Cuba no carnaval de Floripa


Uma forte emoção,
No meu coração…
Liberdade!
Eu sou União
A voz de um povo pela igualdade

Sonhos… de um poeta ecoam no ar
Cuba… o desejo de se libertar
Conquistou a independência
Do Tio Sam sofreu influência
Momentos de luta estão na memória
Fidel e Che fizeram história
Me levam na busca por um ideal
Que vai embalar, nosso carnaval!

Guerreiros unidos na Revolução
Pelo bem de uma Nação
Um preço a pagar, não vou negar
Mas a Comunidade em primeiro lugar

Os sonhos se tornam verdade
Trazendo pra muitos a felicidade
Com saúde, educação
A base pra um cidadão
Esporte, cultura, na arte… mistura
Riqueza, o Mundo se encantou
No Cabaré Tropicana,
Carmem Miranda deu um show!
Ilha de pura Magia
Vem sambar…
Verde, Branco e Ouro
Na Avenida vai brilhar.

Compositores: Júlio Maestri e Vinícius da Imperatriz

“Cuba sim! Em nome da verdade” é o surpreendente samba-enredo da Escola de Samba União da Ilha da Magia, de Floripa, para o carnaval deste ano. Pela primeira vez no Brasil uma escola de samba vai tratar do tema Cuba durante o desfile do Carnaval. Antes do Carnaval, é possível assistir a dois ensaios técnicos na Passarela Nego Quirido: 22 de janeiro (sábado) e 19 de fevereiro (sábado) às 20 horas. Haverá também um desfile-ensaio gratuito na Praça XV, no Centro de Florianópolis, no dia 23 de fevereiro.

A escola irá apresentar a Revolução Cubana no samba-enredo e nas fantasias, passando pelas camisetas de propaganda e o discurso em defesa da autodeterminação cubana. Para desenvolver o tema, uma delegação da escola e da Associação Cultural José Martí de Santa Catarina visitaram Cuba em julho do ano passado para conhecer melhor o país e trocar experiências culturais. O grupo conheceu museus, monumentos históricos e casas de shows.

Segundo o presidente da escola, Valmir Braz de Souza, um dos motivos da escolha do tema é a proximidade cultural entre Brasil e Cuba. “A alegria cubana e brasileira são muito parecidas”, disse ele ao jornal Brasil de Fato. A diretoria da escola quer mostrar a realidade do país caribenho para o Brasil.

As 17 alas vão representar diversos momentos do período anterior e posterior à Revolução Cubana, em especial as conquistas e a cultura, como exemplo: Tio Sam; Ditadura comprometida; Paraíso de ricos e milionários; Sofrimento de muitos - o povo; Nacionalização das empresas estrangeiras; Saúde para todos; Reforma agrária; Esporte - conquista de medalhas; A pesca; Indústria farmacêutica e biotecnologia; A Santeria; O carnaval de Cuba; Cabaré tropicana; e Rumba - Música e Dança.

Segundo o diretor de Carnaval, Joel Brigido da Costa Junior, as peças vão emocionar o público, principalmente aqueles que acreditam em um mundo diferente através da transformação social.

Além disso, o desfile irá abrir os olhos de muitos, que continuam sem ver, porque estão dominados pelo velho discurso americano de considerar do mal tudo o que tem qualquer conotação social.

Ao mesmo tempo, defende que está mais do que na hora de levantar o embargo contra a ilha, que já dura quase quatro décadas, ao qual, apesar de tudo, o pequeno país caribenho resistiu com valentia, em muitos casos dando um vigoroso exemplo de melhorias para a população em meio à carestia de tudo. Cuba é exemplo para o mundo inteiro na área da medicina e da educação (não há analfabetos em Cuba, enquanto os índices são alarmantes em todos os outros países latino-americanos, por exemplo).

O desfile alerta para a insanidade americana de manter o embargo contra a Ilha, mesmo duas décadas depois do fim da Guerra Fria e do bloco soviético. É simplesmente ridículo, ultrajante e um crime de lesa-humanidade contra um povo ordeiro e trabalhador, que só quer ter o direito de escolher sua própria maneira de conduzir a sua vida coletiva. A ONU, uma instituição-fantoche dos EUA, não tem força alguma para impor as sanções cabíveis num caso inadmissível como este, de opressão sobre um povo minúsculo e indefeso.

Se não for por nada disso, entretanto, o enredo da escola de Floripa deve ser valorizado pelo aspecto cultural, de mostrar o quanto nossos povos são próximos, não só pela alegria, pela música de origem semelhante e pelo passado comum de escravidão e fundamento sobre a cultura africana. Somos irmãos, latino-americanos, com mais laços a nos unir do que a música e o sentimento fraterno. Parabéns à União da Ilha da Magia pela coragem e lucidez da escolha do seu enredo.

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