Uma história para o Dia da Mulher

Para o Dia Internacional da Mulher eu vou contar-lhes uma história.
Certa vez, havia um homem, que já era casado, encantou-se por uma mulher estrangeira, e resolveu torná-la sua concubina. Julgando-se dono dela, mesmo contra as regras do casamento, ele não a tratou como se deve tratar uma mulher, e ela voltou para a sua terra, casa do seu pai.
Quatro meses depois, arrependido, ele foi atrás dela, para tentar convencê-la a voltar para aquela relação de concubinato. Na viagem, levou consigo um escravo e dois jumentos.
Ao chegar lá, entretanto, apenas falou com o pai dela, que deu comida, bebida, muita conversa e atenção ao homem, ao seu escravo e até aos dois jumentos. Por insistência do pai da moça, ele ficou ali muitos dias, e certamente também aproveitou o leito da moça, cuja opinião não importava. A ela, nada perguntou ou sequer trocou uma palavra com ela.
Depois de uma semana de farra e comilança com o pai dela, pegou a moça e a levou para sua casa. No caminho, viagem de dia inteiro, não trocou palavra com a moça. Mas combinou tudo certinho com o seu escravo e tratou com cuidado dos dois jumentos. Ao anoitecer decidiu, em longa conversa com o escravo, não ficar numa cidade estrangeira e passar o resto da noite numa cidade da sua terra, que ele considerava mais confiável.
Lá, ele ficou na praça com a moça, o escravo e os jumentos. Um velho, passando por ali, os convidou para pernoitar na casa dele, onde deu pasto aos jumentos, comida e bebida, servindo vinho para o homem e seu escravo.
Mas a presença dos forasteiros na cidade já havia sido notada e um grupo de homens mal-intencionados cercou a casa e queria molestar o forasteiro, divertindo-se com ele, fazendo serviço completo. O velho saiu da casa e pediu que o deixassem em paz, pois não queria que fizessem mal a um homem que estava hospedado em sua casa. Seria muita desonra.
O velho tentou negociar com os bandidos e propôs uma troca: “Eu tenho uma filha virgem e o homem tem uma moça com ele, sua concubina. Divirtam-se com elas, façam o que quiserem com elas e deixem o meu hóspede em paz”. Mas eles não queriam saber e tentaram entrar na casa para pegar o forasteiro.
Então, o próprio homem que viajou tão longe para trazer de volta a sua concubina a entregou aos molestadores, atirando-a porta afora e fechando em seguida. E eles a estupraram a noite inteira, largando-a na porta da casa. Ela ficou ali, estirada, até o dia clarear. Os homens, lá dentro, conversavam e bebiam vinho sem se importar, em plena segurança, a salvo.
De dia, ele se levantou e arrumou suas coisas para seguir viagem. Quando saiu, viu aquela mulher arrebentada na soleira da porta e, sem nem olhar direito para ela, determinou: “Levante-se! Vamos seguir viagem!”. Mas ela não reagiu. Estava morta.
Então a atirou sobre o lombo de um dos jumentos e a levou para casa. Quando chegou lá, pegou uma faca e a desmembrou todinha, em doze pedaços, e mandou um pedaço para cada um dos estados do seu país, provocando uma guerra civil. Queriam vingar a moça.
Mas certamente, como em todas as guerras, também naquela guerra tribal de vingança muitas mulheres foram abusadas e estupradas a noite toda, até o raiar do dia, e seus corpos arrebentados jaziam às soleiras de muitas portas (Esta parte final é apenas uma suposição minha).
Você deve conhecer histórias como esta. Elas acontecem todos os dias, em todos os lugares da Terra, em todas as religiões, culturas e sociedades, primitivas ou não. Elas se repetem ainda hoje, enquanto celebramos o Dia Internacional da Mulher.
Mas esta não é uma história qualquer. Ela é baseada num relato bíblico. Se você duvida, leia Juízes 19 em sua própria Bíblia.
Enquanto histórias como esta continuarem a acontecer, o Dia Internacional da Mulher é uma grande ironia. Enquanto mulheres são vítimas do machismo, sendo consideradas de menor valor e propriedade de homens, não há o que comemorar.

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