Onde estarás, que não te ouvimos?

Este homem é Khaled al-Asaad (82 anos). Segundo seus pares, ele é insubstituível. Arqueólogo-chefe das pesquisas em Palmyra há 50 anos, na Síria, ele foi barbaramente assassinado esta semana. O Estado Islâmico o enforcou, decapitou, e exibiu seu corpo mutilado ao público. Antes, eles o torturaram barbaramente. Queriam que ele revelasse o esconderijo dos tesouros arqueológicos sob sua guarda, que o EI comercializa num bem-sucedido mercado negro de relíquias arqueológicas.

O lucro desse mercado negro se transforma em armas, sustenta as milícias do EI, paga o terror absoluto em nome de Alá. Quem compra esses objetos cobiçados do passado? Europeus, americanos, gente do mundo inteiro, que não se detém um segundo para pensar no que a sua cobiça se converte.

Ah, sim, antes que eu esqueça, Palmyra é um dos mais importantes sítios arqueológicos da humanidade, cidade do império semita, fundada no século IV antes de Cristo. Este patrimônio histórico da humanidade está desde maio nas mãos do EI, que já destruiu vários monumentos irrecuperáveis da civilização assíria ali.

Agora isso... Uma imperdoável desumanidade que ofende Deus e Alá.

Veio à minha mente uma antiga canção dos tempos da minha entusiasmada ida à JE: "Onde estarás, que não Te ouvimos? Onde estarás, que não Te vemos? De procurar já nos cansamos, e Te encontrar não conseguimos".

É a mesma oração que moveu Castro Alves, diante da escravidão: "Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes? Embuçado nos céus? Há dois mil anos te mandei meu grito, que embalde desde então corre o infinito... Onde estás, Senhor Deus?"

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