A crise humanitária de proporções planetárias
O desespero leva as pessoas a toparem qualquer coisa. Quando a única perspectiva é um último fiapo de vida livre, lançam-se no abismo de uma possibilidade remota. Qualquer possibilidade. Sem pátria, sem lar, sem comida, sem roupa, sem eira nem beira... e você se joga nos primeiros braços que encontra abertos. E muitas vezes esses mesmos braços são mais traiçoeiros do que armadilha de caça na floresta. Quando se fecham, aprisionam, exploram, ferem mais ainda. A fome e o frio, a noite ao relento, ferem. Mas uma promessa que vira pesadelo, desmonta a própria alma. Torna-se ferida que jamais cicatriza. A promessa falsa que estimula esperança autêntica é pior que ter a escravidão como destino.
Esta é a terrível sinuca de bico em que se metem diariamente milhares de refugiados em todo mundo. E peço desculpas por descrever isto tão superficialmente, confortavelmente sentado aqui, diante do meu computador, numa sala quentinha e seca, com cheiro de café fresquinho vindo da cafeteira fumegante. …