Muros na prancheta

No dia 9 de novembro de 1989, uma avalanche de gente derrubou o muro mais emblemático da história da humanidade. Muitos outros haviam sido erguidos e derrubados até então, como a muralha de Jericó (derrubada por trombetas), o muro de Jerusalém (destruído), a muralha da China (virou atração turística)...
Mas nenhum foi simbolicamente tão global e impactante quanto o muro de Berlim. Ele inverteu a simbologia dos muros, já que no passado eles serviram para proteger as cidades. O muro de Berlim sitiou uma cidade inteira durante décadas, dentro do território inimigo. Intermináveis negociações e muita ousadia diplomática levaram à sua queda há 27 anos passados.
Hoje, 27 anos depois, a eleição de Donald Trump como 45º presidente dos Estados Unidos da América eleva ao posto mais alto da humanidade um construtor de muros.
De onde vem esta força maligna que legitima o discurso dos construtores de muros tantos anos depois? E justo do lado dos que contam entre suas maiores conquistas a vitória numa guerra que derrotou o fascismo europeu?
Que lições aprendemos, afinal, se é que somos capazes de aprender alguma lição? A história nos mostrou onde este caminho pode levar. E lá vamos nós e reerguemos das cinzas toda a sordidez de que a humanidade é capaz, acreditando que, desta vez, não haverá risco. Pobres de nós.
No meio da escalada ao poder de um belicoso projetista de muros, relembrar e celebrar a queda do muro de Berlim, afinal, parece uma piada de mau gosto... Quem foi que disse "nunca mais"? Veremos. Os primeiros traços já estão desenhados na prancheta.

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