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Marie Curie e Judith Butler - Incríveis Semelhanças

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Muitos não entendem que, quando falamos de justiça de gênero, estamos buscando valorizar a mulher. Neste mês de novembro, em que são comemorados os 150 anos do nascimento de Marie Curie, nada mais justo do que voltar a este tema. Mesmo porque, como primeiro destaque mundial da mulher no machista segmento da ciência humana, Marie Curie passou por experiências muito parecidas com as que Judith Buthler teve que enfrentar no Brasil cem anos depois (imagina, neste quesito estamos um século atrasados, que tristeza!). Vamos primeiro saber quem foi Marie Curie (1867-1934). Ela foi uma verdadeira heroína feminina num mundo majoritariamente dominado pelos homens. Ela foi a primeira doutora em Ciências Naturais, a primeira professora mulher em Sorbonne, a primeira cientista mulher a ganhar o Nobel de Física, e também a primeira pessoa humana a ganhar um segundo Nobel em Química, bem como a primeira integrante mulher da “Académie de Medicine” parisiense. Foi a primeira mulher a candidatar-se à “…

Bota ele no prego, professor!

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Quinhentos anos depois, é fácil. Deve beirar aí o milhão de páginas o que já foi escrito sobre aquelas 95 teses. Mas eu quero ir por outro caminho. Quero imaginar o estado do professor Martin Luther naquele fatídico dia 31 de outubro, há quinhentos anos. Na noite anterior, ele nem deve ter pregado olho. Se bem que, nas anteriores, também dormiu mal. Aquele Tetzel estava entalado na sua garganta. O Santo Padre, em Roma, não devia estar sabendo disso. Muito menos, dar o seu aval a essa barbaridade! Alguém precisava contar ao Papa o que esse safardanas andava fazendo em nome da Igreja! Um babaca, isso é o que ele era! Como é que pode negociar desse jeito com a fé simples do povo? A Igreja não podia estar por trás disso! E aquele discurso que ele andava fazendo soava como um slogan de propaganda enganosa: "Quando a sua moedinha tilintar na caixinha, a alma do seu pai, da sua mãe, do seu marido salta do purgatório para o céu! Não tem intermediários, é negócio direto! Só depende de vo…

Lutero e Marx

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Você deve pensar que enlouqueci de vez. Como um pastor pode fazer uma comparação entre Martim Lutero e Karl Marx? Mesmo espantado, recolha o seu espanto e acompanhe o meu raciocínio. O texto é longo, eu sei, mas “ouse ler”, como diz o meu amigo Renato. Bem, vamos aos detalhes. Não penso nos escritos, nas frases bombásticas ou no sucesso do professor de Wittenberg em sua terra, onde tinha a proteção de muitos príncipes e, mesmo tendo sido excomungado, levava uma vida relativamente normal, se é que se pode dizer isso da experiência alucinante que foi a existência de Lutero. Penso no que pensavam seus inimigos. Para isso, baseio-me na jovem filósofa italiana Marta Quartale, que está trabalhando em sua tese de doutorado em filosofia na universidade de Berlim. Em Roma, o ex-monge e professor de Wittenberg era o próprio demônio. Naqueles tempos em território italiano, graças ao renascimento da Inquisição no verão de 1542, qualquer simpatia à Reforma sumiu completamente do mapa em 70 anos. …

PIP, PIP, PIP, PIP...

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Era o que se ouvia pelas antenas do rádio amador em todo o mundo desde o dia 4 de outubro de 1957. O ruído intermitente vinha de uns 200 quilômetros de altura. Era o sinal emitido pelo satélite “Sputnik 1”, que se movia rápido em órbita da Terra. Enquanto os soviéticos festejavam seu feito, ao lançar o primeiro objeto feito pelo homem em órbita do planeta, no Ocidente se desconfiava daquilo. Quem pode lançar uma lua artificial em torno do planeta, também pode colocar foguetes intercontinentais com ogivas nucleares em qualquer lugar do mundo. O pip-pip da pequena esfera metálica em órbita podia ser captado por três semanas em todas as antenas do mundo. Depois, silêncio. As baterias da Sputnik tinham acabado. Ficou volteando o planeta por três meses, dando uma volta à Terra a cada 96 minutos e carbonizou no dia 4 de janeiro de 1958, ao reingressar na atmosfera terrestre. Com o Sputnik iniciou a Era Espacial e, simultaneamente, as superpotências da Guerra Fria, EUA e URSS, iniciaram a c…

O religioso e o oficial

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No sábado, 29 de julho, aconteceu a primeira Marcha Para Jesus de Blumenau. O evento, organizado pela Ordem dos Ministros Evangélicos de Blumenau, reuniu algo em torno de cinco mil fieis das igrejas evangélicas, que marcharam da Prefeitura até a Vila Germânica, onde ocorreram celebrações e cultos até a noite de sábado. Como evento religioso, merece meu total respeito. Incomoda, entretanto, que a Marcha não é a priori um evento religioso, como se poderia concluir à primeira vista. É que ela é parte do Calendário Oficial do Município de Blumenau e está chancelada pela Lei nº 7.336 aprovada pela Câmara Municipal de Vereadores de Blumenau no dia 30 de março deste ano. O último sábado de julho, segundo esta lei aprovada em segundo turno, será dedicado todos os anos à Marcha Para Jesus.
Bem diferente é a missa dos motociclistas, do Padre João Bachmann. Um evento religioso, que não está no calendário oficial aprovado pela Câmara de Vereadores, mas botou cinco mil motociclistas nas ruas de B…

Os que foram na frente

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No dia 29 de junho lembramos o martírio de Pedro e de Paulo. Os dois seguiram caminhos diferentes por toda a vida. Um foi pescador e saiu pescado. O outro, um intelectual, cidadão romano, que entrou no movimento pela porta dos inimigos e se tornou seu comandante.
Pedro era um cara simples, que não se envergonhava de suas lacunas. Era sarcástico e afeito a frases curtas. Foi o discípulo amado, que jurou fidelidade eterna. Mas, traiu o Mestre e foi capaz de chorar por isso. Um de nós, com todas aquelas falhas de caráter que tanto detestamos, porque nos tornam fracos. Ainda assim, foi elevado ao posto de pedra angular da Igreja. O pescador Simão virou Pedro, para ser apóstolo. Jesus lhe deu o novo nome, para ser a “rocha” sobre a qual ergueria seu Reino. Tornou-se o apóstolo da esperança cristã, porque assume suas fraquezas. Seu título apostólico é “Pastoreia as minhas ovelhas”. Que se calem os “pastores” midiáticos dos nossos dias, diante do sucesso de Pedro. Seu primeiro discurso junt…

O Planeta e o Topetudo

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O mês de junho começou com uma notícia triste para toda a humanidade. Vinha da Casa Branca a informação de que o presidente Homer Simpson decidia que os EUA não vão cumprir o tratado que assinaram junto com outros 195 países, de reduzir a emissão de gases de efeito estufa (CO2). A saída dos EUA do Tratado de Paris não significa meramente um país a menos na lista. Representa, antes, que a maior economia do planeta, que detém sozinha a produção e o consumo equivalentes ao de pelo menos outros 150 signatários juntos, desembarca dos esforços de salvar a Criação de Deus. Isso não é pouco. Segundo a ONU, esse “calote ambiental” significa que as metas de Paris não poderão mais ser cumpridas. E nada vai acontecer. Homer Simpson continuará desfilando seu topete exageradamente loiro pelo mundo, e todos estenderão tapetes vermelhos para ele e perfilarão suas tropas de elite para bater-lhe continência. Se um país do terceiro mundo dá um calote econômico, é sufocado por sanções internacionais até…