O Planeta e o Topetudo

O mês de junho começou com uma notícia triste para toda a humanidade. Vinha da Casa Branca a informação de que o presidente Homer Simpson decidia que os EUA não vão cumprir o tratado que assinaram junto com outros 195 países, de reduzir a emissão de gases de efeito estufa (CO2).
A saída dos EUA do Tratado de Paris não significa meramente um país a menos na lista. Representa, antes, que a maior economia do planeta, que detém sozinha a produção e o consumo equivalentes ao de pelo menos outros 150 signatários juntos, desembarca dos esforços de salvar a Criação de Deus. Isso não é pouco. Segundo a ONU, esse “calote ambiental” significa que as metas de Paris não poderão mais ser cumpridas.
E nada vai acontecer. Homer Simpson continuará desfilando seu topete exageradamente loiro pelo mundo, e todos estenderão tapetes vermelhos para ele e perfilarão suas tropas de elite para bater-lhe continência. Se um país do terceiro mundo dá um calote econômico, é sufocado por sanções internacionais até que faça um acordo que permita que continuem sugando seu sangue até a última gota. Quem vai peitar os EUA por causa desse calote ambiental? A China? A maior poluidora do planeta disse apenas que vai cumprir o que prometeu.
Enquanto Trump manda um sonoro “Fuck the World” e declara com arrogância que a economia americana não pode arcar com esse ônus, a humanidade arca com o pesado ônus da insaciável escalada de consumo de um país que nos manda para o inferno. Enquanto esta geração fica com o bônus, a Criação pode ficar com o ônus.
Ontem vi uma reportagem sobre a mina de ametistas na Bahia. Não me impressionaram as joias e a louca corrida para extraí-las, embora seja uma metáfora perfeita para o que fazemos com a Terra, nosso lar. O que me impressionou é o pó da estrada que leva ao local. Mais de meio metro de profundidade, como se fosse água.
Mad Max veio à minha mente. Da Bahia ao norte do Espírito Santo, a água foi embora. Sumiu. Uma extensa região que vai sendo anexada ao semiárido nordestino. Dá o que pensar sobre essa temática do aquecimento global, não?
E tem muita gente que prefere aplaudir Homer Simpson. Afinal, ele é o cara topetudo (no sentido literal e simbólico), que ousa enfrentar essa falácia do aquecimento global e do politicamente correto. Trump é o herói dos que acham que já deu esse papo dos ambientalistas. Tudo terror climático, não? Veremos.
Um abençoado Dia Mundial do Meio Ambiente a todos e todas vocês. Enquanto ficamos apreensivos com o volume das águas que descerão pela calha do nosso rio, pensemos nas advertências dos ambientalistas sobre o aquecimento global. Tudo a ver.

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