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Os que foram na frente

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No dia 29 de junho lembramos o martírio de Pedro e de Paulo. Os dois seguiram caminhos diferentes por toda a vida. Um foi pescador e saiu pescado. O outro, um intelectual, cidadão romano, que entrou no movimento pela porta dos inimigos e se tornou seu comandante.
Pedro era um cara simples, que não se envergonhava de suas lacunas. Era sarcástico e afeito a frases curtas. Foi o discípulo amado, que jurou fidelidade eterna. Mas, traiu o Mestre e foi capaz de chorar por isso. Um de nós, com todas aquelas falhas de caráter que tanto detestamos, porque nos tornam fracos. Ainda assim, foi elevado ao posto de pedra angular da Igreja. O pescador Simão virou Pedro, para ser apóstolo. Jesus lhe deu o novo nome, para ser a “rocha” sobre a qual ergueria seu Reino. Tornou-se o apóstolo da esperança cristã, porque assume suas fraquezas. Seu título apostólico é “Pastoreia as minhas ovelhas”. Que se calem os “pastores” midiáticos dos nossos dias, diante do sucesso de Pedro. Seu primeiro discurso junt…

O Planeta e o Topetudo

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O mês de junho começou com uma notícia triste para toda a humanidade. Vinha da Casa Branca a informação de que o presidente Homer Simpson decidia que os EUA não vão cumprir o tratado que assinaram junto com outros 195 países, de reduzir a emissão de gases de efeito estufa (CO2). A saída dos EUA do Tratado de Paris não significa meramente um país a menos na lista. Representa, antes, que a maior economia do planeta, que detém sozinha a produção e o consumo equivalentes ao de pelo menos outros 150 signatários juntos, desembarca dos esforços de salvar a Criação de Deus. Isso não é pouco. Segundo a ONU, esse “calote ambiental” significa que as metas de Paris não poderão mais ser cumpridas. E nada vai acontecer. Homer Simpson continuará desfilando seu topete exageradamente loiro pelo mundo, e todos estenderão tapetes vermelhos para ele e perfilarão suas tropas de elite para bater-lhe continência. Se um país do terceiro mundo dá um calote econômico, é sufocado por sanções internacionais até…

Santa Fumaça

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Faz trinta anos e oito meses que larguei o tabaco e me sinto muito bem, graças a Deus. Mas, nem por isso estou na turba crescente dos evangélicos que condenam o fumo como um pecado que impede as pessoas de entrar no céu. Quando fui estudar Teologia no Morro do Espelho, eu fumava escondido dos meus pais, embora meu pai tenha sido fumante boa parte da sua vida. Eu fazia bicos para comprar cigarros paraguaios de qualidade duvidosa. Quase ninguém considerava isso um pecado entre os futuros pastores e os grandes teólogos que nos davam formação. As reuniões do Corpo Docente da nossa querida Faculdade de Teologia podiam ser cortadas com uma faca. A nuvem de fumaça dentro da sala era tão densa que depois de meia hora de reunião se sabia quem estava falando somente pela voz, mas não porque alguém visse quem estava fazendo uso da palavra. Naqueles turbulentos anos 70 todo mundo fumava em sala de aula. Adorávamos um convite para o aniversário de algum docente, porque os estudantes eram recebido…

Uma história para o Dia da Mulher

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Para o Dia Internacional da Mulher eu vou contar-lhes uma história. Certa vez, havia um homem, que já era casado, encantou-se por uma mulher estrangeira, e resolveu torná-la sua concubina. Julgando-se dono dela, mesmo contra as regras do casamento, ele não a tratou como se deve tratar uma mulher, e ela voltou para a sua terra, casa do seu pai. Quatro meses depois, arrependido, ele foi atrás dela, para tentar convencê-la a voltar para aquela relação de concubinato. Na viagem, levou consigo um escravo e dois jumentos. Ao chegar lá, entretanto, apenas falou com o pai dela, que deu comida, bebida, muita conversa e atenção ao homem, ao seu escravo e até aos dois jumentos. Por insistência do pai da moça, ele ficou ali muitos dias, e certamente também aproveitou o leito da moça, cuja opinião não importava. A ela, nada perguntou ou sequer trocou uma palavra com ela. Depois de uma semana de farra e comilança com o pai dela, pegou a moça e a levou para sua casa. No caminho, viagem de dia intei…

A bicicleta completa dois séculos

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Hoje, este genial meio de transporte é considerado a solução para nosso caos no trânsito e é um símbolo da mobilidade amiga da natureza. Mas foi a necessidade e a própria natureza que deram impulso à ideia da bicicleta. Ela foi inventada há 200 anos como “máquina de andar” (Draisine), por um alemão de nome Karl-Friedrich Drais. Dificuldades econômicas e o clima fizeram diminuir o alimento para os cavalos, a principal força propulsora do transporte no século 19. Em 1812 houve uma brutal quebra na safra de aveia e, enquanto os pobres não tinham como alimentar os “motores” de suas carroças, a nobreza ficava com o que era possível para os belos animais de suas carruagens. Mas isso não foi tudo. Em 1816 a catastrófica erupção do vulcão Tambora, na Indonésia, lançou tantas cinzas na atmosfera terrestre que o sol sumiu também na Europa, dando início a uma pequena era glacial de consequências épicas para a agricultura, a saúde e até a política. A escassez de alimentos levou à Queda da Bastil…

CHARIS (χαρις)

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O termo grego χαρις aparece 158 vezes nos livros do Novo Testamento. É um verbete central do Evangelho, com destaque para a Teologia do Apóstolo Paulo, e tem significado inalienável para o luteranismo. χαρις é "graça". Segundo Lutero, nossa redenção é pura χαρις (graça) de Deus. Por esse caminho etimológico (etimologia é a ciência que estuda a origem das palavras), χαρις é algo que nos é dado sem que nada seja cobrado em troca. Assim a χαρις (graça) que produz a nossa salvação não se encaixa em nenhuma matemática. Não existe calculadora em condições de calcular a χαρις de Deus consumada em Cristo. χαρις deu origem a termos conhecidos da nossa língua portuguesa, como CARIdade e CARIsma. O termo grego χαρις tornou-se "gratia" no latim, o que contribui para que nem sempre percebamos a etimologia das palavras a que χαρις deu origem. "CARIdade" é algo que você faz por doação, "por" graça e "de" graça, sem colocar na ata da sua vida como al…

Muros na prancheta

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No dia 9 de novembro de 1989, uma avalanche de gente derrubou o muro mais emblemático da história da humanidade. Muitos outros haviam sido erguidos e derrubados até então, como a muralha de Jericó (derrubada por trombetas), o muro de Jerusalém (destruído), a muralha da China (virou atração turística)... Mas nenhum foi simbolicamente tão global e impactante quanto o muro de Berlim. Ele inverteu a simbologia dos muros, já que no passado eles serviram para proteger as cidades. O muro de Berlim sitiou uma cidade inteira durante décadas, dentro do território inimigo. Intermináveis negociações e muita ousadia diplomática levaram à sua queda há 27 anos passados. Hoje, 27 anos depois, a eleição de Donald Trump como 45º presidente dos Estados Unidos da América eleva ao posto mais alto da humanidade um construtor de muros. De onde vem esta força maligna que legitima o discurso dos construtores de muros tantos anos depois? E justo do lado dos que contam entre suas maiores conquistas a vitória n…