A notícia sempre foi tratada assim


Olha que interessante isso. Para quem acha que uma imprensa mancheteira e apegada à especulação e à falsificação de fatos é uma invenção tupiniquim, saiba que não é nem invenção, nem exclusividade brasileira. É só mais uma história que ratifica a tese de que não existe imprensa idônea, ou isenta.

Hoje fazem 97 anos que o empresário e inventor alemão Rudolf Diesel desapareceu misteriosamente do navio em que fazia a travessia do Canal da Mancha, rumo à Inglaterra, para inaugurar uma nova fábrica de motores.

Era uma noite calma, quente e de céu limpo, aquela de 29 de setembro de 1913. Da Bélgica, onde se encontrava, ele escreveu para a esposa, antes de embarcar no navio, no início da noite: “Está fazendo um tempo quente de verão, não se sente nem mesmo o sopro de um ventinho. Parece que a travessia vai ser boa”. Ele iria aportar em Harwich, na Inglaterra, mas nunca chegou ao destino. A cama de sua cabine no navio estava intacta e ele não foi encontrado a bordo. Ele sumiu de maneira inexplicável.

O sumiço de Diesel abalou a opinião pública da época. O engenheiro estava no auge da fama por causa da invenção do motor de autoignição e dezenas de fábricas na Europa e nos EUA o produziam em larga escala, e ele havia se tornado milionário com a concessão de licenças de produção.

Por causa de sua fama, a especulação rolou solta na imprensa da época, que falava de espionagem, inimigos mortais e até desavenças diplomáticas entre Inglaterra e Alemanha. “Inventor lançado ao mar para evitar a venda da patente ao governo inglês”, “Criador do motor a óleo diesel executado como traidor para manter segredos de submarino”, “Diesel assassinado por agentes dos grandes comerciantes de óleo”, “Serviço secreto inglês elimina Diesel” eram algumas das manchetes publicadas. Sucediam-se suspeitas absurdas e todas as hipóteses eram tomadas por verdadeiras.

A verdade, ou o que pelo menos se acreditou ser a verdade era muito mais banal. Rudolf Diesel estava à beira da falência e não teve coragem de dizer isso à família. Ele também não teria suportado a perspectiva da ruína financeira.

Duas semanas mais tarde, marinheiros encontraram o cadáver já deteriorado de um homem nas proximidades da costa belga. Após tirar das roupas do morto alguns objetos – papéis não foram encontrados – os marinheiros atiraram o cadáver novamente ao mar. Não era comum “levar mortos a bordo”, explicou o capitão do navio. Mas, pelos objetos encontrados, o morto foi identificado como sendo Rudolf Diesel e uma certidão de óbito pôde ser expedida. Seu cadáver nunca mais foi encontrado.

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