Luis Carlos Azenha e a tortura no regime militar

Nesta quarta-feira, os depoimentos emocionados de Ernestinho (de pijama de florzinha, na foto acima) o mais jovem brasileiro a ser considerado terrorista, do pai e da mãe dele. No Jornal da Record, a partir das 20h30m.

Ontem à noite, mais uma vez, a emoção tomou conta de mim. As reportagens da Record sobre torturas, produzidas pelo competentíssimo Luis Carlos Azenha, são desconcertantes. Se você ainda não viu nenhuma, precisa ver aqui. Tem que assistir. Hoje à noite tem mais, no Jornal da Record.

Trata-se do mais completo material jornalístico já produzido sobre a tortura no Brasil durante o regime militar. Os depoimentos são de filhos que, ainda muito pequenos, viram e ouviram seus pais sendo torturados. Pior, as próprias crianças foram torturadas com o único propósito de arrancar confissões dos pais. Coisa de campo de concentração nazista...

As pessoas que, desestruturadas ainda por conta da emoção que as domina quando falam de sua dolorosa experiência, contam o que viveram na própria carne, eram crianças. Quando eu falei que isso tudo havia ocorrido, tentaram me intimidar dizendo que eu não tinha idade suficiente na época da ditadura para saber do que estou falando. Eu era uma criança... E olha que eu era bem mais crescido do que essas pessoas que testemunham suas dolorosas experiências com a tortura.

Eu era estudante do curso de Teologia da IECLB em São Leopoldo quando corriam soltas as conversas de que era preciso tomar muito cuidado com o que se diz durante o culto. Havia infiltrados do regime entre os bancos. Assim como os houve para o pai do atual ministro da saúde, Anivaldo Padilha, que foi denunciado por seu próprio superior hierárquico ao regime e sofreu bárbaras torturas...

Os testemunhos que Luis Carlos Azenha revela no Jornal da Record vem de pessoas que eram crianças de colo, ou simplesmente meninos e meninas...

Depois dessas reportagens, sou pela anulação da Lei da Anistia, pelo fim da impunidade dos torturadores e de seus mandantes; sou pela mais rigorosa apuração dos crimes da ditadura. Sem tratar esta ferida, profunda ainda, dolorosa mais ainda, que o povo brasileiro não pode ficar indiferente ante revelações tão brutais, absurdas, contra todos os princípios mais elementares dos direitos humanos...

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