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Mostrando postagens de Setembro, 2010

Inocente ou culpado?

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Há um direito garantido a todo cidadão brasileiro, na nossa Constituição Federal, que está sendo cada vez mais pisoteado nos nossos dias. É a figura jurídica da “Presunção da Inocência”. O que é isso? Numa linguagem não-jurídica, isso quer dizer que qualquer pessoa, ao ser acusada de um crime, deve ser considerada inocente até que sua culpa seja provada. Ainda complementam este direito a lei que diz que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, a lei do direito de ficar calado em interrogatório e a lei do direito a um advogado de defesa.

Recentemente, temos assistido a diversos linchamentos públicos de suspeitos de crimes, especialmente daquele tipo de crime que vira notícia e, em diversos casos, até novela policial nos meios de comunicação. O caso de Bruno é o exemplo mais recente, que está preso como suspeito de assassinato de um crime em que sequer existe um cadáver. Com base em indícios, ele está preso preventivamente.

Isso não quer dizer que Bruno não possa de fato ter …

A notícia sempre foi tratada assim

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Olha que interessante isso. Para quem acha que uma imprensa mancheteira e apegada à especulação e à falsificação de fatos é uma invenção tupiniquim, saiba que não é nem invenção, nem exclusividade brasileira. É só mais uma história que ratifica a tese de que não existe imprensa idônea, ou isenta.

Hoje fazem 97 anos que o empresário e inventor alemão Rudolf Diesel desapareceu misteriosamente do navio em que fazia a travessia do Canal da Mancha, rumo à Inglaterra, para inaugurar uma nova fábrica de motores.

Era uma noite calma, quente e de céu limpo, aquela de 29 de setembro de 1913. Da Bélgica, onde se encontrava, ele escreveu para a esposa, antes de embarcar no navio, no início da noite: “Está fazendo um tempo quente de verão, não se sente nem mesmo o sopro de um ventinho. Parece que a travessia vai ser boa”. Ele iria aportar em Harwich, na Inglaterra, mas nunca chegou ao destino. A cama de sua cabine no navio estava intacta e ele não foi encontrado a bordo. Ele sumiu de maneira inexpli…
“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma.”
Joseph Pulitzer (1847-1911)

Proteste

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O protesto incomoda. Instrumento legítimo de luta e de manifestação do povo, direito democrático de demonstrar desagrado ou desacordo, o protesto quase sempre é encarado como apelação, coisa de minorias inconformadas.

Nesta imagem, tirada em Valparaiso, no Chile, pelo fotógrafo Eliseo Fernandez, aparece um jovem estudante violentamente agredido e atirado ao chão pela força descomunal de um jato d’água de um caminhão dos bombeiros. Ele só queria protestar contra a redução de verbas públicas para as universidades. A polícia, instrumento preferido dos poderosos para reprimir protestos, não mediu esforços para ter bom êxito na tarefa da qual fora incumbida. Desmontar o protesto com jatos d’água.
Não se cale diante das injustiças. Não cruze os braços, passivo. Não deixe que os poderosos pisoteiem os seus direitos, nem os dos outros. Tem certas coisas que a gente não pode tolerar. E quando elas cruzam o nosso caminho, é preciso protestar. Deite-se no meio da rua, escreva seu direito numa car…

Ela será enforcada sem apelação

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O procurador-geral do Irã, Gholam Hussein Mohseni Ejei, anunciou nesta segunda-feira (27/9) que a iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério e cumplicidade no assassinato de seu marido, foi condenada à morte por enforcamento pelo segundo crime. A nova sentença cancela a execução por lapidação (apedrejamento), mas ela mantém a condenação pelo assassinato, que no Irã é punido com enforcamento.

“O Poder Judiciário não pode se deixar influenciar pela campanha empreendida no Ocidente”, minimizou o procurador-geral. Mas a rapidez do tribunal deixa transparecer o resultado da visita do presidente Ahmadinejad aos EUA, quando aconteceu a execução de Teresa Lewis. Fica no ar a sensação de “o ocidente nos critica, mas não age diferente”.
Ahmadinejad também não poupou a mídia internacional, que criou um caso internacional em torno de Sakineh, mas quase nada disse em defesa de Teresa. O mundo organizou-se pela vida da iraniana, porém deixou a americana ser executada com uma injeção letal, há q…

A fome dos Silva é a de todos nós

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Marina Silva quando foi eleita senadora pelo Acre, em 1994.

Reproduzo abaixo um texto maravilhoso, que recebi do Antonio Carlos Ribeiro. “A Fome de Marina” foi escrito pelo professor José Ribamar Bessa Freire. Seu principal mérito não está na defesa da candidata Marina Silva, mas na defesa dos Silva e de seu direito a participar dos destinos desta nação. A biografia/trajetória de Marina Silva é a trajetória de milhões de brasileiros e brasileiras. O mínimo que tais heróis merecem é o respeito de quem não tem o peito de viver e de lutar do mesmo jeito. As “fomes” de Marina são também as mesmas de milhões de concidadãos. São fomes legítimas e que, antes de mais nada, merecem a nossa mais profunda admiração.
Caetano, meu caro, você vive pisando na bola e já estamos acostumados. Mas Rita, minha musa do rock, você também? Em gentil protesto contra os comentários pouco dignos de vocês dois, publico o texto de Bessa Freire aqui. Para além do protesto, porém, o publico para registrar minha adm…

E a turma mostra a que veio

Finalmente o Estadão sai do armário e assume que não está fazendo jornalismo, mas campanha aberta, com opção clara para um determinado candidato. No editorial de ontem, 26 de setembro, intitulado “O mal a evitar”, O Estado de S. Paulo declarou seu apoio à candidatura de José Serra, um candidato de “currículo exemplar”, em condições de “evitar um grande mal ao País”.

O Estadão assume assim, em definitivo, que é tendencioso, que tem um interesse bem claro com as manchetes que estampa em suas capas diárias e que está no jogo da política como um partido e não como um órgão de imprensa. Lula tinha toda razão no seu desabafo, portanto.

O Estadão ratifica, ainda, seu viés ideológico típico de classificar tudo o que vem do povo, da vontade do povo, como “facção”, coisa perigosa, de gente de menor valor, que não tem o direito de eleger quem quer que seja para colocar no palácio. O palácio é, para o Estadão, um lugar nobre demais para que uma nação de miseráveis vote com o estômago, com o bolso, …

A pena de morte é imoral

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Teresa foi executada ontem à noite, com 13 longos minutos de atraso, às 23h13min (horário de Brasília). Mais um lamentável capítulo da degradante história da pena de morte, o direito que o Estado se outorgou de decidir quem pode viver e quem deve morrer, apesar dos flagrantes erros já cometidos com a condenação de inocentes à morte. No meu entender, não há nenhuma diferença entre a injeção letal que tirou a vida de Teresa e a lapidação islâmica.
Não cabe a mim julgar os atos de Teresa. Se ela foi culpada ou inocente, pouco importa aqui. Não se trata de fomentar a impunidade, tampouco.Também não tem nenhuma importância medir o seu coeficiente mental. Se ela tem 70% ou 72% de capacidade de ser responsabilizada por seus atos, não importa. Não é o caso de termos pena dela ou de nos comovermos com sua condição de incapaz.
O que importa realmente, neste caso e em todos os outros, é a imoralidade da pena de morte. É comprovado que ela não reduziu os índices de criminalidade. É comprovado que m…

Teresa vai morrer hoje

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Está programada para as 23 horas de hoje (21 horas no horário local) a execução de Teresa Lewis, a primeira mulher a ser executada no estado da Virgínia em quase um século e a primeira nos EUA desde 2005. Segundo a condenação, ela contratou os assassinos que mataram o seu marido e o seu enteado há oito anos. O advogado de Teresa garante que ela é deficiente mental.

Teresa tinha 33 anos quando seu marido, Julian Lewis Jr., de 51, e seu filho Charles Lewis, de 25 – um reservista das Forças Armadas dos EUA –, foram assassinados en seu homecar. Matthew Shallenberger (21) e Rodney Fuller (20) puxaram os gatilhos. Eles foram contratados por Teresa, que iniciou um namoro com os dois num supermercado, combinando com eles o assassinato, prometendo pagamento e parte do seguro de vida que receberia. Ela também teria dado 1.200 dólares para que os dois comprassem as armas e deixou a porta do trailer aberta na noite do assassinato. Depois dos tiros ela repartiu os 300 dólares do caixa do marido aos…

Tolerância é uma palavra feia

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Eu já havia ouvido um argumento semelhante por esses dias, não sei onde. Mas o texto abaixo, de Juan Ária, pescado no blog leituraglobal, dá o que pensar. Nós toleramos muitas coisas. Mas, assim que viramos as costas ou nos encontramos no círculo dos que compartilham dos nossos pensamentos mais irreveláveis, deixamos escapar que, em muitos momentos da nossa vida, usamos “luvas” invisíveis, mas que nos protegem moralmente. Fazemos do politicamente correto uma espécie de “camisinha social”, para não sermos contaminados. Assim, evitamos que o contato pele a pele aconteça em situações indesejadas. Nos blindamos. Dessa maneira tocamos a vida, conseguindo conviver de forma suportável com aquilo que consideramos diferente. Sem mais comentários, ao texto de Juan Ária. Boa leitura:

Há alguns dias eu zapeava pela televisão quando deparei com uma entrevista com Hussein, o falecido rei da Jordânia. De repente, ouvi dele uma frase que me deixou perplexo por alguns segundos: “Tolerância é uma palavr…

Quem eram os terroristas?

Uma aula de história para você, que não viveu aquele tempo. Para você, que não acredita. Para você, que acha que abrir os arquivos da ditadura é revanchismo. Para você, que acha que tudo isso não pode repetir-se. Uma aula de história para você, que nega tudo isso. Uma aula de história especial para você, que acusa os jovens que lutaram contra a ditadura de terroristas. Graças à luta deles, hoje nós vivemos numa democracia. Graças à luta deles, hoje você pode assistir a este vídeo e discordar 100% do relato. Mas não se esqueça: se esquecermos este relato e o negarmos, ele pode se repetir. Espero que, quando isso acontecer, a vítima não seja você...

Evillution e resgate do Éden

Este vídeo, criado pelo estudante de cinema brasileiro Arthur Lobo para um trabalho na Escola de Cinema de Vancouver, dá bem a ideia do massacre cultural representado pela chegada da civilização ocidental-cristã-europeia sobre as culturas originais dos povos indígenas. O que parece ser um pesadelo é, na verdade, um prenúncio do que já está ocorrendo ao redor do aparentemente ainda intocado bioma em que vive o indígena protagonista do curta-metragem.

O pesadelo já se instalou até mesmo entre as remotas culturas indígenas ainda escondidas pelo que resta da Amazônia. Seus jardins do Éden são violados e destruídos, ao mesmo tempo em que eles são lançados para a escuridão e o terror do que os brancos chamam de civilização, desconstruindo de modo violento o que seus antepassados levaram milênios para construir: culturas que desaparecem da face da Terra sem deixar marca ou registro.

Por isso, o envolvimento da igreja luterana na missão indígena através do COMIN é plenamente justificada. Sem pr…

Uma análise realista de 2010

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Dilma no estilo de Andy Warhol
Já faz algum tempo que estão me provocando para que diga a minha opinião sobre o andamento da atual campanha eleitoral e o desfecho que se aproxima, em 3 de outubro. Assino embaixo do que o presidente do Instituto Vox Populi, o sociólogo Marcos Coimbra, escreve a seguir. É uma análise sóbria, madura e realista do que esta campanha presidencial está mostrando. Será uma bela tese de doutorado debruçar-se sobre a montanha de asneiras e falsas opiniões travestidas de “a verdade” que tentaram jogar sobre o povo brasileiro nestes dias de 2010. Analisando friamente, o cenário político atual lembra um jogo de futebol de várzea. Estão perdendo o jogo de goleada e o time perdedor está tentando armar um barraco danado para acabar com a partida antes do apito final. É um vale-tudo que deixa qualquer um de queixo caído. Mas é melhor deixar este tipo de análise para depois. Vai ser mais divertido ainda... Ao texto de Marcos Coimbra. Boa leitura:

Quando, no futuro, for e…

40 anos sem Jimi Hendrix

Já faço hoje, como um registro para este fim de semana, uma homenagem especial. Amanhã, dia 18 de setembro, completam-se 40 anos da morte de Jimi Henrix, o maior guitarrista que já passou pela face da terra. Ele foi encontrado morto na cama de um hotel de Londres, afogado no próprio vômito, vítima de overdose. Nascido na mais amarga pobreza, ele foi lançado da infância pobre para o mundo surreal das super-estrelas pop, que o devorou impiedosamente.

Morreu aos 27 anos, tocou guitarra somente por 12 anos, como nenhum outro ser humano havia feito antes, e quatro anos antes de sua morte havia gravado seu primeiro disco. Mas isto bastou para torná-lo um dos maiores músicos do século 20 e um ícone dos anos 60, com seu penteado afro e sua aparência de pirata hippie.

Ninguém havia tocado guitarra elétrica até então como este jovem afro de Seattle. “Hendrix fazia exatamente aquilo que eu queria fazer, só que eu não conseguia”, disse o guitarrista inglês Jeff Beck. Eric Clapton, que já na época e…

Polêmica mesquita no lugar certo

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Pesquei na Agência de Notícias Ecupres um texto muito instigante de Michael Moore (foto), o famoso e polêmico cineasta americano (Fahrenheit 9/1, lembra?), falando sobre a possível construção de uma mesquita islâmica nas proximidades do Marco Zero, o lugar em que estavam as Torres Gêmeas, derrubadas pela Al Qaeda em 11 de setembro de 2001.

“Eu me oponho à construção da mesquita a duas quadras do Marco Zero. Quero que seja construída no Marco Zero”, inicia Moore.

A sua explicação encanta: “Por que? Porque creio num Estados Unidos que protege as vítimas do ódio e dos preconceitos. Creio em um Estados Unidos que diz que você tem direito a render culto ao seu Deus, qualquer que seja e em qualquer lugar em que você queira render-lhe culto. E porque creio em um Estados Unidos que diz ao mundo que somos um povo amante e generoso e se um grupo de assassinos rouba a sua religião e a usa como desculpa para matar 3000 mil almas, então eu vou ajudá-lo a recuperar sua religião. E eu quero colocá-la …

Nobel alternativo faz 30 anos

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Jakob von Uexküll é o criador do Nobel alternativo
O prêmio anual oferecido pela Right Livelihood Foundation, criado no ano de 1980 como uma alternativa de caráter social ao Nobel sueco, chega aos 30 anos. A data será comemorada num evento em Bonn, na Alemanha, que reúne 80 agraciados, inclusive brasileiros como Leonardo Boff, daquele que ficou conhecido como Nobel Alternativo. O evento comemorativo começa hoje, 15 de setembro, e se estende até o próximo dia 18. Entre os brasileiros também estão o MST-Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra e Francisco Whitaker Ferreira, cofundador do Fórum Social Mundial.
Oficialmente o prêmio chama-se Right Livelihood Award, nome da fundação criada pelo jornalista e ativista teuto-sueco Jacob von Uexküll (foto). A premiação homenageia projetos e pessoas que desenvolveram “soluções práticas e exemplares” para questões sociais urgentes. Von Uexküll sempre foi um crítico do comitê do prêmio Nobel, por considerar que ignora experiências em setores a…

França proíbe o véu

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A francesa Kenza Drider promete desrespeitar lei. Foto: Claude Paris/AP

Passo a passo, rumo à intolerância total. O senado francês aprovou nesta terça-feira 14 de setembro, o veto ao uso de véus islâmicos integrais, que cobrem todo o rosto da mulher, como a burca e o nicab. O veto foi aprovado por 246 votos a um. A maioria dos senadores de oposição se absteve em protesto. A lei já havia sido aprovada na Câmara em 13 de julho. Opositores do projeto têm dez dias para recorrer a medida no Conselho Constitucional, mas isto é considerado improvável por analistas. O presidente Nicolas Sarkozy deve sancionar a lei.

Líderes muçulmanos franceses acreditam que a lei pode elevar o risco de islamofobia no país. O projeto proíbe o uso de véus que cobrem o rosto da mulher nas ruas e em edifícios públicos. O veto deve afetar cerca de 2 mil mulheres e deve entrar em vigor seis meses depois da sanção.
A muçulmana francesa Kenza Drider (foto) disse que vai desrespeitar a lei. “Não é uma lei justa. É cont…

De barriga cheia

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O Brasil lidera, pelo segundo ano consecutivo, o ranking da ActionAid que mede o progresso de 28 países na luta contra a fome. O novo ranking foi divulgado hoje, 14 de setembro, no relatório “Who’s Really Fighting Hunger?” (Quem realmente está combatendo a fome?). O Brasil é seguido por China e Vietnã e em último na lista está a República Democrática do Congo.
Como em 2009, a ActionAid elogia as políticas sociais adotadas pelo governo federal para reduzir a fome no país, destacando os efeitos benéficos de programas como o Bolsa Família e o Fome Zero.
Mas o relatório também faz críticas, ao dizer que se tem investido muito mais em agrobusiness do que na agricultura familiar. “O governo começou a investir muito mais na agricultura em pequenas propriedades. Entretanto, ainda há um longo caminho para acabar com a fome e reagir às imensas desigualdades históricas que existem entre os pequenos e grandes produtores”, avalia o relatório. “O Brasil tem tido a tendência de concentrar seu investi…

Facebook - 1939

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A organização People Against Racism (Pessoas Contra o Racismo) lançou a campanha “Facebook – 1939”, para falar sobre racismo. Com a chamada “Após o estabelecimento do estado Eslovaco, em 14 de março de 1939, um monte de gente perdeu muitos amigos”.

A criação do Estado Independente da Eslováquia foi acompanhada de opressão racial e deportação dos judeus para campos de concentração, onde eram obrigados a usar no peito uma estrela amarela com a palavra “Jude”. Quem andasse sem esta insígnia, que tinha a clara intenção de humilhar, era executado sumariamente. Todos os judeus nos guetos e nos campos de concentração nazistas foram obrigados a isso.

A campanha está se espalhando como um vírus por meio do Facebook. Convida as pessoas a participarem da ação de protesto “Chega de Silêncio”, com a peça acima, que contém as estrelas amarelas e serve também de capa para uma cartilha que fala sobre racismo latente, publicada pela People Against Racism.
Essa história não deve e não pode ser esquecida, …

Césio-137: quem se lembra?

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Completa hoje 23 anos o maior acidente nuclear ocorrido no Brasil. O acidente com o isótopo Césio-137 ocorreu em Goiânia, com início no dia 13 de setembro de 1987. Uma única cápsula que continha césio-137 havia sido retirada de um aparelho de radioterapia abandonado, contaminando centenas de vítimas.

O desastre foi motivado pela necessidade de dois catadores de lixo, que viviam de ferro velho, que retiraram um aparelho de radioterapia abandonado do prédio abandonado do Instituto Goiano de Radioterapia (Santa Casa de Misericórdia) e, num carrinho de mão, o levaram para casa, para vender o metal do aparelho ao ferro-velho. Depois de retirarem o que lhes interessava, venderam o resto a Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho. Ele desmontou a máquina e expôs ao ambiente 19,26 g de cloreto de césio-137 (CsCl), um pó branco parecido com sal de cozinha que tem intenso brilho azul no escuro.

Devair se encantou com o brilho azul do pó branco e resolveu mostrar à família e os vizinhos, que …

O tique-taque do relógio

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(Foto: Mark Lennihan / AP Photo)

Na noite antes do aniversário de nove anos dos atentados de 11 de Setembro ao World Trade Center, um tributo de luz brilhou em direção ao céu a partir do Marco Zero, onde estavam erguidas as Torres Gêmeas. Os raios de luz puderam ser vistos de muito longe em Manhattan.

A homenagem é justa, porque naquele dia a nove anos não ruiu somente um símbolo do ocidente. Entre os escombros, mais de três mil pessoas perderam a vida. Uma nação inteira saiu marcada para sempre do episódio e com o coração ferido. Um gesto fundamentalista insano e inclassificável rompeu para sempre o delicado equilíbrio entre o oriente e o ocidente. Mesmo assim, o dramático resultado do fundamentalismo de um grupo radical do oriente não pode ceder espaço a iniciativas fundamentalistas, desta vez, no ocidente.

Entre estas atitudes está a de Terry Jones. Durante a semana, este obscuro pastor “evangélico”, autor de um livro com o polêmico título “O Islã é do demônio”, quase incendeia o mund…

Realidade retocada

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A saturação das cores neste campo de refugiados no Senegal dá bem a ideia da realidade retocada pelo Photoshop

O Photoshop é uma ferramenta maravilhosa, que se tornou indispensável para trabalhar com imagens em geral. Mas tem muita gente abusando dele, especialmente quando o assunto é dar um trato na beleza feminina, tirar marcas, celulite, rugas, marcas de expressão e outros “sinais dos tempos” que quebram a simetria e se tornam “feias”, segundo o conceito da maioria da nossa sociedade consumista hedonista narcisista. Tais abusos têm contribuído para aumentar a mentira coletiva da beleza eterna de famosos que não resiste a uma análise ao vivo e a cores.

Mas a mania de pfotoshopar imagens ultrapassa os limites da decência quando o assunto é fotojornalismo. Antes da era Photoshop era necessário esperar o “instante preciso” para dar o clique mágico que levaria à foto genial, que normalmente vinha depois de consumir rolos e mais rolos de filmes. Era um tempo em que se podia acreditar numa …

Ela caiu da escada, doutor!

BFF - Stairs (Director's Cut) from Raketenfilm on Vimeo.Este impressionante vídeo desmascara de forma tocante e comovente a mais usada alegação dos agressores de mulheres quando confrontados com o seu crime. A campanha, desenvolvida pela agência Young & Rubicam de Frankfurt-Alemanha, vai direto ao ponto: “Milhares de mulheres estão caindo das escadas todos os dias. Você realmente acredita nisso?”

O vídeo é uma verdadeira obra-prima da publicidade e foi finalista da categoria “Films” do Festiva de Cannes deste ano. Ele faz parte de uma campanha contra a violência doméstica da entidade alemã BV Frauenberatungsstellen und Frauennotrufe – BFF (Associação Nacional de Aconselhamento da Mulher – Mulheres contra a Violência). Visite http://www.frauen-gegen-gewalt.de/. Todos os envolvidos no projeto (modelos, diretores de arte e fotografia, editores, câmeras, animadores 2D e 3D, músicos e cenógrafos) trabalharam de graça. A música também foi composta especialmente para o projeto.

Vândalos do nosso próprio planeta

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O que você sente quando passa por um viaduto, um prédio, um muro, um monumento atacado pelos pichadores? Revolta? Indignação? Ou indiferença, simplesmente? Você é daqueles que aceita esse tipo de interferência, desde que não seja em algo de sua propriedade? Eu considero isso vandalismo. Não interessa, se a propriedade atacada é particular ou pública.

Mas existe um tipo de vandalismo que sempre ataca o que é de todos. Nossa indomável tendência de usar sem perguntar pelas consequências nos transforma em vândalos do nosso próprio planeta. Cada ato destrutivo, que danifica o ecossistema ao nosso redor, é vandalismo em alto grau.

E é muito pior do que aquele praticado pelos pichadores. Estes se esgueiram pela noite, atacam às escondidas, ferindo monumentos e obras públicas quando não são vistos. Lata de spray na mão, eles vão passando à altura das mãos ou escalando os edifícios em busca de mais visibilidade. Tudo para deixar a sua marca e provocar a indignação da sociedade.

O tipo de pichação…

Nunca houve um Grito do Ipiranga

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"O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo (óleo sobre tela, 1888).

O jornalista Alberto Dines comentou hoje, no programa de rádio do Observatório de Imprensa (leia o seu texto na íntegra: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=605JDB016), que a épica imagem de Dom Pedro I gritando “Independência ou Morte” às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, não passa de um um factóide criado bem depois, para “enfeitar” a história. Segundo Dines, há 188 anos havia cinco jornais em circulação na Colônia e “nenhum deles fala do épico episódio protagonizado por D. Pedro nas redondezas de São Paulo às margens de um riacho”. A lista dos jornais inclui o Correio Braziliense (primeiro jornal independente do Brasil), a Gazeta do Rio de Janeiro, o Revérbero Fluminense, a Idade do Ouro do Brasil da Bahia e O Espelho.

Dines garante que o fato não foi registrado por nenhum destes periódicos. “Todos os cinco periódicos eram a favor da emancipação, estavam por dentro do assunto, repro…

Solte pipa comigo

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Receber uma ligação num sábado de manhã para combinar um programa diferente para o final de semana é uma coisa bem normal. Mas nada se compara a ouvir: "Vô, a minha mãe comprou uma pipa de águia para mim. Você quer vir aqui em casa soltar pipa comigo?"
Larguei tudo que estava fazendo e, com minha esposa, tomei a estrada, por duas horas, para juntar-me ao meu pequeno neto, de cinco anos, para atender a este pedido irresistível. Quando chegamos, ele já estava nos esperando na porta, pipa na mão, pronto para zarpar, rumo à sua maior aventura até então.
Foi uma experiência muito especial, não só para ele. Também para mim tornou-se uma daquelas pequenas coisas que se transformam em lembranças queridas. Mais do que aquela pipa, os meus pensamentos também se embalaram e alçaram voo, desfilando num céu de emoção e encantamento.

Xenofobia é defendida em livro

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Thilo Sarrazin escreveu “Deutschland schafft sich ab”

A xenofobia é como um tsunami. Quando se instala, vai crescendo e arrasando tudo pelo caminho. E ela se manifesta com maior ou menor intensidade em todos os cantos do planeta. Nem aqui, no Brasil, estamos livres dela. Coisas aparentemente ligadas ao calor típico das torcidas, como a antipatia recíproca entre brasileiros e argentinos por exemplo, tornam-se um terreno fértil para o crescimento do ódio ao estrangeiro.

Mas há coisas bem mais preocupantes que denunciam a sua prática entre nós, como o desprezo e o preconceito que muitos no sul nutrem contra os nordestinos. Gostamos de qualificá-los de malandros, que vivem do bolsa-família etc., enquanto brigamos no emprego e na escola para emendar os feriados de 2 de setembro (fundação de Blumenau) e 7 de setembro. Menciono isso apenas à guisa de embarcar no assunto.

O que preocupa de fato é o crescimento da xenofobia no hemisfério norte, particularmente nos EUA e na Europa. Já disse algum…