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El Niño

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Quem ainda não ouviu falar dele no Vale do Itajaí? "El Niño" (do espanhol "O Menino" e lê-se El Ninho) é o maior fenômeno climático natural que ocorre no nosso planeta. Tem este nome porque costuma ocorrer por volta do Natal, em média a cada sete anos, por isso a referência ao Menino Jesus. Pela bagunça celestial da última noite, estamos em pleno campeonato de bolão do El Niño.
O fenômeno ocorre bem longe daqui, na mudança da temperatura das águas do Oceano Pacífico, na Corrente de Humboldt. Isso muda a realidade de chuvas e secas em todo o Hemisfério Sul e parte do Hemisfério Norte do planeta. Afeta a América do Sul e Central, a África, a Ásia e a Oceania, provocando reviravoltas gigantes no clima nessas regiões. Chuvas e enchentes aqui no Sul e seca no Centro Oeste e no Sudeste estão na pauta.
Entretanto, tem vezes que ocorre um chamado Mega El Niño. Os últimos aconteceram em 1975/76 e em 1982/83 (este último de triste lembrança para o Vale do Itajaí). Nesses even…

Um bom termômetro do preconceito

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A venda de ingressos das Olimpíadas de 2016 vai de vento em popa. Já no início de agosto, 3 milhões de ingressos de um total de 7,5 milhões disponibilizados para o Brasil foram vendidos, segundo o Comitê Rio 2016. Hoje começa a segunda fase dessa venda, com cada ingresso sendo disputado a tapa. O mesmo não se repete em relação aos ingressos da Paralimpíada. Menos de 10% foram vendidos na primeira fase. Mesmo com os argumentos da matéria do Estadão, buscando explicações para a baixa procura, na minha opinião o preconceito transparece aqui. Estão perdendo a oportunidade de contato imediato de primeiro grau com incontáveis casos de superação e lições de vida! Além de superarem as limitações impostas pelas suas deficiências, os atletas paralímpicos ainda têm que superar o descaso, o preconceito e a falta de apoio da sociedade. Nenhum deles ganha o rio de dinheiro que os patrocinadores investem nos atletas considerados "normais".

Solidariedade seletiva?

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Algumas notas do Twitter, nesta terça-feira pela manhã, chamaram a minha atenção. Eles sugerem que a solidariedade aos refugiados deve ser seletiva, ou seja, somente alguns países e pessoas estão devidamente preparados para receber e atender essas pessoas. Para contextualizar minha argumentação, primeiro um histórico dos posts do pastor Ricardo Gondim, da Assembleia de Deus Bethesda, que vem dizendo com profundidade diaconal e teológica que a situação dos refugiados é nosso atestado de desumanidade e que é preciso fazer mais do que lamentar. É preciso agir. Gondim colocou a sua Igreja à disposição para receber refugiados. "Vocês são bem-vindos no Brasil", disse, abrindo as portas. Num post de hoje pela manhã, acompanhado de uma foto de uma família muçulmana, ele foi categórico: "Lamento informar, evangélico fundamentalista: considero essa família refugiada ao mesmo tempo brasileira e nossa irmã". Mas a opinião dos fundamentalistas religiosos sobre pessoas de religi…

Onde estarás, que não te ouvimos?

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Este homem é Khaled al-Asaad (82 anos). Segundo seus pares, ele é insubstituível. Arqueólogo-chefe das pesquisas em Palmyra há 50 anos, na Síria, ele foi barbaramente assassinado esta semana. O Estado Islâmico o enforcou, decapitou, e exibiu seu corpo mutilado ao público. Antes, eles o torturaram barbaramente. Queriam que ele revelasse o esconderijo dos tesouros arqueológicos sob sua guarda, que o EI comercializa num bem-sucedido mercado negro de relíquias arqueológicas.

O lucro desse mercado negro se transforma em armas, sustenta as milícias do EI, paga o terror absoluto em nome de Alá. Quem compra esses objetos cobiçados do passado? Europeus, americanos, gente do mundo inteiro, que não se detém um segundo para pensar no que a sua cobiça se converte.

Ah, sim, antes que eu esqueça, Palmyra é um dos mais importantes sítios arqueológicos da humanidade, cidade do império semita, fundada no século IV antes de Cristo. Este patrimônio histórico da humanidade está desde maio nas mãos do EI,…

Obama mostra que a África existe

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A respeitosa visita do presidente americano Barack Obama ao Quênia, terra de seus familiares, tem um significado que mal conseguimos avaliar aqui, do outro lado do Atlântico. Foi necessário que um descendente de quenianos, negro e herdeiro histórico da escravidão se tornasse presidente da mais poderosa nação do planeta para que se fizesse o gesto de perceber que a África existe. Obama mostrou que a África existe. E isso não é pouco, creiam! A propósito de sua visita, recorto um trecho de um livro terrível, mas que apresenta a dramática conta da passagem do cristianismo pela humanidade. É um trechinho apenas, mas que mostra porque a África é o que é, ainda hoje, graças sobretudo a incursões em busca de escravos, realizadas com a Cruz de Cristo impressa nas bandeiras e esculpida no metal dos cabos das espadas: “As contínuas incursões dos escravistas por quase trezentos anos destruíram a economia de vastas áreas da África, privando populações inteiras de sua melhor mão-de-obra, o que fez…

Início da era atômica completa 70 anos

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Há 70 anos, no dia 16 de julho de 1945, às 5h29min45s, no campo de testes de foguetes White Sands em Jornada del Muerto, vale do Novo México, iniciava a era atômica. Exatamente neste momento explodia a primeira bomba atômica, que tinha o nome de “The Gadget” (foto). Poucas semanas depois, uma bomba semelhante explodia sobre Nagasaki. Sua explosão abriu uma cratera de três metros de profundidade e 730 metros de diâmetro. O epicentroda explosão transformou a areia num vidro verde radioativo. A explosão levantou um cogumelo atômico de doze quilômetros e a onda de choque podia ser sentida a 160 quilômetros de distância, cuja explosão pôde ser ouvida a 320 quilômetros de distância. Ainda hoje, 70 anos depois, a radioatividade no campo onde foi feito o teste é dez vezes acima do normal. O diretor do projeto, Dr. J. Robert Oppenheimer, usou uma frase de um antigo escrito hindu, para descrever o que viu: “Eu me tornei a própria morte, o destruidor dos mundos”. Pela primeira vez na história, a…

Sobre Igrejas que se calam

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"Uma igreja que se pela de medo, evitando a qualquer custo aparecer à luz do dia como quem toma partido e que jamais se arisca a ser partidária, observe muito bem se não está irremediavelmente se comprometendo... com o diabo, todavia, que não conhece companheira melhor do que uma igreja que, em troca de preservar sua boa-fama e suas vestes limpinhas, permanece eternamente calada, eternamente meditativa, eternamente neutra; uma igreja que, por estar demais preocupada com a transcendência do Reino de Deus – na verdade, nem tão fácil de ser ameaçada –, transforma-se num cão que não late.
Karl Barth