Um Nobel para a gestão comunitária


Uma das principais batalhas dos nossos estimados ambientalistas locais é impedir a todo custo que parte da Reserva do Itajaí seja anexada à reserva indígena Duque de Caxias, que passa por um doloroso processo de redemarcação. Alegam que a reserva ambiental em mãos dos indígenas vai acabar trazendo prejuízo à mesma, preferindo tudo sob a paquidérmica tutela do Estado.

A ganhadora do Prêmio Nobel de Economia de 2009 acaba de receber o prêmio justamente por provar o contrário. Trata-se da professora Elinor Ostrom (foto), de 76 anos, da Universidade de Indiana (EUA), doutora em ciência política e pesquisadora em gestão de recursos por comunidades. Ela dividiu o prêmio com Oliver Williamson, de 77 anos, professor da Universidade da Califórnia e doutor em economia. Ele estuda tomadas de decisão em empresas.

O trabalho de Elinor Ostrom derruba a tese de que, quando as comunidades administram recursos ou bens finitos, acabam destruindo tudo, e que é melhor um controle centralizado ou a privatização. Elinor comprovou que a gestão comunitária pode ter resultados melhores do que o a esmagadora maioria acredita.

Na prática, ela demonstra que políticas públicas ambientais têm mais resultados quando são baseadas na colaboração entre as partes, e não na simples imposição de regras e leis ou a simples gestão privada. Em 2006 ela disse que, quando os usuários estão engajados nas decisões referentes a regras que afetam a maneira como usam os recursos, a probabilidade de seguirem o que foi definido e monitorarem os outros é bem maior do que quando uma autoridade simplesmente impõe as regras e a lei.

Isso, entretanto, implica em muito trabalho e desgaste. No caso dos povos indígenas no Vale do Itajaí, no Mato Grosso ou na Amazônia, isso exige o empoderamento desses povos com informações e tecnologia parta preservar. Tenho certeza de que eles, tão amigos da natureza, vão saber fiscalizar muito melhor do que exércitos de guardas florestais.

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