Evillution e resgate do Éden



Este vídeo, criado pelo estudante de cinema brasileiro Arthur Lobo para um trabalho na Escola de Cinema de Vancouver, dá bem a ideia do massacre cultural representado pela chegada da civilização ocidental-cristã-europeia sobre as culturas originais dos povos indígenas. O que parece ser um pesadelo é, na verdade, um prenúncio do que já está ocorrendo ao redor do aparentemente ainda intocado bioma em que vive o indígena protagonista do curta-metragem.

O pesadelo já se instalou até mesmo entre as remotas culturas indígenas ainda escondidas pelo que resta da Amazônia. Seus jardins do Éden são violados e destruídos, ao mesmo tempo em que eles são lançados para a escuridão e o terror do que os brancos chamam de civilização, desconstruindo de modo violento o que seus antepassados levaram milênios para construir: culturas que desaparecem da face da Terra sem deixar marca ou registro.

Por isso, o envolvimento da igreja luterana na missão indígena através do COMIN é plenamente justificada. Sem proselitismo ou intenções “missioneiras”, na convivência do resgate das culturas autóctones e da busca da etno-sustentabilidade, o trabalho dessa gente que se mete no meio dos Edens indígenas ou daqueles que já foram implacavelmente massacrados pela nossa Evillution real, tupiniquim, é heróico. É gente que não fica nas universidades, fazendo conversa mole sobre antropologia e ganhando graus e über-graus às custas das culturas extinguintes. Eles botam a cara para bater e, em meio ao inóspito e ao precário, constroem vida, abundante e plena, fazendo jus ao que Jesus Cristo nos ensinou.
Em tempo: Em oposição ao termo Evolution (evolução), o nome do filme usa o neologismo Evillution (evil = mal ou do mal), deixando claro que esta é uma evolução do mal.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O ócio e o negócio

O boato do filme Corpus Christi

Origem do termo “América Latina”