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Mostrando postagens de Outubro, 2015

A Revolução Francesa e o Clima

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Um exemplo interessante da ligação entre o clima e a história vem da Revolução Francesa. A queda da Bastilha em 1789 tem muitos fatores de longo e de curto prazo, de ordem política, cultural, econômica e social. Mas não foi somente uma população cansada do feudalismo que decidiu livrar-se de seus opressores.
Um desses fatores foi o crescimento populacional em mais de dez por cento nos últimos 20 anos antes da revolução. Desde 1770 a agricultura não dava conta de produzir o que era consumido, além de ser tecnicamente atrasada. A armazenagem era precária e insuficiente, a irrigação ruim, o modo de plantio ultrapassado, o trabalho de plantar, colher e beneficiar era todo manual e os agricultores não aceitavam novas técnicas.
Com isso, obviamente as colheitas eram escassas e não havia estoques, abrindo graves brechas na economia para problemas em caso de insucesso numa colheita ou tragédias meteorológicas. Uma enorme cratera começou a abrir-se com uma crise de fome em 1770 que atingiu t…

El Niño

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Quem ainda não ouviu falar dele no Vale do Itajaí? "El Niño" (do espanhol "O Menino" e lê-se El Ninho) é o maior fenômeno climático natural que ocorre no nosso planeta. Tem este nome porque costuma ocorrer por volta do Natal, em média a cada sete anos, por isso a referência ao Menino Jesus. Pela bagunça celestial da última noite, estamos em pleno campeonato de bolão do El Niño.
O fenômeno ocorre bem longe daqui, na mudança da temperatura das águas do Oceano Pacífico, na Corrente de Humboldt. Isso muda a realidade de chuvas e secas em todo o Hemisfério Sul e parte do Hemisfério Norte do planeta. Afeta a América do Sul e Central, a África, a Ásia e a Oceania, provocando reviravoltas gigantes no clima nessas regiões. Chuvas e enchentes aqui no Sul e seca no Centro Oeste e no Sudeste estão na pauta.
Entretanto, tem vezes que ocorre um chamado Mega El Niño. Os últimos aconteceram em 1975/76 e em 1982/83 (este último de triste lembrança para o Vale do Itajaí). Nesses even…

Um bom termômetro do preconceito

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A venda de ingressos das Olimpíadas de 2016 vai de vento em popa. Já no início de agosto, 3 milhões de ingressos de um total de 7,5 milhões disponibilizados para o Brasil foram vendidos, segundo o Comitê Rio 2016. Hoje começa a segunda fase dessa venda, com cada ingresso sendo disputado a tapa. O mesmo não se repete em relação aos ingressos da Paralimpíada. Menos de 10% foram vendidos na primeira fase. Mesmo com os argumentos da matéria do Estadão, buscando explicações para a baixa procura, na minha opinião o preconceito transparece aqui. Estão perdendo a oportunidade de contato imediato de primeiro grau com incontáveis casos de superação e lições de vida! Além de superarem as limitações impostas pelas suas deficiências, os atletas paralímpicos ainda têm que superar o descaso, o preconceito e a falta de apoio da sociedade. Nenhum deles ganha o rio de dinheiro que os patrocinadores investem nos atletas considerados "normais".