O tique-taque do relógio

(Foto: Mark Lennihan / AP Photo)

Na noite antes do aniversário de nove anos dos atentados de 11 de Setembro ao World Trade Center, um tributo de luz brilhou em direção ao céu a partir do Marco Zero, onde estavam erguidas as Torres Gêmeas. Os raios de luz puderam ser vistos de muito longe em Manhattan.

A homenagem é justa, porque naquele dia a nove anos não ruiu somente um símbolo do ocidente. Entre os escombros, mais de três mil pessoas perderam a vida. Uma nação inteira saiu marcada para sempre do episódio e com o coração ferido. Um gesto fundamentalista insano e inclassificável rompeu para sempre o delicado equilíbrio entre o oriente e o ocidente. Mesmo assim, o dramático resultado do fundamentalismo de um grupo radical do oriente não pode ceder espaço a iniciativas fundamentalistas, desta vez, no ocidente.

Entre estas atitudes está a de Terry Jones. Durante a semana, este obscuro pastor “evangélico”, autor de um livro com o polêmico título “O Islã é do demônio”, quase incendeia o mundo com sua convocação para que se queime o Alcorão, livro sagrado do Islã. Terry Jones é tão fundamentalista quanto os fundamentalistas que quer combater. Com o seu gesto, poderia apressar a explosão de uma bomba relógio que começou a sua contagem regressiva justamente no dia 11 de setembro, há nove anos.

Felizmente, o próprio presidente Obama pediu formalmente que Jones desistisse do seu intento. E ele deu ouvidos a Obama e à pouca razão que ainda reina em seu cérebro fundamentalista, desistindo de seu protesto tresloucado.

Mas o tique-taque do relógio daquela bomba explosiva não foi parado. Duvido muito que se repita, neste caso, a famosa cena final dos filmes de ação, quando o herói desarma o mecanismo do tempo que vai acionar o detonador ainda no segundo antes de marcar o fatídico número zero. Não só Jones, mas muitos outros como ele, continuarão fazendo de tudo para provocar o curto-circuito que vai acioná-lo.

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