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A crise humanitária de proporções planetárias

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O desespero leva as pessoas a toparem qualquer coisa. Quando a única perspectiva é um último fiapo de vida livre, lançam-se no abismo de uma possibilidade remota. Qualquer possibilidade. Sem pátria, sem lar, sem comida, sem roupa, sem eira nem beira... e você se joga nos primeiros braços que encontra abertos. E muitas vezes esses mesmos braços são mais traiçoeiros do que armadilha de caça na floresta. Quando se fecham, aprisionam, exploram, ferem mais ainda. A fome e o frio, a noite ao relento, ferem. Mas uma promessa que vira pesadelo, desmonta a própria alma. Torna-se ferida que jamais cicatriza. A promessa falsa que estimula esperança autêntica é pior que ter a escravidão como destino. Esta é a terrível sinuca de bico em que se metem diariamente milhares de refugiados em todo mundo. E peço desculpas por descrever isto tão superficialmente, confortavelmente sentado aqui, diante do meu computador, numa sala quentinha e seca, com cheiro de café fresquinho vindo da cafeteira fumegante. …

Dom Óscar Romero e os santos

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Óscar Arnulfo Romero Galdámez é um mártir de cristo na América Latina. Seu martírio foi precedido da condição de profeta. Ergueu sua voz para defender o povo de El Salvador da tirania dos poderosos. Tratou o povo simples como "pequeninos irmãos" e sua voz profética em defesa do povo ecoa até hoje através dos vales de lágrimas da injustiça que ainda corre solta pelo nosso continente. E fez a sua defesa incondicional dos pobres e do povo através dos instrumentos da não-violência ativa, sendo comparado a Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Por ser profeta, por clamar contra a injustiça, por defender o povo injustiçado e oprimido em plena guerra civil salvadorenha, Dom Óscar Romero foi covardemente assassinado durante a missa, em San Salvador, no dia 24 de março de 1980. Foi arcebispo da capital salvadorenha por pouco mais de três anos. Dom Óscar Romero é um legítimo mártir da paz. Mas não daquela paz que não se envolve, que se retira das lutas e que se isola sem compromisso. O…

Tudo pela audiência

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Não, não! Não me refiro àquele programa engraçadinho do Multishow (que, aliás, faz tudo mesmo pela audiência, como abusar de pessoas fisicamente fora do nosso esquálido conceito de beleza, por exemplo). Falo é do velho Jornal Nacional, o JN.  Agora deram para tentar sair do jurássico padrão Repórter Esso, mais engessado que perna quebrada. Querem imitar o bem-sucedido Jornal Hoje na descontração e nos apresentadores desfilando por um mundo que mais parece ter saído de cenários da ficção de Hollywood. Mas não deu muito certo.  Bonner está muito mais para Heron Domingues (Repórter Esso). Por mais que se esforce, não tem a desenvoltura de um Evaristo Costa (Jornal Hoje); não para improvisar comentários sobre as notícias.  Veja a grande bobagem que Bonner fez na segunda à noite (Não assisti, porque faço parte dos 70% da não-audiência do JN). Por este caminho, vão perder mais um terço da audiência rapidinho.  Para terminar, dou um conselho de graça ao Bonner: Você quer recuperar a audiência do…

Na contramão energética

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O governo brasileiro decidiu seguir rumos opostos aos do resto do mundo no planejamento do futuro energético do país. O ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou, no dia 15 de abril, que está nos planos do ministério a construção de 12 novas usinas nucleares no Brasil até 2050. Enquanto Europa e Japão se distanciam dos altos riscos desse modelo energético, o Brasil parece ser o destino de velhas tecnologias rejeitadas por lá. Pior é que não aprendem com o que já temos. O Complexo Angra é um terror! Uma verdadeira bomba de efeito retardado. Conhecida como "usina vaga-lume", a usina nuclear de Angra dos Reis (na foto, Angra I) não funciona, vive com problemas e está construída sobre um terreno instável, que compromete a segurança de toda a região onde está construída. Angra ainda vai ser responsável pelas notícias que ninguém quer receber no Brasil, nem no resto do mundo. Não entendo essa estúpida insistência do governo nesse tipo de fonte energética. A Alemanha te…

As veias continuam abertas

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Hoje é o dia... Primeiro a notícia da morte de Günter Grass. Agora, o passamento do historiador e escritor uruguaio Eduardo Galeano (aos 74 anos). Ele que foi uma das referências das esquerdas latino-americanas, com sua espetacular obra "As Veias Abertas da América Latina", uma obra história fundamental para entender o passado e o presente de todos os países do Cone Sul. Todos devíamos ler este livro, uma obra em que a seca história ensinada no ensino fundamental e médio se torna viva, clara como cristal e, acima de tudo, reveladora. Graças à sua pesquisa, ficamos sabendo quanto ouro e quanta prata foram arrancados do nosso solo, quantos indígenas deram o seu sangue no holocausto que foi a conquista espanhola, bem como portuguesa, deste continente. Também por causa dele é que ficamos sabendo detalhes da aviltante expropriação a que historicamente foi submetida a América Latina. No momento, uma de minhas consultas constantes é um livrinho seu chamado de LIVRO DOS ABRAÇOS. Tra…

A última pele da cebola

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O escritor alemão Günter Grass, Prêmio Nobel de Literatura com sua magnífica obra "Die Blechtrommel" (O Tambor), morreu hoje de manhã, aos 87 anos de idade. O polêmico gênio da literatura alemã contemporânea era um homem de corajosa ousadia. Em todas as suas obras ele realizou uma análise monumental da tragédia nazista na segunda guerra mundial, tornando-se seu mais pontiagudo crítico. Era um apaixonado critico dos rumos da sociedade alemã. Com sua obra "Beim Häuten der Zwiebel" (título de difícil tradução para o português, que foi publicado por aqui como "Nas Peles da Cebola"), entretanto, Grass foi vítima da mesma navalha que usou por toda a vida, sendo impiedosamente criticado e largamente incompreendido. O áspero crítico do nazismo confessa na obra que foi integrante da Waffen SS e, na adolescência, nutria inocente admiração pelo "Führer". Despelando a cebola da sua vida camada por camada, Grass não se intimidou e escancarou sua biografia, e…

Metade vazia do copo será o principal problema

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Este mapa foi divulgado ontem (19 de março) pela UNESCO. Classifica a diminuição drástica das reservas de água do nosso planeta até 2030. Segundo a ONU, essa redução deve chegar a 40 por cento. E não vai adiantar consolar-se que "o copo está meio cheio". Na verdade, ter 40 por cento menos água no copo será um drama, principalmente para as populações mais pobres do planeta. O pior é que este não é um quadro sombrio acerca do nosso futuro. Já hoje, neste exato momento, 748 milhões de pessoas no planeta não têm acesso a fontes de água potável. Mais ainda. Se você pensa que, só porque o Brasil parece tão verdinho nesse mapa da sede, não tem problemas com a água, o relatório da UNESCO desmente isso. Segundo a entidade, o Brasil está entre os países que mais registraram estresse ambiental após alterar o curso natural de rios. As mudanças nos fluxos naturais, segundo a análise feita entre o período de 1981 e 2010, mas que foi concluída em 2014, foram feitas para a construção de rep…