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Mostrando postagens de Abril, 2015

Na contramão energética

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O governo brasileiro decidiu seguir rumos opostos aos do resto do mundo no planejamento do futuro energético do país. O ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou, no dia 15 de abril, que está nos planos do ministério a construção de 12 novas usinas nucleares no Brasil até 2050. Enquanto Europa e Japão se distanciam dos altos riscos desse modelo energético, o Brasil parece ser o destino de velhas tecnologias rejeitadas por lá. Pior é que não aprendem com o que já temos. O Complexo Angra é um terror! Uma verdadeira bomba de efeito retardado. Conhecida como "usina vaga-lume", a usina nuclear de Angra dos Reis (na foto, Angra I) não funciona, vive com problemas e está construída sobre um terreno instável, que compromete a segurança de toda a região onde está construída. Angra ainda vai ser responsável pelas notícias que ninguém quer receber no Brasil, nem no resto do mundo. Não entendo essa estúpida insistência do governo nesse tipo de fonte energética. A Alemanha te…

As veias continuam abertas

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Hoje é o dia... Primeiro a notícia da morte de Günter Grass. Agora, o passamento do historiador e escritor uruguaio Eduardo Galeano (aos 74 anos). Ele que foi uma das referências das esquerdas latino-americanas, com sua espetacular obra "As Veias Abertas da América Latina", uma obra história fundamental para entender o passado e o presente de todos os países do Cone Sul. Todos devíamos ler este livro, uma obra em que a seca história ensinada no ensino fundamental e médio se torna viva, clara como cristal e, acima de tudo, reveladora. Graças à sua pesquisa, ficamos sabendo quanto ouro e quanta prata foram arrancados do nosso solo, quantos indígenas deram o seu sangue no holocausto que foi a conquista espanhola, bem como portuguesa, deste continente. Também por causa dele é que ficamos sabendo detalhes da aviltante expropriação a que historicamente foi submetida a América Latina. No momento, uma de minhas consultas constantes é um livrinho seu chamado de LIVRO DOS ABRAÇOS. Tra…

A última pele da cebola

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O escritor alemão Günter Grass, Prêmio Nobel de Literatura com sua magnífica obra "Die Blechtrommel" (O Tambor), morreu hoje de manhã, aos 87 anos de idade. O polêmico gênio da literatura alemã contemporânea era um homem de corajosa ousadia. Em todas as suas obras ele realizou uma análise monumental da tragédia nazista na segunda guerra mundial, tornando-se seu mais pontiagudo crítico. Era um apaixonado critico dos rumos da sociedade alemã. Com sua obra "Beim Häuten der Zwiebel" (título de difícil tradução para o português, que foi publicado por aqui como "Nas Peles da Cebola"), entretanto, Grass foi vítima da mesma navalha que usou por toda a vida, sendo impiedosamente criticado e largamente incompreendido. O áspero crítico do nazismo confessa na obra que foi integrante da Waffen SS e, na adolescência, nutria inocente admiração pelo "Führer". Despelando a cebola da sua vida camada por camada, Grass não se intimidou e escancarou sua biografia, e…