Professor, um mestre em sobrevivência




Homenagem especial: Neste dia do professor e da professora, minha homenagem emocionada a Ingrid, minha esposa (na foto, com alunas). Professora dedicada, apaixonada pela sua profissão, que todos os anos adota cerca de 30 novos filhos e filhas, a quem se entrega integralmente, incondicionalmente, apaixonadamente. Ela enxerga as potencialidades e os problemas de cada criança e os carrega com sofreguidão e entusiasmo envolvente. Você é a professora que faltou na minha infância. Aquela que a gente nunca esquece... Parabéns pelo seu dia!

A data que deveria homenagear o professor e a professora, pela nobreza do seu papel junto às novas gerações, virou motivo de preocupação. O dia 15 de outubro remete, antes de tudo, a mestres especializados em sobreviver. É uma realidade de muito trabalho, com dois e até três turnos de aulas, quase nenhum tempo para estudo e preparo e uma rotina que conduz ao estresse e à beira da fadiga quem devia ter ânimo para construir o futuro da nação.

O motivo de tanta luta pela sobrevivência já virou até anedota em programas humorísticos, onde uma professora vira diarista porque recebe muito mais para limpar a casa dos outros do que para lecionar.

Quanto vale um professor, uma professora? O município de Blumenau está pagando R$ 10,15 a hora/aula a um professor em início de carreira, o que resulta em R$ 2.030 por 40 horas semanais. Pelo mesmo ritmo puxado, um professor estadual tem direito a um piso de R$ 1.450,87 (os estados relutam em pagar esse piso, determinado por Brasília), podendo chegar a R$ 2.295,00 em final de carreira.

Já a rede particular de ensino – que já foi atrativa para os professores – paga ainda menos. Segundo pesquisa do Jornal de Santa Catarina (20.09.2012), o salário inicial é de meros R$ 1.210,99, abaixo do piso estabelecido pelo governo. Nem em final de carreira, esses professores recebem o mesmo que seus colegas do ensino público, chegando a apenas R$ 1.747,66 em média.

É verdade que um bom professor e uma boa professora não se valorizam somente pelo salário. Mas remuneração justa é um bom começo para que especialistas não busquem outro meio de sobrevivência e o ensino fique nas mãos de pessoas menos experientes ou até sem professores, com sério prejuízo para a educação e o futuro do país.

Neste cenário, os professores e as professoras que ainda insistem na profissão tornam-se cada vez mais mestres em sobrevivência em lugar de mestres do conhecimento. Por isso, dar parabéns e um abraço pelo seu dia não basta. Falta carinho e respeito. Abraçar a ideia da educação de qualidade neste país começa por abraçar o professor e a professora.

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