Vândalos do nosso próprio planeta


O que você sente quando passa por um viaduto, um prédio, um muro, um monumento atacado pelos pichadores? Revolta? Indignação? Ou indiferença, simplesmente? Você é daqueles que aceita esse tipo de interferência, desde que não seja em algo de sua propriedade? Eu considero isso vandalismo. Não interessa, se a propriedade atacada é particular ou pública.

Mas existe um tipo de vandalismo que sempre ataca o que é de todos. Nossa indomável tendência de usar sem perguntar pelas consequências nos transforma em vândalos do nosso próprio planeta. Cada ato destrutivo, que danifica o ecossistema ao nosso redor, é vandalismo em alto grau.

E é muito pior do que aquele praticado pelos pichadores. Estes se esgueiram pela noite, atacam às escondidas, ferindo monumentos e obras públicas quando não são vistos. Lata de spray na mão, eles vão passando à altura das mãos ou escalando os edifícios em busca de mais visibilidade. Tudo para deixar a sua marca e provocar a indignação da sociedade.

O tipo de pichação que praticamos na natureza, sujando, quebrando, afetando e vandalizando por onde quer que passamos, não é feito na penumbra da noite. Nós o praticamos abertamente, diariamente, com sol a pino e autorização oficial. Ao destruir a natureza, também não pichamos patrimônio alheio, público ou privado. Pichamos a nossa própria casa, os móveis, as roupas, a cama onde dormimos, o banheiro em que nos banhamos...

“Até onde vamos chegar antes de começar a respeitar o planeta?”, é o questionamento desta campanha publicitária, criada pela Ogilvy, da França, para a WWF. Talvez nos espantemos mais com uma pichação na porta da catedral da nossa cidade do que com estes rinocerontes pichados... Mas é exatamente assim que deixamos o mundo que nos cerca... todos os dias...

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