Estômago pesado



Diversas agências da ONU divulgaram um estudo na semana passada que pesa como uma pedra sobre nossos estômagos indefinidamente cheios e nossos corpos obesos. Quem ainda está lembrado da fome que atingiu a Somália entre outubro de 2010 e setembro do ano passado? Como? Você nem sabia dessa fome? Pois é, acho que muita gente não prestou atenção ou a notícia não foi divulgada com a mesma “eficácia” duvidosa de outras, como a espetacularização dos crimes cometidos por menores, por exemplo.

Mas então vamos aos dramáticos números. Entre outubro de 2010 e setembro de 2012, segundo esses relatórios divulgados no dia 2 de maio, morreram de fome 258 mil pessoas na Somália. Desse total, 133 mil era de crianças menores de cinco anos! Vamos ser mais pé-no-chão? Então tá! Quase uma Blumenau inteirinha morreu de fome, DE FOME (!) na Somália naqueles dias e meia Blumenau era de crianças com menos de cinco anos!

O documento revela que 4,6 por cento da população do sul e do centro da Somália e dez por cento dos menores de cinco anos morreram naquela região do Chifre da África. Essa região passou por uma das piores crises de fome da história. Mas não é só o número de mortos que assusta. Cerca de 13 milhões de pessoas foram afetadas por aquela fome, 3,7 milhões só na Somália. O relatório da ONU e da USAID nos mostra a enormidade dessa tragédia humana, que foi a maior crise de alimentos na Somália em 25 ano

Se não temos como enviar alimentos para a Somália, temos ao menos que deixar que a nossa sensibilidade se transforme em solidariedade e ambas virem responsabilidade. Como? Vamos reduzir o desperdício de alimentos entre nós. É o primeiro passo!  Só três situações ajudam a esclarecer.

O que se perde entre a colheita e o armazém dos nossos portos graneleiros, só durante o processo de colheita e transporte, está em torne de UM TERÇO de tudo o que é produzido no campo! 

Nos nossos “buffets livres” vai tanta comida para o lixo que dá vontade de chorar! Não é porque não dá para comer, não, mas é porque os olhos são imensos em relação ao tamanho do que cabe no estômago. O resultado é uma montanha no prato e depois, também 30%, vai direto para a lata do lixo.

No supermercado, o abuso de ofertas leva as pessoas a comprar demais. Compra-se tanto que muita coisa estraga nas nossas geladeiras, armários e despensas. Compre só o necessário e nem pense em passar naquelas gôndolas em que você não precisa. Em vez de levar um carrinho para as suas compras, experimente levar apenas uma cestinha... Você vai se surpreender com o que dá para deixar para trás!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O ócio e o negócio

O boato do filme Corpus Christi

Origem do termo “América Latina”