A fonte de água


Todo mundo tem saudade de uma fonte, ainda que nunca tenha visto uma. É que na alma ficam guardadas as coisas que a gente amou e se foram. Elas se foram, mas não morreram. O amor não deixa que elas morram. Ficam lá na alma da gente, esquecidas, adormecidas... Mas, de repente, a gente se lembra! E quando a gente se lembra, vem a saudade...

Onde estão as fontes? Você talvez nunca viu uma, mas eu garanto que, em algum lugar da sua alma, e na alma de todo mundo, há uma fonte de água cristalina. E a gente gostaria de beber da sua água, com as mãos em concha... O Pequeno Príncipe vivia num asteróide. Caiu, por acidente, aqui na terra e foi andando, encontrando-se com homens, conhecendo costumes, com olhos de criança. Tudo lhe parecia espantoso!

Pois ele se encontrou com um homem que lhe tentou vender pílulas de matar a sede. “Para que servem as pílulas de matar a sede?”, perguntou o principezinho. O vendedor se espantou. Como era possível alguém tão ignorante, que não percebesse os benefícios da técnica e da ciência? E tratou de explicar: “Os cientistas e pesquisadores verificaram que, durante um mês, as pessoas perdem 30 minutos, só indo aos filtros, geladeiras e bebedouros para beber água. Gastam esse tempo porque têm sede. Se não tiverem sede, elas não gastarão mais esse tempo. A pílula de matar a sede, como diz o nome, mata a sede. Não sentindo sede, não precisam beber água. Não indo beber água, economizam, por mês, 30 minutos”.

O Pequeno Príncipe ficou espantado. “E o que é que eu faço com esses 30 minutos?” - perguntou. “Com esses 30 minutos você faz o que você quiser”, respondeu o vendedor. “30 minutos para fazer com eles o que eu quiser! Que coisa maravilhosa! E o que eu quero fazer com esses 30 minutos? Ah! Já sei! Se eu tivesse 30 minutos para fazer com eles aquilo que eu quero, eu iria tranqüilamente, andando até uma fonte, para beber água...”

É mais uma pequena lição que podemos aprender. Nós também passamos muito tempo da nossa vida procurando a “pílula para matar a nossa sede”. Nos afogamos com tantas coisas fúteis, inúteis, passageiras, sem sentido... Gastamos tempo e fortunas tentando aplacar a nossa sede interminável, sede que vem lá de dentro da alma... mas não conseguimos aplacar a nossa sede da alma, porque a fonte que está la dentro é só mais uma lembrança. A fonte da nossa alma secou, virou lodaçal ou areal...

Por isso temos tanta saudade da fonte que deveria estar dentro de nós.
Mas há uma fonte, que todos nós sabemos que existe. Sobre esta fonte, Jesus disse certa vez: “Quem beber desta água, jamais terá sede”. É a fonte da água da vida, daquela água que mata a nossa sede de verdade, mata a saudade da fonte... mata a sede da alma. Jesus, a fonte da vida, quer aplacar a nossa sede de vida, de sentido de vida, de amor, de paz, de tranqüilidade, de sossego... Assim como estes momentos de final-de-tarde de domingo, quando chegamos aqui, cheios de sede... Jesus aplaca esta nossa sede.

Coloquemos as nossas mãos em concha e bebamos até que o nosso estômago faça chlok chlok, de tanta água. E peguemos uma folha de inhame... lembram? ... Coisa linda, a água dentro de uma folha de inhame! Ela fica prateada, reluzente. Quem viu uma vez, jamais esquece... fica gravado na alma, para sempre, a imagem da água rolando dentro da folha de inhame! Peguemos uma folha de inhame e levemos dessa preciosa água, chamada Jesus, para as nossas casas, para que ela transforme nossas vidas, nossas famílias, nossos lares, tudo... É isso que é esse tempo de Advento. É isso que é Natal. A fonte da água prateada e bela, rica e que mata para sempre a nossa sede de vida.

(Baseado em reflexão de Rubem Alves)

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