Luteranos pedem perdão aos menonitas


A Federação Luterana Mundial (FLM), reunida em assembleia geral em Stuttgart-Alemanha, pediu perdão aos menonitas pela sangrenta perseguição no século 16. A pequena Igreja Menonita é o ramo principal dos herdeiros do movimento anabatista. Os cristãos luteranos expressaram “dor e profundo lamento em vista da perseguição dos anabatistas por autoridades luteranas e, especialmente, que teólogos luteranos deram suporte à perseguição”, afirma a declaração aprovada por unanimidade pela 11ª Assembleia Geral em Stuttgart.

A União Mundial dos Menonitas aceitou a oferta de reconciliação. Especialistas em ecumenismo classificaram a decisão dos luteranos como um acontecimento significativo para a história eclesiástica.

Os luteranos pedem perdão “a Deus e aos nossos irmãos e irmãs menonitas pelo sofrimento que os nossos antepassados impuseram aos anabatistas no século 16”. Lamentam também que durante os séculos seguintes tais atos de perseguição foram esquecidos e ignorados ou, em muitos caos, o movimento anabatista foi difamado ou visto de forma distorcida em escritos científicos ou não científicos sobre o tema. A perseguição também foi justificada por argumentos dos reformadores Martim Lutero e Philip Melanchthon e, em muitos casos, os julgamentos levaram a execuções.

Os menonitas têm hoje em todo o mundo cerca de um milhão de filiados, muitos deles nos EUA e Canadá. Na Europa há 62 mil adeptos, cerca de 30 mil na Alemanha. Seu nome faz referência ao teólogo holandês Menno Simons (1496-1561).

O pedido de perdão é o resultado de uma comissão internacional de estudos luterana-menonita que trabalhou no processo entre 2005 e 2008. O objetivo do pedido de perdão não é somente reparar erros do passado, mas corrigir preconceitos “não condizentes, enganosos e negativos” sobre os anabatistas. Mesmo que permaneçam grandes diferenças teológicas, as mesmas agora poderão ser analisadas e debatidas sob uma nova perspectiva. As principais diferenças dizem respeito ao conceito de batismo e a relação dos cristãos e da igreja com o estado.

Um dos objetivos das duas organizações cristãs com a declaração é deixar claro que a intromissão do estado para impor conceitos teológicos ou práticas religiosas é condenável. Os luteranos e os menonitas irão empenhar-se pela liberdade de expressão e de religião na sociedade que pretende ser livre e democrática.

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