Negros culpados da escravidão?


Durante a discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o sistema de cotas raciais nas universidades, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) afirmou que negros também eram responsáveis pelo tráfico de escravos. “Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana”, disse o senador. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a reportagem, Demóstenes ainda defendeu que a miscigenação no Brasil se deu de forma consensual, o que também iria contra as cotas: “nós temos uma história tão bonita de miscigenação. (Fala-se que) as negras foram estupradas (...) Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual”. Ainda segundo o jornal, o DEM considera as cotas inconstitucionais, pois iriam contra o princípio da igualdade dos candidatos no vestibular. (Portal Terra)

Fico muito impressionado com a capacidade de argumentação dessa gente. No ano passado, a revista IstoÉ publicou uma matéria que afirmava com todas as letras que a direita no Brasil estava praticamente extinta e que a possibilidade de voltar a ter força de forma articulada seria quase impossível diante do quadro atual.

Sinceramente, eu não apostaria todas as fichas nisso.

É quase parecido com a história dos primeiros anos do Real no Brasil. Muitos economistas diziam que o monstro da inflação estaria apenas adormecido, dopado, e que poderia acordar a qualquer momento, para agir e causar a costumeira destruição. O monstro da inflação continua dormindo a sono solto...

Mas eu tenho certeza que o monstro do fascismo está apenas cochilando. E vai acordar... E vai fazer novamente os velhos estragos. É só aguardar para ver. E não é só aqui no Brasil que pensamentos como este, do DEMóstenes Torres, começam a voltar à baila como se fosse a coisa mais normal do mundo.

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