O medo primordial


Estou impressionado! Alguns dias de Guarda Municipal de Blumenau apontando o radar móvel para as belas curvas da Rua das Missões/Dois de Setembro, e uma deliciosa ordem se instalou. A velocidade máxima no trecho entre a rodoviária e a ponte de ferro reduziu, milagrosamente, de 100 Km/h para 70 Km/h. E a velocidade média, pasmem vocês, está dentro do limite da via, que é de 60 Km/h! Não é fantástico isso?
Só um rígido controlador externo para por ordem na nossa incontrolável propensão à desobediência. A lei, os guardas e, mais, o medo das consequências - a multa que vem pelo Correio e os pontos na Habilitação - inibem a infantil peraltice desobediente dentro das pessoas.
Tem a ver com um medo primordial. O medo do castigo eterno pelo pecado; de um Deus de barba branca e olhos de cyborg (lembra, do tutututututu e a visão ampliada de Steve Austin, o Homem de Seis Milhões de Dólares?)... Na infância, a gente tinha certeza de alguém aí em cima, nos vigiando o tempo todo, não é? E é este medo que ainda nos domina nessas horas.
Que bom que ele existe! Não o cyborg (aquele radar até que parece ter um olho de tutututu!), mas Aquele que tudo vê. Um pouco de controle sobre as nossas molecagens é um sentimento que cria uma sociedade boa, de respeito mútuo. Viva o nosso medo primordial!

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