Honduras, coturnos e democracia



É muito impressionante ver como tem gente quieta no Brasil com essa história de Honduras. Não dizem nada. Nem um pio, para não revelar o que pensam realmente. Em seu íntimo, porém, estão batendo palmas para Micheletti e sua tropa, resvalando num indisfarçável saudosismo daqueles 20 anos de botautoritarismo que vivemos por aqui.
Na visão dessa horda de dissimulados adeptos da ditadura, os anos entre 1964 e 1985 foram a melhor coisa que aconteceu ao Brasil. Segundo eles, esse era um tempo de prosperidade, de ordem e de amor à pátria como nunca se viu, nem antes, nem depois.
Todo exército é absolutamente desnecessário. E falo do que eles sabem fazer – a guerra – e do que eles não sabem fazer – a política.
A humanidade não precisa da guerra e, por isso, não precisamos de soldados, de treinamento militar e de armas. A paz se constrói com pontes, não com armas. E construir pontes não é lição relevante na caserna, a não ser que seja para encurtar o caminho que conduz ao inimigo. O treinamento militar cria assassinos, cuja principal meta é matar todos os inimigos.
Como é que gente assim pode conduzir um país? O diálogo não é a sua linguagem. Coturnos não dialogam. Coturnos pisoteiam. Por conseguinte, a democracia – árduo fruto do diálogo – não faz parte do ideário militar. Alguém já viu um exército democrático? Quem sequer ousar questionar a rígida hierarquia verde, sofrerá as mais duras consequências.
O que eles farão no comando de uma nação? Irão adotar essa mesma linha de comando para toda a sociedade. E já tivemos demais disso na América Latina. Abaixo os coturnos, a truculência, a tortura, a exceção e o desrespeito à constituição.
Em nome da prevalência da democracia, do direito constitucional, da liberdade de expressão, dos direitos humanos e da vontade manifesta soberanamente nas urnas, meu desejo mais profundo é que a diplomacia brasileira não arrede pé. Bravos defensores da democracia, não se intimidem! Vocês estão cumprindo uma missão humanitária em Honduras! Zelaya pode não ser o ideal para os hondurenhos, mas ele foi o escolhido deles. E ele deve cumprir o seu mandato até o último dia, doa a quem doer. Se Micheletti e Cia. quiserem o poder, que seja por meio das urnas e não por meio das armas.

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