General que apoiava Goulart foi subornado pela FIESP





Presidente João Goulart e o general Amaury Kruel

O coronel do Exército reformado Erimá Pinheiro Moreira, de 89 anos, prestou depoimento nesta terça-feira (18) ao presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, vereador Gilberto Natalini, e denunciou que, em 31 de março de 1964, o então comandante do 2º Exército, general Amaury Kruel, foi subornado com US$ 1,2 milhão pelo presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Raphael de Souza Noschese, para trair o ex-presidente da República João Goulart e apoiar o golpe militar.

Erimá Pinheiro Moreira era major farmacêutico na época e servia no Hospital Geral Militar, situado no Cambuci, na Zona Sul de São Paulo. Cedeu a pedido as instalações de um laboratório de análises clínicas de sua propriedade, localizado no bairro da Aclimação, no Centro de São Paulo, para que o general Kruel fizesse uma reunião sigilosa. Até aquele momento, o comandante do 2º Exército apoiava o presidente Goulart e se mostrava disposto a resistir contra os militares golpistas. Kruel havia sido chefe do Gabinete Militar da Presidência da República e ministro da Guerra de Goulart.

"Kruel dizia que morreria em defesa de Goulart", relata o coronel Moreira, que foi cassado após o episódio. Na hora da reunião no bairro da Aclimação, em 31 de março de 1964, apareceu no local o presidente da Fiesp, acompanhado por três homens. Cada um portava duas maletas. Com medo de um atentado contra Kruel, Moreira exigiu que abrissem as seis maletas para se certificar de que não havia armas escondidas no seu interior. As maletas estavam repletas de cédulas de dólar. Moreira achou que o dinheiro seria usado para organizar a resistência ao golpe militar.

Raphael de Souza Noschese e os três homens foram para o andar superior do laboratório de análises clínicas, que ficava na esquina das ruas Conselheiro Furtado e Tenente Otávio Gomes. Depois, Kruel ordenou que as maletas fossem colocadas no porta-malas de seu automóvel, o que foi feito com a supervisão do próprio coronel Moreira, e deixou o local com cinco militares batedores que conduziam motocicletas. Horas depois, Kruel anunciou o apoio ao movimento que depôs Goulart.

"Kruel foi subornado", afirma o coronel Moreira. Na época, ele questionou em reunião com oficiais do Exército se Kruel havia embolsado o dinheiro. Foi cassado e passou a ser vigiado por homens do Dops e do 2º Exército. Moreira também declara ter recebido a informação de que depois Kruel usou o dinheiro do suborno para comprar duas fazendas na Bahia.
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Texto de Gilberto Natalini (99654-9532) e Ivo Patarra (99603-5058)

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