O mundo está mais pacífico. Será?





De 158 países pesquisados pelo Índice Global da Paz (IGP), a Islândia aparece em primeiro lugar e a Somália em último. O Brasil consta na 83a posição, seguido da Bolívia e do Equador. Os Estados Unidos ocupam o 88o lugar. Depois da Islândia, os nove países com o maior IGP são Dinamarca, Nova Zelândia, Canadá, Japão, Áustria, Irlanda, Eslovênia, Finlândia e Suíça. Dos países latino-americanos, quem melhor aparece na lista é o Chile, na 30a posição, seguido do Uruguai, no lugar 33 e da Argentina, em 44. A Colômbia ocupa a pior posição, 144.

O IGP foi criado pelo The Economist em parceria com as Universidades de Sydney, Londres, Uppsala e o Instituto Internacional de Pesquisas pela Paz, de Estocolmo. Para a somatória de pontos, o Índice leva em conta 23 indicadores, entre eles os gastos militares dos países, as relações com as nações vizinhas, os níveis de respeito aos direitos humanos, de transparência, de educação, de bem-estar material e de democracia.

Pelo segundo ano consecutivo, a primeira e a última posição permanecem com os mesmos países. A Islândia aparece como a nação mais pacífica do mundo e a Somália a menos pacífica. O IGP de 2012 mostra, em comparação com anos anteriores, que o mundo ficou mais pacífico, com exceção do Oriente Médio e do norte da África. O curioso é que essa mudança é mais percebida nos países onde a religião tem menos importância na sociedade.  (Com informações de ALC)

Não me parece que este levantamento leva em conta fatores potencialmente agressivos para a paz nas sociedades desses países. Violência urbana, criminalidade, ações policiais desastradas, milícias e esquadrões da morte, a guerra do tráfico ou mesmo a agressividade diária no trânsito, que resulta em milhares de mortes todos os anos, só no Brasil. Também não me parece levar em consideração a violência do Estado contra minorias, como sem terra, sem teto, indígenas e outros grupos tradicionalmente combatidos pela polícia ou pelo exército em muitos países. 

Por fim, não deve também considerar as muitas mortes ocasionadas por motivos fúteis, como brigas depois de festas, em razão de um acidente de trânsito, de brigas conjugais ou familiares e muitas outras situações em que pessoas morrem por coisas minúsculas, causadas por assassinos movidos pela raiva momentânea. 

Se tudo isso fosse pesado nessa balança aí, do IGP criado pelo Instituto Internacional de Pesquisas pela Paz, o ranking dos países iria modificar bastante. Provavelmente, até a afirmação de que o mundo está mais pacífico cairia estrondosamente por terra.

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