítimas e contra a decisão de assinar o tratado de banimento mundial do amianto. A principal indústria do setor no Brasil é a Eternit. Em vista da pressão dessa indústria, o Brasil reluta em assinar os tratados internacionais acordados na Convenção de Roterdã, tendo o Ministério das Minas e Energia como leão de chácara. O produto já foi banido pela indústria em 66 países, entre eles a Argentina, o Chile e o Uruguai. Até em diversos estados brasileiros a proibiçã…

Bolivarianismo?

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Pronto, inventaram mais um palavrão para xingar nas redes sociais. Depois de comunista, terrorista, petralha ou coxinha, agora as pessoas vêm com essa de bolivariano. Ninguém sabe muito bem o que quer dizer, mas tá bombando! Serve pra xingar desafetos políticos, então vamos usar. Afinal, é preciso impedir que o Brasil vire um país "bolivariano". Como diz o Emir Sader, o povo agora anda com medo de ter um bolivariano debaixo da sua cama... Que coisa! Bem, antes de imaginar que está numa heroica luta para livrar o Brasil daquela "pereba" do chavismo venezuelano, consulte a Wikipedia. Quem foi Simón Bolívar (1783-1830), afinal? Este é um bom começo. O nome de Bolívar tem um importante significado para um amplo espectro político que vai da esquerda à direita, em toda a América Latina, mesmo após 200 anos de sua morte. O que há de realmente original nisso é de se perguntar. O "bolivarianismo" é algo muito vago e impreciso. Já o próprio personagem histórico era…

Eu tenho diploma de datilógrafo

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Fiquei com saudades do meu diploma de datilógrafo. Cada vez menos gente sabe o real significado de ter um desses na pasta de documentos. Era quase como uma passagem para uma vida melhor. Muitos o emolduravam e penduravam na parede. Orgulho-me de ser treinado para usar os dez dedos no teclado de uma pesada máquina de escrever.
Esse súbito ataque de nostalgia me sobreveio ao saber que Tom Hanks coleciona máquinas de escrever. Tem mais de 200 em seu acervo pessoal. Não satisfeito, ele acaba de criar um programa de computador que resgata a maioria das sensações da produção de um texto numa máquina de escrever. Trata-se do HANX WRITER. Uma vez instalado, permite ouvir o som das tecladas durante a produção do texto, enquanto um papel virtual vai brotando na tela enquanto o texto cresce.
Segundo o arquivista Aldemir Chiaramelli, do Estadão, o aplicativo é especial. “O barulho dos teclados, as letras, os tipos são perfeitos, igualzinho a uma máquina de escrever de verdade”.
Já fui bom nisso …

Imagine-se sem pátria alguma

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Enquanto alguns que se dizem “brasileiros” querem dividir a nossa pátria, dez milhões de seres humanos no mundo vivem sem pátria alguma. Apátrida é a designação para essa gente. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a situação dessa gente é dramática. O órgão da ONU lançou hoje (4 de novembro) uma campanha pedindo aos governos dos países para que tomem uma série de medidas que acabe com o problema no mundo em dez anos. Essas pessoas vivem sem nacionalidade por diferentes motivos. E isso não quer dizer apenas que não têm passaporte, nem uma pátria para chamar de sua. Os apátridas são pessoas privadas de seus direitos básicos, como acesso a educação, a saúde, a emprego, a segurança e ao simples direito de ir e vir. Quando morrem, sequer têm direito a um atestado de óbito ou a um enterro digno. Segundo a ONU, mais de um terço dos apátridas do mundo são crianças. Imagine-se vivendo assim, sem um lugar para chamar de seu... Pensar nessa gente, é refleti…

Reduzir a maioridade penal irá prejudicar nossos filhos

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Reproduzo aqui uma pequena história para ilustrar porque sou contra a redução da maioridade penal para 16 anos. Essa história verídica aconteceu na Inglaterra, um país onde uma criança é tratada como adulta e responsável diante da lei a partir dos 10 anos. Leia a história e se pergunte: é isso que você quer para os nossos jovens, para os seus filhos e para as suas filhas? Em 1966 o então menino Bob Ashford (13 anos) foi persuadido por um grupo de garotos mais velhos da escola a invadir a linha do trem para brincar com uma pistola de ar comprimido. Ele não queria ir, mas temia sofrer represálias. Alguém viu o grupo “armado” e chamou a polícia. “Os garotos mais velhos fugiram, eu e outros dois ficamos paralisados de medo e fomos apanhados”, recorda Ashford. O resultado: ele foi levado a julgamento e condenado por invasão da linha ferroviária e porte de arma. O preço da travessura infantil, porém, foi muito além da multa que pagou à época: 46 anos depois, ao candidatar-se ao cargo de com…