Novolhar, o lamento por um doente terminal

 Capa da edição 53 da Novolhar, em circulação em setembro e outubro de 2013

Na terça-feira, dia 3 de setembro, aconteceu a reunião de pauta da revista Novolhar. Um clima de desconsolo e tristeza marcava os rostos dos conselheiros. Aquela foi a última reunião de pauta em volta daquela mesa da sala de reuniões no Morro do Espelho.

A Editora Sinodal jogou a toalha. Manteve a revista ao longo de dez anos, produzindo 53 edições de um material único, rico, profundo e abrangente. Mas o projeto não deslanchou como devia, por diversos motivos. O principal deles é o fato de que a conta simplesmente não fecha. Nos últimos quatro anos, não fechou em nenhuma edição. Ou seja, a Editora sempre pagou para manter a revista.

A reunião de terça-feira planejou a edição de número 54. Botamos todo o empenho de sempre na pauta desta, que será a última Novolhar editada pela Sinodal. Esteve conosco a Rita Surita, agrônoma do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA), para elaborar a série de matérias do tema de capa: "Agricultura Familiar". Foi uma manhã rica, produtiva, enriquecedora.

Vai ser mais uma baita revista. Como todas as outras. Todas elogiadas. Cada edição construiu a imagem dessa que foi uma revista admirada. Mas vai ser a última. A de número 54. Como diz muito bem quem está com fome, "elogio não enche barriga". E a Novolhar morre de inanição, lentamente, na UTI da falta de apoio, da falta de cuidado.

O principal lema que ecoa repetida e insistentemente desde Porto Alegre, não serviu para a Novolhar. Devemos "Cuidar bem do bem da IECLB". Das duas uma: ou não temos cuidado suficientemente do "bem" da IECLB ou - prefiro imaginar que eu estou redondamente enganado, mas... - a Novolhar não faz parte daqueles "bens" da IECLB que mereçam cuidado.

Chego a esta conclusão porque, mesmo com o contundente e definitivo Editorial da edição de número 53, que lentamente vai chocando assinantes e apreciadores da Novolhar em todos os rincões da IECLB, nenhuma mínima reação veio de Porto Alegre. Nem para dizer que pena ou, ao menos, para agradecer aos conselheiros e conselheiras. Essa gente trabalhou. E muito. Pela causa do Evangelho. Pela causa da IECLB. Pelo "bem do bem da IECLB".

Mas não estou sozinho nesse sentimento. "A Novolhar tem sido uma filha malcuidada da igreja", desabafou um conselheiro. "Causa dor imensa que uma publicação de vanguarda e de pés no chão não receba respaldo da igreja", completou outra.

O sentimento de tristeza continua me deprimindo. Sinto-me do mesmo jeito como todos e todas nós na terça-feira, em volta daquela mesa de clima de velório na sala de reuniões da Editora Sinodal.

A esperança de ver o paciente terminal reagir de alguma maneira ainda não nos abandonou. "Ainda não enterrei minha esperança", desfraldou uma conselheira. "Talvez se pudesse investir na modalidade on-line, como revista virtual", emendou outra...

Eu também ainda não me rendi totalmente. "Não tá morto quem peleia", dizem nossos valorosos irmãos gaúchos. E o final do ano ainda está a alguns bons quarteirões de distância...

Por enquanto, ainda temos uma enriquecedora tarefa diante de nós: produzir a última edição. A de número 54. Sobre agricultura familiar. E, tenham certeza, vai ser feita com o mesmo empenho, cuidado, carinho e amor das outras 53 edições. Se vamos fechar esta década rica, há de ser com chave de ouro! Mas com o coração dorido...

Comentários

  1. Sem dúvida uma grande pena e perda para nossa igreja ... sentiremos falta.

    Aproveito para parabenizar a matéria sbre a Reforma, deveria ser leitura obrigatória (como atualização) para todos os membros da igreja (escolas luteras, grupo de jovens e assim por diante).

    Curioso saber como nós na América Latina somos tão poucos em relação ao resto do mundo...
    Abraço!

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