Relações econômicas injustas



Um dos nós mais bem amarrados do mundo é a persistente injustiça nas relações econômicas internacionais. Já há décadas o Brasil, por exemplo, vem oscilando entre a 11ª e a 9ª posição no compe­titivo ranking das maiores economias do Planeta. Após anos de reservas acumuladas mês a mês, o Brasil deixou de ser devedor para ser alçado ao status de credor na escala dos países. Agora está na lista dos países do mundo cuja economia merece confiança para investimentos futuros. A nona economia do planeta é tão grande que, por exemplo, todo o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina é equivalente ao PIB do estado de São Paulo, o mais industrializado do país. O PIB dos Emirados Árabes é o mesmo do estado do Rio Grande do Sul e o da Bulgária é semelhante ao do estado de Santa Catarina.
Toda essa competitividade do Brasil é destaque e faz com que o país tenha cada vez mais respeito internacional. Mas olhando para o lado de cima da escada econômica, é possível ver oito nações gigantescas do ponto de vista econômico, cuja economia poderia resolver o problema da fome do mundo inteiro, por exemplo, sem que isso afetasse seu modo de vida de forma substancial.
Os EUA ocupam o topo desta lista, apesar da crise econômica que enfrentam no momento. A economia dos EUA é tão grande que todo o PIB do Brasil (a nona economia do mundo!) cabe inteirinho no PIB da Califórnia, o estado americano mais rico. O pequeno estado de Nova York tem o PIB de todo o México. A dificuldade de caixa enfrentada pelos americanos é semelhante à de um rico que deixa de comer filé mignon e passa a comer picanha. Mas é uma dificuldade que afeta o bolso de todos que vendem filé mignon para os EUA.
A relação fica ainda mais injusta quando se compara as populações desses países. A China, por exemplo, é a quarta economia do mundo. Entretanto, tem 1,3 bilhão de chineses para alimentar, mais que duas vezes e meia a população somada dos três primeiros países mais ricos da lista.

A situação fica inaceitável, no entanto, quando se olha para a pobreza da África, o “continente invisível” para a economia mundial. Isso fica evidente quando se compara o PIB de alguns países africanos com o fatura­mento das maiores empresas do mundo. Descobre-se então que PIB do Congo equivale às vendas da Microsoft e o do Sudão às da Siemens. Não faltam empresas brasileiras nesta lista. A Petrobrás, petrolífera estatal brasileira, fatura tanto quanto a Líbia. O maior banco privado do país, o Bradesco, junta o equivalente ao PIB da Namíbia, o Banco do Brasil (maior banco estatal) tanto quanto Mali e a Eletrobrás (controladora da energia elétrica) tanto quanto a República Centro-Africana.

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