A igualdade é uma máscara




Luciana Genro é uma mulher que eu admiro. Determinada, forte, consciente e com uma opinião tão cristalina que não hesitou em tornar-se oposição ao próprio pai, o governador gaúcho e ex-ministro Tarso Genro. Embora eu considere o PSOL (partido ao qual ela se filiou depois de sair do PT) muito radical, tem nele muitas das coisas que eu admirava no Partido dos Trabalhadores. Bandeiras sociais muito próximas da visão social do evangelho, igualdade acima de tudo, justiça para todos, enfim...

Falo isto porque achei muito pertinente a avaliação de Luciana sobre os entrementes famosos “rolezinhos” nos shoppings. Ela mostra que algo que vinha sendo tolerado com uma certa empáfia também aqui, nos nossos shoppings blumenauenses, agora virou caso de polícia. Também aqui famílias pobres vão ao shopping no domingo, ver vitrines em lojas fechadas, e passear com os filhos. Vão olhar o que os ricos compram. Vão ver o que jamais poderão comprar. Apenas vão sonhar, com uma igualdade que é máscara. Veja o que Luciana escreve:


“Os jovens pobres não têm direito de circular pelos shoppings, pois eles não pertencem ao mundo do consumo. Sem consumir, são descartáveis – pois inúteis ao capitalismo – e o lugar deles é nas periferias. Mas se ousam invadir o templo do consumo, a polícia é chamada. Mesmo que não roubem, não furtem, mas se não se contentam com o seu lugar periférico e querem ocupar o espaço dos consumidores sem consumir, é para os presídios imundos – como o de Pedrinhas no Maranhão ou o Central em Porto Alegre – que eles devem ir. Polícia neles!

E não faltam vozes, algumas até bem intencionadas, clamando por mais encarceramento. São os aparatos ideológicos do Sistema agindo para convencer os “do bem” que do outro lado estão os “do mal” e que os encarcerando estaremos todos mais seguros. Esta separação entre os “do bem” e os “do mal” é muito conveniente para o Sistema. Os “do mal” são os que não têm capacidade de consumo e só atrapalham e amedrontam os “do bem” que estão no shopping para consumir e fazer girar a roda do capitalismo. No caso dos “rolezinhos” não há roubo nem violência, mas isso não importa. Eles não compram, então não pertencem àquele lugar, são “do mal”, tem que ser expulsos.”

Este é apenas um trecho do seu texto, que você pode ler na íntegra aqui.

Comentários

  1. Luciana Genro é ridícula. Filhota de papai. Lembro bem dos tempos da PUCRS. Vivia fazendo zona, insuflando, ai o pessoal depredava o campus, a BM era chamada, pessoas como eu que nem faziam parte do protesto levavam bala e a queridinha se mandava com seus amiguinhos pro Apê do papai ou dos outros.
    Shopping é um lugar para compras. Eu não sou rico, mas algumas vezes ao mês vou ao shopping. E quando vou, ou vou comprar algo ou no mínimo no lotérico pagar contas, pois é o único lugar onde um lotérico tem um mínimo de segurança e fica aberto até as dez da noite.
    Eu tb passo e fico a olhar as vitrines das grifes sem nem ter como comprar nada lá, mas a minha postura é que difere desta gentalha.
    Gentalha não por não ter condições financeiras, nem por não estar usando roupa da moda, coisa que tb não faço, mas por sua postura.
    Não sabem se comportar, importunando e desrespeitando a tudo e à todos.
    Nem vou no shopping em dia de passe livre.
    É só aborrecimentos!
    Quanto às posições deta filhinha de papai, quero ver ela levar estes marginais para a casa dela prá ver se sobra algo depois.
    Falar é fácil. Quero ver por em prática!

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