As revelações do WikiLeaks


Os milhares de documentos revelados pelo site WikiLeaks nos últimos dias apenas escancaram o que já se sabia há tempos. Ou o que, ao menos, se deveria saber sobre as coisas que realmente acontecem nos bastidores da diplomacia mundial. É tudo uma grande encenação, cujo principal objetivo é garantir o seu espaço, os seus negócios, a sua fatia, o seu domínio estratégico.

Não há porque ficar espantado com afirmações do que os diplomatas pensam sobre Lula, Ahmadinejah, Berlusconi ou Angela Merkel. No fundo, eles convivem com esses “líderes” e sabem exatamente como eles são, como se comportam, quais as suas manias e manhas na hora de negociar, o quanto são patéticos ou estão apenas representando um papel ensaiadinho.

O que incomoda profundamente os poderosos é que Wikileaks deu voz alta e sonora aos seus mais íntimos pensamentos. E agora o mundo sabe exatamente com quem está lidando, ou seja, uma turma extremamente desonesta, falsa, mentirosa, enganadora e que está representando o tempo inteiro.

Ah, e não adianta o Chávez pedir que Hillary renuncie. Irão colocar outro especialista em representação no lugar dela.

O que mais assusta em toda esta revelação do Wikileaks é a abertura das portas mais secretas, por trás das quais se decide o futuro do mundo em que todos nós vivemos. O que se vê é um bando de “líderes” tão perdidos quanto nós comuns mortais, e que estão mais preocupados em dar “pitacos” sobre os tiques nervosos uns dos outros do que com o que realmente deveriam fazer: garantir um futuro razoável para uma nau que, no fundo no fundo, está à deriva.
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PS: O verbo To Leak significa vazar e leaks é vazamentos. Mais uma prova do estreito parentesco das línguas anglosaxônicas: a palavra no alemão é Lecken.

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