A tecnologia do apocalipse

Foram abertas ao público, no final de novembro, as fotos e os filmes de um projeto ultra-secreto dos Estados Unidos: registrar, com o maior número possível de detalhes, cada milionésimo de segundo das explosões nucleares que eram realizadas nas ilhas do pacífico. Este blogueiro revela alguns desses inacreditáveis instantâneos dessa nefasta tecnologia do apocalipse.

O material agora divulgado foi compilado num estúdio secreto, em Los Angeles, entre os anos de 1947 e 1969, sendo retirado de um total de 6500 filmes. Um grupo de 40 fotógrafos e câmera man fizeram o trabalho sujo de registrar este material, que documenta um período único e assustador da história recente da humanidade. “Espero que este tempo nunca mais volte”, desabafa o diretor do projeto de “exumação” deste material, o documentarista Peter Kuran. A seguir, umas poucas gotas do sangue de quem o deu para registrar em detalhes o que de pior o ser humano já foi capaz de produzir.

Operação Greenhouse: A imagem registra um privilegiado grupo de observadores VIP, no ano de 1951. Eles estão na primeira fila do teatro dos horrores, com óculos especiais, para não perderem nenhum detalhe da detonação de uma arma atômica sobre o Atol de Eniwetok, localizado nas Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.


Projeto secreto da arte da catástrofe: Um homem registra em 1955 a décima primeira série de testes americanos de armas nucleares, na chamada Operação Teapot, no campo de testes de Nevada. A operação executou ao todo 14 testes de armas atômicas.


Cronista de bombas: Protegido com máscara e traje especial, um câmera man filma um teste nuclear nos EUA. Durante o seu trabalho, tais profissionais estavam quase sempre no epicentro do teatro de operações sem qualquer proteção especial. Alguns usavam somente bermuda e camiseta, tornando-se vítimas posteriores de câncer.

Atribuição mortal: Um dos cerca de 40 câmeras do 1352. Photografic Group, da Força Aérea Americana, registra uma explosão nuclear no campo de testes de Nevada, em 1957. Esses homens do comando especial secreto tinham que se aproximar até bem poucos quilômetros do cenário da explosão, estando diretamente expostos a seus efeitos altamente nocivos.


Detalhes incríveis: A foto foi registrada com a câmera especial “Rapatronic”, que permitia registrar os primeiros micro-segundos da explosão atômica. As mais modernas câmeras da época eram capazes de registrar 15 milhões de imagens por segundo.

Operação Dominique: O registro de uma explosão em 1962 sobre o Atol de Kiritimati, feito com um filme especial XR, que permitia o registro das explosões que eram dez vezes mais claras do que o Sol. “A gente podia ver a onda de choque atravessando o vale, vindo em nossa direção”, lembra o fotógrafo George Yoshitake. Quando a bomba explodia, com seus 1,5 quilotons de TNT, George primeiro sentia o calor da explosão. Em seguida, a onde de choque o forçava a ficar de joelhos, como numa tempestade. Enquanto ele resistia àquela força gigantesca, a sua câmera não parava de registrar cada detalhe. Yoshitake é um dos únicos que esteve diretamente exposto a esta força descomunal e ficou vivo até hoje para contar a experiência. “As fotos ficavam psicodélicas”, diz o documentarista Peter Kuran, que está organizando esses impressionantes registros.

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