Kässmann e a tradição pacifista luterana


Margot Kässmann é uma mulher de fibra. Eu já disse isso aqui. Agora na presidência do conselho da Igreja Evangélica na Alemanha-IEA, ela é a mais alta representante da Igreja Luterana no país. “Nada está correndo bem no Afeganistão”, disse ela em seu discurso de Natal e Ano Novo, no qual defendeu a retirada dos soldados alemães do Afeganistão.

“Todas essas estratégias mascaram o fato de que soldados usam armas e que, numa guerra, morrem civis”, afirmou Kässmann. Não é a primeira vez que ela critica a presença das Forças Armadas alemãs no Afeganistão, embora esse tenha sido seu primeiro pronunciamento sobre o tema como presidente da IEA.

O governo classificou as palavras de Kässmann como inadequadas e que ela estaria se aproveitando do tema em busca de repercussão, sendo criticada por ministros e políticos ligados à maioria do governo alemão, que, diga-se de passagem, é encabeçado por uma filha de pastor luterano na chancelaria.

O único que a ouviu com atenção foi o ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, que a convidou para uma reunião em seu gabinete, ao fim da qual ambos se propuseram a manter o diálogo sobre a questão. “Os dois lados concordam que o apoio da sociedade é essencial para os soldados, aos quais um debate público seria útil. Saudamos o fato de que esse debate, por tanto tempo ignorado, esteja finalmente ocorrendo”, disseram ambos num comunicado oficial após o encontro.

Desde o período nazista, a Igreja Luterana na Alemanha vem defendendo com veemência o pacifismo. Segundo os luteranos alemães, envolver-se na política é uma tarefa cristã, postura sempre defendida por Kässmann nos últimos anos. “Saber que você tem liberdade, que deveria refletir por si mesmo e que tudo é uma questão de formar sua própria opinião: essas são todas posturas absolutamente protestantes”, resumiu ela ao lhe perguntarem o que é central para a Igreja Luterana.

Fiel a essas convicções, Kässmann declarou abertamente nos últimos dias sua posição contra a presença de soldados alemães no Afeganistão, apesar de todas as críticas que sofreu. (Com informações de http://www.dw-world.de/)

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