40 anos sem Jimi Hendrix



Já faço hoje, como um registro para este fim de semana, uma homenagem especial. Amanhã, dia 18 de setembro, completam-se 40 anos da morte de Jimi Henrix, o maior guitarrista que já passou pela face da terra. Ele foi encontrado morto na cama de um hotel de Londres, afogado no próprio vômito, vítima de overdose. Nascido na mais amarga pobreza, ele foi lançado da infância pobre para o mundo surreal das super-estrelas pop, que o devorou impiedosamente.

Morreu aos 27 anos, tocou guitarra somente por 12 anos, como nenhum outro ser humano havia feito antes, e quatro anos antes de sua morte havia gravado seu primeiro disco. Mas isto bastou para torná-lo um dos maiores músicos do século 20 e um ícone dos anos 60, com seu penteado afro e sua aparência de pirata hippie.

Ninguém havia tocado guitarra elétrica até então como este jovem afro de Seattle. “Hendrix fazia exatamente aquilo que eu queria fazer, só que eu não conseguia”, disse o guitarrista inglês Jeff Beck. Eric Clapton, que já na época era endeusado em Londres como o deus da guitarra e ainda hoje está entre os melhores, mesmo próximo dos 70 anos, ao vê-lo tocar pela primeira vez, disse: “Is he always so fucking good?”



Ele nasceu no dia 27 de novembro de 1943 num bairro pobre de Seattle, como filho de um soldado de 22 anos com uma menina de 17 anos. Quando o pai foi lutar no Japão, a mãe o empurrava por todos os parentes e, mesmo quando o pai voltou da guerra, a vida não melhorou. Os pais bebiam e se agrediam por causa dos filhos. A mãe morreu arruinada pelo álcool quando Jimi tinha 16 anos. Ele ia mal na escola e tocava violão acústico o dia inteiro, comprado com 5 dólares. Ao perceber o seu talento, o pai lhe comprou a primeira guitarra elétrica.

Após ser preso por duas vezes com carros roubados, ficou dois anos na cadeia, de onde saiu com a condição de servir o exército. Depois de um ano no exército, ele estava tão cheio daquilo que foi ao psiquiatra e se declarou apaixonado por um colega de farda, sendo dispensado por “inclinações homossexuais”. Aquilo foi uma libertação para ele.

Após tocar como guitarrista para vários artistas, uma namorada lhe deu de presente uma Fender Stratocaster branca, que se tornou “o amor da sua vida”, segundo a namorada. Ele tinha 23 anos e, pela primeira vez, tinha em mãos um instrumento à altura do seu talento, no qual ele podia executar a música que fervilhava na sua cabeça.

A partir daí, sua ascensão foi estratosférica. No começo ele tocava Bob Dylan e adorava “Like a Rolling Stone”. Ele foi descoberto em Nova York por Linda Keith, a namorada de Keith Richards, o guitarrista dos Rolling Stones. Ela também o levou ao LSD, a droga dos brancos, e a Londres, onde assinou o primeiro contrato, em 1966. Com a banda The Jimi Hendrix Experience ele alcançava o quarto lugar na parada de sucessos londrina já no ano seguinte, com a canção “Hey Joe”.

Em maio de 1967 veio o primeiro LP, “Are You Experienced?”, e turnês pelos países escandinavos e pelos Estados Unidos, onde tocou guitarra nas costas, com os dentes e puxou todos os registros para conquistar seus conterrâneos. Seguiu-se logo um outro LP (Axis: Bold as Love) e um LP duplo (Electric Ladyland). E Hendrix é explorado à exaustão pela gravadora e pelos seus empresários, que o fazem realizar dois concertos ao dia, seguido de gravações no estúdio. Ele só da conta do recado com o uso de drogas: anfetaminas para levantar o astral e barbitúricos para conseguir dormir. Maconha sempre, mas também LSD, cocaína e heroína.

Em Woodstock ele despedaça o hino nacional americano e o reconstrói num hino de protesto à guerra do Vietnã, consagrando-a como a melodia de uma geração que ama o seu país, mas odeia o governo que conduz a guerra. Hendrix torna-se uma lenda. Ele entende demais de música para poder ser um revolucionário. Mas no dia em que Martin Luther King é assassinado, ele improvisa um concerto fúnebre até levar a plateia às lágrimas, extravasando sua própria dor por ser discriminado, como todos os negros americanos naqueles anos.

Na última noite, para dormir, ele engoliu nove comprimidos do barbitúrico Vesparax. Para dormir bastava meio ou, no máximo, um comprimido daqueles. Ele não sabia. A caixa de comprimidos era da namorada Monika Dannemann. Ele passa mal, enquanto está incapacitado pela droga, vomita e morre afogado no próprio vômito. Na mesa da cabeceira estava a letra de uma canção, escrita por Jimi na noite anterior: “The Story of my life”. O cantor Eric Burdon primeiro acha que era uma carta de despedida e que Jimi tivesse se suicidado. Mas depois ficou claro que a sua morte foi um acidente.

A fama de Jimi Hendrix como guitarrista genial só fez crescer após sua morte. O músico Brian Eno já perguntava há vários anos “por que Jimi Hendrix não é reconhecido pelos especialistas em música como o mais importante compositor do século?”. Mas especialistas em música não combinam com Hendrix. Ele era analfabeto musical. Não sabia ler nem escrever notas musicais. Ele via a música acontecer enquanto a fazia, dizia ele. “Eu toco cores.”

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O ócio e o negócio

O boato do filme Corpus Christi

Origem do termo “América Latina”