A lição de Paderewski


Desejando encorajar seu filho para tocar piano, uma mãe o levou a um concerto de Ignacy Jan Paderewski. Após se sentarem, a mãe viu uma amiga na platéia e foi até ela para saudá-la. Livre para explorar as maravilhas do teatro, o menino levantou-se e suas explorações o levaram a uma porta em que se lia “Entrada Proibida”.

Quando as luzes do teatro foram reduzidas para que o concerto pudesse começar, a mãe retornou ao seu lugar e descobriu que seu filho havia desaparecido. Nisso, as cortinas se abriram e as luzes caíram sobre um impressionante piano Steinway, no centro do palco. Horrorizada, a mãe viu seu filho sentado ao teclado, inocentemente catando as notas de “Cai, cai, balão...”.

Nesse momento, o grande mestre do piano fez sua entrada. Rapidamente foi ao piano e sussurrou ao ouvido do menino: “Não pare. Continue tocando”. Então, debruçando-se sobre o garoto, Paderewski estendeu a mão esquerda e começou a preencher a parte do baixo. Logo, colocou a mão direita em torno do menino e improvisou um belo arranjo para a melodia que o menino executava. Juntos, o velho mestre e o jovem iniciante transformaram uma situação embaraçosa numa experiência maravilhosamente criativa. O público estava perplexo, e acabou explodindo numa espetacular ovação.

Há inúmeras situações como esta em nossas vidas. Atrevidos, sentamo-nos no banco do mestre e, incapazes, executamos uma melodia infantil em seu espetacular instrumento. Mas ele não nos remove do seu banco. Ele nos inclui em sua apresentação. Apenas precisamos de silêncio para ouvir o mestre sussurrando ao nosso ouvido para que continuemos tocando nossa melodia infantil.

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