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Mostrando postagens de Novembro, 2015

Aniversário de Lucy

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O Google avisa o mundo de que hoje é o aniversário de Lucy. Descoberta no dia 24 de novembro de 1974 no deserto de Afar, enquanto no acampamento dos antropólogos tocava "Lucy in the sky with diamonts" (Beatles), a fêmea de Australopithecus Afarensis de três milhões e duzentos mil anos voltava à vida para a ciência e o conhecimento da origem humana. Detalhe importante: ela era da Etiópia, um dos berços da humanidade e hoje um país miserável da África, que faz parte da triste lista dos países do mundo que experimentam fome extrema (Somália, Quênia, Etiópia, Sudão e outros). A imagem mostra o esqueleto descoberto e a provável aparência de Lucy, uma simpática mãe da humanidade. Seu corretivo dedo em riste nos adverte maternalmente: "O que vocês fizeram, meus filhos?".

Saudade / Sehnsucht / Heimweh

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Quando se fala em palavras do português que são intraduzíveis, todos logo lembram de "saudade" (Trilha sonora: "Saudade, palavra triste, quando se perde um grande amor..."). Os alemães adoram!  Mas o alemão também tem palavras intraduzíveis, de sentido específico. Para "saudade", eles têm duas palavras: "Heimweh" e "Sehnsucht". E, para mim, as duas são fortes.  A primeira quer dizer "dor de casa, da pátria, do lugar que amamos e consideramos nossolar"; uma dor difícil de descrever, mas dura de experimentar (Trilha sonora: "Heimatlos gibt´s viele auf der Welt; Heimatlos und einsam wie ich...). A segunda, "Sehnsucht", expressa "vontade de ver". É uma saudade das coisas ou pessoas amadas que estão longe e que faz tempo que não vemos. Mas sabemos que, a qualquer momento, podemos ir ao seu encontro e matar a vontade de ver (Trilha sonora: "Tô com saudade de você debaixo do meu cobertor"...).  Já &quo…

Um mar de lama, dois pesos e duas medidas

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Há um ano e dez meses, o segundo maior incêndio da história do Brasil matava 242 jovens e deixava mais de 600 feridos. Os donos da boate Kiss e a banda que fazia um show (com efeitos pirotécnicos) no palco foram presos no dia seguinte. Há incontáveis erros no processo, mas houve prisões. Agora a absurda irresponsabilidade ambiental de mineradoras, negligência do poder público e dos órgãos fiscalizadores são responsáveis pela maior tragédia ambiental do Brasil. A mineradora Samarco não soterrou apenas uma indefesa vila em Mariana. Não há somente dois mortos e uma dezena de desaparecidos. Um mar de lama real eliminou qualquer vestígio de vida e comprometeu por décadas o ecossistema de toda uma bacia hidrográfica mineira, e não haverá operação lava-jato capaz de limpar toda aquela sujeira. A natureza terá que se virar para eliminar toda aquela lambança. O rio doce, agora insalubre, que se vire para voltar a ser doce algum dia. Daqui há 50 anos talvez tenha um ou outro peixinho nadando ne…

Quando o Sol desaparece

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Dois meses sem sol começam a ter efeitos devastadores sobre as pessoas. Um incontrolável sentimento de melancolia começa a nos dominar. Segundo os estudiosos, a história do clima nos ajuda a entender. Em regiões de longos e escuros invernos, seguidos de primaveras e verões chuvosos e com o céu encoberto na maioria dos dias, populações inteiras são mais propensas à melancolia. Esse clima depressivo que domina todos é hoje descrito como SAD, Seasonal Affective Disorder, que aparece quando o sol desaparece, levando muitos a um exagerado sentimento de tristeza e até mesmo, em alguns lugares, aumentando inclusive o número de suicídios. Os sintomas agudos da SAD manifestam-se como problemas de sono, letargia, falta de apetite, depressão, problemas sociais, sentimentos de medo, perda da libido e mudanças repentinas de humor. Não é por acaso que muitos se queixam de baixa imunidade e do aparecimento de infecções. A luz e as trevas têm forte influência sobre a cultura e a religião. A própria B…

Justiçamento é justiça?

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Esta é uma pintura obviamente mórbida. É do pintor holandês Pieter Brueghel (1525-1569), com o título "O Triunfo da Morte". Num mar de caveiras espalhando o terror da morte, chama a atenção no horizonte uma floresta de forças e instrumentos de execução, que fazem menção a um tempo na história da Europa em que a pena de morte era um recurso fácil da justiça. No século 16, o aumento da criminalidade levou ao crescente endurecimento das leis, onde a tortura era mais corriqueira do que em qualquer outro período da história antes ou depois desse tempo e as execuções alcançaram números nunca registrados. Um viajante que chegasse, por volta de 1600, a qualquer das grandes cidades europeias, antes de chegar aos portões da cidade tinha que passar por um absurdo espetáculo de horror. Cadáveres de malfeitores e ladrões em putrefação estavam pendurados em forcas ao longo do caminho. O objetivo desse teatro macabro era intimidar potenciais malfeitores e passar a impressão de que uma orde…

Lições da história, quem as aprende?

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Datas de tragédias sempre evocam a necessidade de "não esquecer". A lembrança de genocídios têm a pretensão de repassar uma lição: "para que jamais se repitam". A dramática pergunta que fica é o da efetividade dessas lições. Aprendemos realmente com a história? Recordar ensina? Eu fico em dúvida. Faz 70 anos, por exemplo, que somos insistentemente relembrados das barbaridades do holocausto protagonizado pelos nazistas. Apesar disso, ele já se repetiu incontáveis vezes nessas poucas décadas do pós-guerra. Alguns poucos eventos para refrescar a nossa memória. O genocídio cambojano levado a cabo por Pol Pot e seu regime do khmer vermelho (1975/79) executou 2 milhões de pessoas. O apartheid na África do Sul (1948/94), regime racista da minoria branca contra a maioria negra, que nos legou a impressionante lição de Nelson Mandela sobre igualdade racial e prática do perdão, mas que não aprendemos, nem lá, nem aqui. O genocídio de Ruanda (1994), no qual extremistas hutus e…