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Mostrando postagens de Julho, 2015

Obama mostra que a África existe

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A respeitosa visita do presidente americano Barack Obama ao Quênia, terra de seus familiares, tem um significado que mal conseguimos avaliar aqui, do outro lado do Atlântico. Foi necessário que um descendente de quenianos, negro e herdeiro histórico da escravidão se tornasse presidente da mais poderosa nação do planeta para que se fizesse o gesto de perceber que a África existe. Obama mostrou que a África existe. E isso não é pouco, creiam! A propósito de sua visita, recorto um trecho de um livro terrível, mas que apresenta a dramática conta da passagem do cristianismo pela humanidade. É um trechinho apenas, mas que mostra porque a África é o que é, ainda hoje, graças sobretudo a incursões em busca de escravos, realizadas com a Cruz de Cristo impressa nas bandeiras e esculpida no metal dos cabos das espadas: “As contínuas incursões dos escravistas por quase trezentos anos destruíram a economia de vastas áreas da África, privando populações inteiras de sua melhor mão-de-obra, o que fez…

Início da era atômica completa 70 anos

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Há 70 anos, no dia 16 de julho de 1945, às 5h29min45s, no campo de testes de foguetes White Sands em Jornada del Muerto, vale do Novo México, iniciava a era atômica. Exatamente neste momento explodia a primeira bomba atômica, que tinha o nome de “The Gadget” (foto). Poucas semanas depois, uma bomba semelhante explodia sobre Nagasaki. Sua explosão abriu uma cratera de três metros de profundidade e 730 metros de diâmetro. O epicentroda explosão transformou a areia num vidro verde radioativo. A explosão levantou um cogumelo atômico de doze quilômetros e a onda de choque podia ser sentida a 160 quilômetros de distância, cuja explosão pôde ser ouvida a 320 quilômetros de distância. Ainda hoje, 70 anos depois, a radioatividade no campo onde foi feito o teste é dez vezes acima do normal. O diretor do projeto, Dr. J. Robert Oppenheimer, usou uma frase de um antigo escrito hindu, para descrever o que viu: “Eu me tornei a própria morte, o destruidor dos mundos”. Pela primeira vez na história, a…

Sobre Igrejas que se calam

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"Uma igreja que se pela de medo, evitando a qualquer custo aparecer à luz do dia como quem toma partido e que jamais se arisca a ser partidária, observe muito bem se não está irremediavelmente se comprometendo... com o diabo, todavia, que não conhece companheira melhor do que uma igreja que, em troca de preservar sua boa-fama e suas vestes limpinhas, permanece eternamente calada, eternamente meditativa, eternamente neutra; uma igreja que, por estar demais preocupada com a transcendência do Reino de Deus – na verdade, nem tão fácil de ser ameaçada –, transforma-se num cão que não late.
Karl Barth

Quem separa o joio do trigo?

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Jesus contou muitas parábolas fantásticas. Entre elas, há a parábola do joio e do trigo (Mateus 13.24-30), que conta sobre um homem que semeou boa semente, mas um inimigo encheu o seu campo de sementes de pragas. Os trabalhadores queriam arrancar as pragas ainda pequenas, mas o homem disse que eles iriam prejudicar também o trigo. "Quando tudo estiver maduro, os ceifeiros vão separar as pragas do trigo, juntar as pragas e queimá-las, mas o trigo juntarão no meu celeiro", disse ele. Ainda hoje tem gente apressadinha, separando o que consideram praga do que julgam ser o trigo. No mundo, cristãos hostilizam muçulmanos e fundamentalistas islâmicos incendeiam igrejas e matam seus "inimigos". Estão fazendo isso aqui no Brasil, todos os dias, quebrando santos, atacando terreiros de umbanda, hostilizando cristãos de outras confissões e condenando minorias ao inferno. Consideram que o trigo cresce somente no seu campo, enquanto as pragas estão no outro lado da cerca e preci…

Profecia e realidade

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Tenho uma admiração especial pelos profetas do Antigo Testamento. Segundo os teólogos, receberam uma missão especial de Deus, de alertar o povo desobediente sobre as consequências disso. É uma interpretação legítima, mas torna Deus uma espécie de vingador do futuro.

O que realmente admiro nesses profetas é a sua arguta capacidade de olhar para o momento histórico, para a realidade sócio-cultural e religiosa do povo em determinado momento e, com base nessa análise, puxar os registros e apontar as consequências. Eles eram os passageiros da história que, sem medo, puxavam o freio de mão. Como disse muito bem Dietrich Bonhoeffer, se atiravam nos raios da roda para parar a carroça. Muitos perderam a própria vida por isso, foram perseguidos e considerados traidores.

Longe de mim querer ser como os profetas bíblicos. Sou um reles cidadão assustado com o que está acontecendo. Mesmo assim, ouso profetizar. Faz parte da minha atribuição de anúncio e de denúncia. Quem mandou dizer "sim&quo…