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Mostrando postagens de 2018

Dinheiro de plástico e Big Brother

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O cartão de crédito completa 50 anos. Seus inventores patentearam sua invenção no dia 13 de setembro de 1968 na Alemanha. Jürgen Dethloff e Helmut Gröttrup criaram um arquivo eletrônico de dados que pudesse ser colocado num cartão de plástico e o denominaram “Identificador com Circuito Integrado”. Nascia assim o cartão com chip. O zeloso escritório de patentes alemão apenas registrou o invento em 1º de abril de 1982, sob o número DE1945777C3. Poucas décadas depois, todo o sistema bancário e de compras funciona majoritariamente com cartões de plástico. O risco, que milhões já experimentaram, é a facilidade de seu uso. São emblemáticas as reportagens de cidadãos americanos que vivem nas ruas das grandes cidades, moram dentro do seu carro (que é tudo que lhes sobrou) e têm uma fila de dezenas de cartões de crédito, que já foram o seu prazer, se tornaram o seu vício e viraram a sua bancarrota. Nada mais apropriado que usar aqui uma velha máxima do mundo das bebidas alcoólicas: “Cartão de…

70 anos do CMI

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No dia 23 de agosto de 1948 o Conselho Mundial de Igrejas-CMI era oficialmente chamado à vida. Era o coroamento de esforços que vinham sendo feitos desde o começo do século 20 no sentido de unir as igrejas em torno de alguns objetivos comuns. Chegar a este ponto não foi nada fácil. Uma longa história de divisões entre os cristãos foi sendo caprichosamente construída desde aquele primeiro grupo de seguidores de Jesus, que já digladiavam entre si as divisões do judaísmo. Continuou com os apóstolos, cujo primeiro concílio da igreja primitiva em Jerusalém, no ano de 70d.C., foi convocado para resolver pendengas entre os cristãos de origem judaica e os gentílico-cristãos em torno da manutenção da circuncisão. Desentendimentos, diferenças de interpretação e lutas por poder levaram ao primeiro grande cisma da igreja em 1054, que dividiu a cristandade em igreja oriental (com sede em Constantinopla) e igreja ocidental (com sede em Roma). O movimento da Reforma levou ao segundo grande cisma em…

“UM MAR DE SANGUE FOI O RESULTADO”

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Texto da jornalista Lena Ohm Tradução de Clovis Horst Lindner
Na infância em Essen, Harold Lewin presencia a ascensão do Nacional-socialismo e do antissemitismo. Após a “Noite dos Cristais”, ele foge com a família para a Holanda e passa a integrar a resistência – até ser preso pelos nazistas e deportado para o campo de concentração de Buchenwald. Esta é a sua história.
Seu coração chega a doer dos batimentos contra o peito. Dói mais a cada passo. Cada lufada angustiada de ar queima o peito e as fisgadas laterais são quase insuportáveis. Mesmo assim, Harold Lewin continua correndo. Segue sempre em frente. Dobra à direita, dobra à esquerda, atravessa uma pequena ponte. Nada mais que continuar a correr. Seguir em frente pelos becos estreitos do bairro das putas de Amsterdã. Atrás de si, ouve os ferozes latidos dos cães pastores, que perseguem seus calcanhares. Os latidos dos cães e os passos rápidos dos homens são as únicas coisas que Lewin ouve. Abafa todos os outros ruídos– concentra-se t…

Haverá um novo 1968?

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Apenas meio século nos separa do ano mais explosivo da história recente. Promovido por jovens estudantes em sua maioria, 1968 foi um ano atípico, que desencadeou uma explosão em escala global. Muitos dos temas que ainda hoje causam tanta polêmica foram para a rua naquele ano, em festivais, encontros, canções, gritos de guerra e protestos, muitos deles sangrentos. A juventude de 1968 protestou contra a guerra do Vietnã e a guerra fria, o imperialismo norte-americano, a desigualdade e injustiça promovidas pelo capitalismo, a opressão das ditaduras comunistas (Leste Europeu) e militares (América Latina) e em defesa de uma democracia mais participativa. Os protestos clamavam contra o autoritarismo, a bomba atômica e as desigualdades sociais. Gritava a favor dos direitos humanos, das liberdades e dos direitos das minorias. Nem a igreja escapou da onda de choque, arejando a teologia, a liturgia, a estrutura, abrindo espaço para as comunidades de base, a celebração abrilhantada por bandas e…

Redomas ou ferramental?

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A dicotomia entre o que se deve ensinar na escola ou aprender em casa não é fruto de uma avaliação séria sobre como funciona a educação. Nada garante que o essencial ensinado por professores em sala de aula ou pela família em casa seja também seguido na vida das novas gerações. Aprende-se o bem em casa e o mal na rua, o bem na rua e o mal em casa. Todo o resto é idealização de um modelo familiar e escolar que não existe. Além disso, não são somente esses dois ambientes que formam o caráter dos nossos filhos. Se você acredita que só os pais e os professores influenciam seu filho, você não conhece o poder dos amigos, da rua, das mídias sociais. Há muito ruído na educação. Os sons que vêm de fora são muito mais poderosos do que o filtro que você tenta colocar para proteger seu filho. A educação não é como um banco, onde se deposita dinheiro e saca dinheiro quando precisa. Na educação você deposita o bem e colhe o mal ou vice-versa. Cada um e cada uma faz bom ou mau uso daquilo que lhe é…